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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2015. Da simbologia da escolha de Lamego.


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Da simbologia da escolha de Lamego

No passado dia 25, segunda-feira, a Comissão Organizadora do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2015, da qual me honro de fazer parte, foi recebida em audiência pelo Senhor Presidente da República, seguida de um almoço que nos foi gentilmente oferecido, agora na companhia da Senhora Dr.ª Maria Cavaco Silva, e onde pudemos constatar a enorme e gratificante consideração que ambos (Presidente e Esposa) possuem por Lamego e, de uma maneira geral, por toda a região do Douro.
Confesso que me impressionou muito positivamente o conhecimento aprofundado que demonstrou possuir sobre o território e a sua História, discorrendo magnificamente sobre o papel de Lamego na fundação da nacionalidade portuguesa, e dos contributos posteriores que algumas figuras maiores, ligadas a Lamego, deram a Portugal. Como foi o caso do famoso Bispo nosso Embaixador, D. Miguel de Portugal, que será homenageado num dos momentos mais solenes destas Comemorações.
Aliás, o argumento maior que o Senhor Presidente da República nos ofereceu para justificar inquestionavelmente a razão de ser da opção tomada é a razão maior, e irrebatível, do papel fundamental que a cidade de Lamego teve e tem na construção da Portugalidade, cuja representatividade e valor simbólicos foram tão poderosos, à época em que ocorreu, que chegou ao ponto de ter sido a cidade "escolhida" como lugar onde ocorreram as hipotéticas primeiras cortes do reino, ainda que por documento apócrifo, com base numa cópia supostamente forjada, da autoria de Frei António Brandão.
Referiu o Senhor Presidente da República, muito oportunamente, que no escrutínio das cidades potencialmente adequadas à distinção, não encontrou cidade do interior do país, fora das capitais de distrito e a par de Elvas, que mais e melhor simbolizassem o serviço da cidadania à causa nacional, nos tempos heróicos da fundação e históricos da sua construção, que a nossa vetusta e bela cidade de Lamego! Detentora de uma História notável; possuidora de bens patrimoniais de eleição que fazem da região de Lamego a região do interior do país com maior densidade de imóveis classificados (como Monumentos Nacionais e Imóveis de Interesse Público); para além do património artístico museológico de exceção, bem patente no acervo do Museu de Lamego, uma das mais relevantes jóias detentoras de um património artístico nacional de eleição, tutelado pelo Estado; tudo se conjugando para que a meritória decisão pendesse inquestionavelmente para o lado dos lamecenses.
Não são, pois, necessários mais argumentos a favor desta opção do Senhor Presidente da República, e penso mesmo que esgrimir razões conjunturais, que nada podem ter a ver com as razões primordiais avocadas, será apoucar Lamego na sua importância incontornável que a História de Portugal lhe confere.
O tempo destas comemorações não é o da luta política do presente – tem as suas raízes no passado e será motivo de orgulho no futuro, porque é de um ato simbólico, do maior significado para Portugal, que estamos a tratar. O presente é apenas o momento em que todos, sem exceção, deveríamos estar de acordo, pela simples razão que Lamego é um todo, ainda que feito de partes diversas, tantas vezes necessária e absolutamente antagónicas.
Mas a sua simbologia nacional a todos pertence, de todos é propriedade e a nenhuma das partes lhe é conferido o direito dela se apropriar indevidamente.
Por Lamego, e por Portugal.
Aqui deixo lavrado o meu agradecimento ao Senhor Presidente da República Portuguesa, Prof. Aníbal Cavaco Silva.
Agostinho Ribeiro

* Fotografia copiada do lugar internet da Presidência da República http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=92911 .

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, 2015, na cidade de Lamego.


 
Sobre a minha participação, que muito me honra, como vogal na Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, 2015, a realizar em Lamego, importa esclarecer junto dos meus concidadãos lamecenses, o seguinte:
1 – O Dia de Portugal não é, por essência e definição, propriedade particular de nenhum partido, pessoa ou grupo, nem está refém de interesses estranhos à sua específica natureza e condição, de dimensão nacional e projeção internacional, sempre e em todas as circunstâncias e lugares onde ocorre, e em que têm ocorrido as respetivas comemorações;
2 – O Dia de Portugal não é nenhum detergente ou branqueador que possa servir de pretexto ou razão para “lavar” ou “branquear” seja o que for, porque não é sua função simbólica, do mais alto significado para Portugal, constituir-se como motivo para validar práticas políticas, sejam elas boas ou más, mereçam elas, ou não, a nossa concordância ou adesão;
3 – O Dia de Portugal é o dia de todos os portugueses, independentemente das suas convicções políticas e filiação partidária, e de todo o território nacional e da diáspora, sob a responsabilidade tutelar do mais Alto Magistrado da Nação, como deve ser num País Democrático como é o nosso;
4 – O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas diz respeito a todos os portugueses, e eu sou um deles, com todos os direitos e deveres associados a esta inata e nobre condição.
Por estas razões, integrar a Comissão Organizadora das Comemorações do 10 de junho, em 2015, na cidade de Lamego é, para mim, uma honra e um dever – honra por ter merecido tal distinção, juntamente com outras pessoas que muito estimo; e um dever de cidadania porque, tratando-se de Portugal e dos portugueses, no seu todo e não em qualquer uma das partes que o constitui, a ninguém que defenda os valores da democracia e da república se permitirá furtar a tamanha responsabilidade nacional.
Por tudo isto, agradeço ao Senhor Presidente da República o convite que me endereçou, e agradeço a todos os que tiveram a amabilidade de sugerir o meu nome, na certeza de que as comemorações de 10 de junho de 2015 prestigiarão, uma vez mais, Portugal, no seu território e além-fronteiras, e prestigiam a cidade de Lamego e as suas gentes, como cidade secular e histórica cujo papel relevante na fundação e afirmação da nacionalidade jamais pode ser esquecida ou obliterada, e muito menos amputada na sua nobreza e dignidade, por razões conjunturais e circunscritas a um tempo político de reduzida dimensão, que é o nosso.
É tão simples quanto isto! Obrigado.
Agostinho Ribeiro
 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Município de Lamego – a derrocada final!



Tendo chegado ao meu conhecimento que o Senhor Vice Presidente da Câmara Municipal de Lamego, o meu prezado amigo Eng.º José Pereira, pediu a suspensão do mandato para que foi eleito nas últimas eleições autárquicas do Concelho de Lamego, ocorre-me dizer o seguinte:

1º – Confesso que estranhei muitíssimo mais o facto do Eng.º José Pereira ter anuído à sua integração numa lista liderada pelo atual Presidente da Câmara, do que estranho agora a sua saída, ainda que provisória, do palco suicidário que se chama, ironicamente, “Viver Lamego com alma e coração”;

2º – Como eu só me posso, e devo, apresentar a mim mesmo em qualquer comparativo que possa fazer, no que respeita ao exercício de cargos políticos, acho que o Eng.º José Pereira fez mal em suspender o mandato – deveria manter-se em funções e pugnar, por dentro, a favor dos princípios e valores que eu sei que defende e pratica. Respeito a sua legítima decisão, mas discordo dela;

3º – Seja qual for a razão “oficial” que possa apresentar para justificar tal suspensão, todos sabemos já qual é ela. Espero e desejo que o Eng.º José Pereira seja consentâneo com a sua postura pública, e com a ideia de homem impoluto que dele todos fazemos;

4º - O Município de Lamego, a cidade e o concelho, degrada-se dia a dia, não só na materialidade das obras megalómanas que não servem para nada, e muito menos servem os interesses legítimos dos lamecenses, mas também e sobretudo, na moralidade (ou falta dela) dos atos e procedimentos que nos arrastam a todos para a miséria das dívidas e para as dúvidas da legalidade em tantos dos mesmos;

5º - Que os lamecenses de bem, independentemente das suas convicções político partidárias, se não fiquem pelo silêncio tacanho perante tamanho grito inconsolado, que a ninguém que tenha um mínimo de sentido e noção do “bem público” pode deixar de ser ouvido, e a todos deve obrigar a percebê-lo nas suas mais profundas motivações.

O “fim de festa”, quando a festa esteve repleta de excessos e de abusos, só pode ser o que sempre foi – amargo e doloroso!

Da minha parte, tenho a consciência tranquila – alertei, antes, para os perigos que iríamos correr; chamei a atenção, durante, para as asneiras que se estavam a cometer; continuo, agora, no lugar que os lamecenses entenderam que deveria ser o meu, para ajudar no que puder a resolver os problemas que outros criaram à nossa terra.

Exorto o Eng.º José Pereira, e todos os que, como ele, se aperceberam já do logro em que todos caímos, a estar presente na procura das soluções necessárias, e a lutar por elas, porque sobre os desmandos cometidos, já não há nada a fazer…!


Agostinho Ribeiro

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Das vantagens do compadrio!

Breve elucidário (em três imagens), de uma das vantagens em se ter um compadre mercenário a dirigir um serviço público, ali colocado por designação pessoal e arbitrária, claro…

I



II



III







Este breve elucidário destina-se exclusivamente ao concelho de Lamego, uma vez que não tenho conhecimento de em mais lado algum tal coisa acontecer!

Agostinho Ribeiro

domingo, 13 de julho de 2014

Tenham vergonha!




Dar visibilidade mediática, apoiar desavergonhadamente, permitir cobertura institucional, e o mais que ainda por aí virá, a um indivíduo indiciado pela prática de um ato grave de benefício próprio ilegítimo, que ainda está, ao que se espera, em averiguação junto das entidades competentes, é mais uma pouca vergonha que nos deveria obrigar a repensar todo o sistema público, institucional, em que nos movemos.
O pretexto será sempre o da valorização da instituição, (que já sabemos não ter nada a ver com o caso) como se a instituição precisasse de ser valorizada, precisamente e sobretudo no momento em que ela é dirigida pelo protagonista em questão.

Tenham vergonha!

Agostinho Ribeiro

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Da arbitrariedade sem sentido, a propósito de algumas mudanças.


Esperei propositadamente alguns meses, não me pronunciando publicamente sobre a mudança de logotipo do Museu de Lamego, apenas para confirmar aquilo que eu já antevia há muito tempo - a indiferença dos lamecenses sobre assuntos e matérias públicas que lhes dizem respeito é verdadeiramente deprimente!
Não me refiro, obviamente, a todos os lamecenses. Não digo que os graus de responsabilidade pela indiferença sejam iguais para todos, porque não são, mas é extremamente penoso olhar para uma terra como a nossa e constatar, cada vez mais, a submissão e o silêncio confrangedor perante a podridão dos procedimentos seguidos em setores de serviço público; perante a imoralidade dos atos vingativos do poder local vigente; e o “compadrio” vergonhoso que começa a fazer escola em Lamego. Silêncio esse que mais não faz do que validar estas vergonhas coletivas…
E que resulta, como não podia deixar de ser, na mediocridade dos atos de quem pretende afirmar uma posição que a ética e a moral públicas jamais aceitarão que se afirme!
Vem este introito a propósito de uma “mudança” feita no logotipo do Museu de Lamego, protagonizada por um senhor que está à frente dos destinos desta instituição de cultura lamecense em regime precário de substituição, até à abertura do concurso público, mas que nem por isso deixa de agir como se fosse diretor no pleno exercício de tais funções, que não é!

Parece coisa pequena e desprovida de importância, mas na verdade é pelos exemplos das pequenas coisas que podemos avaliar os grandes gestos e as maiores ou menores qualidades dos seus autores...
 
 
O anterior logotipo do Museu de Lamego representava a sua fachada estilizada, antigo Paço Episcopal de Lamego, transmitindo assim, de imediato, úteis informações sobre a instituição que simbolizava.
Pela observação do antigo logotipo as pessoas ficavam logo a saber:
1º - Que o Museu em causa estava instalado num palácio de traça barroca, pela visualização imediata de um edifício de generosas dimensões e razoável imponência arquitetónica, dando logo a imagem de estarmos perante um museu dotado de boas condições espaciais, o que lhe afirmava desde logo um estatuto de forte dignidade institucional;
2º - Que por esse facto, e tendo em conta as associações mentais que logo se estabelecem, se percebia facilmente que estávamos perante um Museu de Arte Antiga, por causa da natural e normal associação que todos fazemos de edifícios clássicos antigos, na sua relação com conteúdos museológicos condicentes com tais realidades;
3º - Que por via destas duas constatações, que o antigo logotipo de imediato fazia perceber a todos os que o viam, a cidade de Lamego ficava associada à existência de uma entidade museológica de grande dimensão e qualidade, a sugerir desde logo, a propriedade de um património artístico de excelência, como de fato é o acervo do nosso Museu.
 
 
Com o novo logotipo, dois quadrados sobrepostos e desnivelados, que nada dizem ou significam para o conteúdo do museu que simboliza, não sei que associações mentais e simbólicas se pretendem alcançar com estes traços supostamente modernos… Não se vislumbra, de imediato, qualquer relação visual e simbólica com o tipo de museu que pretende representar, nem se percebe qualquer lógica relacional com o importante acervo que o mesmo alberga. Tentemos...:
- Numa muito remota e forçada associação a dois cubos de pedra (???), será que se pretende a valorização da coleção de arqueologia, em auto honorífico elogio, dedicado ao neófito diretor em regime de substituição, pelo fato de ele ser arqueólogo, dando assim a ideia completamente errada que o Museu de Lamego é um museu de arqueologia, em vez de um importante museu de arte?
- Numa ainda mais remota associação visual, será algum elogio indireto à National Geographic Society, pela nítida similitude com o retângulo vazado que é o símbolo mundialmente conhecido desta prestigiada instituição, dando assim a ideia errada de que o Museu de Lamego é um museu de história natural, em vez de um importante museu de arte?
- Ou será que não passa, simplesmente, de uma indigente arbitrariedade sem sentido, produzida por alguém que não tem competência para o fazer, dada a sua situação diretiva precária, nem possui sequer um mínimo de discernimento para saber que tipo e alcance de atuação lhe está concedida, por via de tais limitações?
É que a alteração de um símbolo público, de uma instituição pública, que vai perdurar para além da brevidade das situações precárias de cada um, não pode nem deve ser executada por alguém que se encontre em regime de substituição. Ainda por cima, produzindo uma alteração à imagem pública da instituição que serve, sem qualquer discussão pública adequada, como mandariam as regras da boa conduta de um qualquer dirigente da administração pública.
Parece, portanto, que a ideia é a da ânsia de produzir mudança, seja ela qual for, custe o que custar, dê por onde der, por mais inconsistente e sem sentido prático e simbólico que tal mudança possa representar.
É pouco, e é burrice. Mas é no que querem que Lamego se transforme...
Pois que tenham bom proveito, que a mim já se me começa a faltar a paciência para estar permanentemente a tentar contrariar tamanha falta de respeito pelos lamecenses, uma vez que uma grande parte destes até parece que apreciam e apoiam a indigência das coisas sem lógica, sem sentido e sem fundamento. Mas com gastos perdulários, como convém, para ajudar este País a enterrar-se ainda mais!
Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Mais uma humilhação para Lamego...



Li com estupefação a informação que o meu amigo Acácio Pinto fez o favor de me enviar, a propósito do projeto de requalificação do Museu de Lamego.

A notícia pode ser visualizada no lugar:

 
Isto é profundamente lamentável para Lamego e para toda a região do Douro, porque:
1º - Se há alguma desproporção atual do projeto de requalificação do Museu de Lamego, que está concluído e pronto a ser executado, seria bem melhor que se mandasse reavaliar o projeto e não desistir, pura e simplesmente, dele!
2º - O projeto teve sempre o acompanhamento e o suporte competente das tutelas, dos técnicos e especialistas de museus, e gastaram-se centenas de milhares de euros na sua elaboração, por concurso público internacional. Todos os profissionais de museus envolvidos o acharam proporcional, porque conhecem e sabem bem do valor incalculável do acervo do Museu de Lamego, ao contrário dos que agora têm o poder de decidir a sua não concretização. Abandoná-lo é uma humilhação e um claro desprestígio para Lamego e para o Douro!
3º - O projeto estava estimado em 6 milhões de euros, que poderia e deveria ser revisto em baixa, o que daria, numa candidatura aos fundos comunitários, na pior das hipóteses, um esforço de contrapartida nacional de 600 mil euros a fasear em dois ou três anos. Qualquer coisa como 300 mil euros em dois anos… Para quem assiste a gastos de milhões de euros noutros investimentos no setor da cultura bem menos necessários que este…
A verdade é que o valor estimado da obra não é nada excessivo, e é completamente proporcional à importância primordial do seu acervo, referência patrimonial em termos nacionais e internacionais, já que possui mais Tesouros Nacionais que a maioria dos museus ditos nacionais, mais que o Museu Nacional de Soares dos Reis e tantos como os do Museu Grão Vasco, em Viseu. Mas para esses houve dinheiro para obras substantivas de requalificação museológica e museográfica. Para Lamego é que não há… Porquê?
Para nós, parece que vai haver apenas dinheiro para resolver o problema da cobertura… Mas o Museu de Lamego precisa e deveria exigir muito mais que a resolução dos problemas de cobertura… Para ser um verdadeiro Museu de referência nacional, como merece, não basta arranjar a cobertura. Por isso andei, com outros profissionais de museus, a trabalhar durante dez anos para uma requalificação digna do Museu de Lamego!
4º - Lamento muito que o senhor Secretário de Estado da Cultura, em vez de mandar reavaliar um importantíssimo projeto verdadeiramente exemplar na história da requalificação de museus, em Portugal, tenha seguido a opinião desavisada e incompetente do seu antecessor que, juntamente com o atual Presidente da Câmara Municipal de Lamego, entenderam ambos, como grandes especialistas que (não) são de museus, que a obra do Museu de Lamego era excessiva e… deveria ser abandonada!
5º - Mas também, com Presidentes de Câmara amigos da terra que dirigem, como este, quem precisa de inimigos? Pelos vistos, obras de vulto em Lamego (vulto financeiro, claro) só mesmo as que tiverem de passar pelo crivo municipal… As outras, mesmo que fundamentais, são desnecessárias e dispensáveis.
Para ele e os seus correligionários, o Museu de Lamego está muito bem como está, até porque agora até já dá para se fazerem umas ações de campanha eleitoral laranja na “espumanteria” do Museu de Lamego, ao bom estilo do caciquismo parolo. Para esses, melhor que isto não pode haver…! A qualidade mede-se pelo show-off de coisas avulsas e pela imoralidade do compadrio reinante. Mais nada!
Agostinho Ribeiro

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Da cegueira política lamecense, para a visão de uma alternativa credível!


 
I
 
 
No que respeita às autárquicas de 2013, para o nosso concelho de Lamego, a boa notícia é que existiram 2.625 lamecenses que deixaram de ser cegos e perceberam, finalmente, que a coligação PSD/CDS, liderada por Francisco Lopes, tem prejudicado fortemente os interesses mais genuínos e importantes do coletivo que somos todos nós, lamecenses.
Refiro-me, claro, à gestão ruinosa que foi desenvolvida nestes últimos anos, que já fez ultrapassar os limites legais do endividamento bancário municipal; à gestão que muitos de nós acha danosa, protagonizada por uma empresa municipal que apenas somou gastos absurdos para receitas irrisórias; e tudo isto para justificar e suportar obras megalómanas (o termo é mesmo megalómanas, e não ambiciosas, como estultamente referem os seus promotores) que não traduzem nenhum benefício efetivo para a comunidade que deveriam servir!
A outra boa notícia é que, desses 2.625 lamecenses já curados da cegueira ideológica que transportavam de há 4 anos a esta parte, pelo menos 2.016 não só perderam a confiança no gestor milagreiro que veio de fora para desgraçar as nossas contas públicas (com reflexo direto nos nossos bolsos, e de forma muito mais grave do que possamos pensar), como entenderam, e muito bem, que era hora de iniciar um processo de mudança, na tentativa de afastar quem tanto mal nos tem feito, ainda que tal desiderato alternativo não tenha sido ainda alcançado.
Tive o cuidado de ir lendo o que a coligação PSD/CDS, e os seus apoiantes mais diretos, iam dizendo nas redes sociais… Um verdadeiro absurdo de deslumbramento pré-histórico!
A petulância e a arrogância desmedidas, na convicção segura de que iam ser "outros 6-1”, talvez mesmo “7-0”, à medida de uma campanha eleitoral também ela megalómana, onde parecia não haver limites de recursos humanos e materiais, tal a panóplia de viaturas em campanha, de tarjas e outdoors, brindes e quejandos, a sucederem-se como se não houvesse crise nem austeridade em Portugal, chegando mesmo ao desplante insultuoso (sobretudo para os jovens, uma vez que os considera, objetivamente, desprovidos de inteligência) de dois vídeos com sugestões sexuais a propósito de um ato de cidadania que é o voto dos jovens que o fazem pela primeira vez; tudo isto apontando para a epifania feliz de um “esmagamento” dos adversários políticos, como se todos o lamecenses fossem marionetas nas mãos de quem se acha detentor de toda a verdade e de toda a razão quando, precisamente, não detém rigorosamente nem uma coisa nem outra…
II
A má notícia é que ainda persistem fortes sinais desta “doença” de falta de visão por causa de um clubismo partidário serôdio e bolorento, que não deveria fazer sentido no Portugal Democrático de hoje, traduzida na cegueira de ainda haver 8.548 lamecenses que seguramente tardam a perceber que o seu voto foi, precisamente, depositado por eles… contra eles próprios…!
Sim, quem votou na coligação PSD/CDS, em Lamego (é importante sublinhar isto, aqui e agora), votou contra si próprio, porque votou na continuação de uma política gestionária suicidária; votou em quem mais adensou e aumentou as despesas das pessoas, empresas e famílias lamecenses; votou em quem endividou, de uma forma já irreparável, o concelho de Lamego, colocando-o a níveis bem piores que a infeliz dívida pública da Grécia; votou em quem pretendeu e pretende afirmar a legítima ambição de crescimento e desenvolvimento de Lamego através de gastos sumptuosos em obras desnecessárias, que nada trazem de benefício efetivo para a nossa terra, e que nem sequer se preocupou em fundamentar e justificar devidamente, nos termos da lei, a sustentabilidade futura dos equipamentos públicos resultantes de tais obras.
III
Mas a melhor notícia de todas é, sem dúvida, a notícia da esperança! Esperança de que as coisas mudem no quadro já atual do novo figurino autárquico, onde talvez a coligação PSD/CDS demonstre agora mais respeito pela oposição do PS, e seja menos arrogante e mais correto no seu relacionamento político e institucional para com os autarcas que se não revêm nas suas posições e projetos políticos. Talvez deixem de intentar ações judiciais contra opositores que apenas dizem as verdades conhecidas por todos, ou até mesmo desistam de aprovar moções que insultam e rebaixam a própria democracia portuguesa, contra adversários políticos que apenas manifestam as suas opiniões publicamente, sobre atos e acontecimentos também eles públicos…
Porque do tão aclamado e desejado “6-1”, pode contar agora com um muito mais equilibrado e justo “4-3”; porque contra o despesismo excessivo de uma campanha ostensiva, embateu de frente contra uma parcimoniosa campanha, contida, humilde, persistente e empenhada, protagonizada por homens e mulheres livres e descomprometidos, que não precisam da política para viver, mas que sabem que o seu contributo à causa pública pode, e deve, ser um generoso contributo ao coletivo que todos devemos saber servir!
 
Parabéns, portanto, ao PS de Lamego e a toda a equipa de trabalho da campanha, com Manuel Ferreira e André Freire a liderarem uma candidatura que se pode traduzir, simbolicamente, numa luta desigual entre David e Golias… Com a diferença relevante de que o Golias também aqui perderia, se não tivesse a ampará-lo uma cada vez mais irreconhecível e ideologicamente desprestigiante muleta que dá pelo nome de CDS/PP!
É que se não tivessem concorrido em coligação, e fazendo uma projeção simplista de votos, o resultado seria 3-3-1, e as circunstâncias políticas atuais ditariam uma provável vitória do Partido Socialista.
Resumindo e concluindo, ele há vitórias que sabem a derrotas e derrotas com o gosto de saborosas vitórias… Por um futuro melhor para todos, e não um presente agradável apenas para alguns.
É o que eu penso, como lamecense e político empenhado no enobrecimento da gestão da coisa pública e no desenvolvimento real e sustentado do nosso concelho de Lamego!
Agostinho Ribeiro

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

"Abjetivo" ou adjetivo?

 
O senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego acaba de fazer chegar ao conhecimento de toda a Vereação, que deu entrada nos serviços da Câmara Municipal de Lamego três notas de honorários de uma sociedade de advogados, referentes a processos-crime de difamação pública, que ocorreram há 9 e há 11 anos atrás… (isso mesmo, há 9 e 11 anos atrás) ao tempo e contra o anterior Presidente da Câmara de Lamego, Prof. José António Santos.
Pretende agora que a Câmara Municipal de Lamego ressarça essa sociedade de advogados com a irrisória quantia de 46.521,10 €, acrescidos do IVA à taxa legal em vigor.
Tamanho zelo não deixaria de ser intrigante, se… a sociedade de advogados, que dá pelo nome de “Elmiro de Sousa, Rosa Vasconcelos & Associados, Sociedade de Advogados, RL”, não fosse exatamente a mesma que agora presta serviço ao senhor Engenheiro Francisco Lopes e ao senhor José da Silva, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Lamego e seu chefe de gabinete, respetivamente, num processo-crime por suposta difamação do Vereador Agostinho Ribeiro, a estes mesmos senhores!
Moral da estória… Ele há sempre coincidências extraordinariamente convenientes!
Não sei abjectivar, perdão, adjetivar isto… Já se me esgotaram os termos!
Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Architektur ist geiselnahme *.


*A Arquitectura faz reféns.



João Figueiredo, Antropólogo e Bolseiro de Investigação da Fundação para a Ciência  e Tecnologia, decidiu, em boa hora, dar um contributo importante para a discussão pública em torno da problemática da obra do Eixo Barroco da cidade de Lamego. Fê-lo num artigo de opinião deveras interessante, e baseado em fundamentos conceptual e historicamente válidos, ainda que discutíveis[1].

Temos, pela primeira vez, alguém que se oferece para discutir esta problemática com base em argumentos providos de seriedade histórica, embora generalistas, constituindo o seu contraditório um exercício que ultrapassa a mera circunstância do gosto efémero que a moda nos confere, para se alcandorar à postura mais elevada de uma dialéctica conceptual, que se não esgota no básico ser “a favor” ou ser “contra” esta obra, por meras razões de alinhamentos político-partidários, como tem acontecido até ao momento por parte da maioria dos que se posicionam a seu favor.
Só por isto felicito o autor do artigo, que penso não conhecer pessoalmente, e agradeço-lhe a sua produção, pela riqueza de conteúdo que traz à discussão pública da questão.

Sem embargo, as minhas discordâncias sobre a tese apresentada são profundas, e baseiam-se numa diferente análise e interpretação dos testemunhos históricos chamados à colação para fundamentar, ou melhor, justificar a opção pela execução da obra, pelo menos a um nível idêntico à razão que reconhece (e muito bem) existir por parte dos que, como eu, não concorda com ela.

Desde logo porque o adágio da “catedral que nunca acaba de ser construída” não traduzia um conceito arquitectónico puro e original, tanto quanto o consigo interpretar. Traduz antes, em modesto entender, uma sublimação espiritual tardia, mais no sentido da ecclesia original do que no fundamento da edificação física da igreja. É a construção da Igreja de Deus que nunca acaba, porque é tarefa inacabável, depois vertida na materialidade das sucessivas necessidades de adaptação funcional dos edifícios, construindo-se assim uma lógica discursiva, simbólica, entre o céu e a terra.
Aliás, se repararmos bem, a grande maioria das catedrais constituem, como também acontece na nossa Sé de Lamego, uma enciclopédia de estilos, precisamente pelo facto da maioria da construção nova surgir sobre, e em complemento à edificação primitiva. Com certeza que houve excepções, mas não é sobre excepções que podemos construir normativos. De facto esta não era a regra, porque a destruição do edificado só ocorria quando o mesmo já se encontrava em tal estado de degradação ou de desadequação às necessidades funcionais, que nada mais restava senão proceder à sua substituição.
Ora, construir reparando o existente e substituindo apenas o que já estava absolutamente inoperacional e obsoleto é coisa diversa, e muito diferente, da destruição do existente e construção nova sobre o destruído, sobretudo se o destruído ainda cumpre integralmente as suas funções...
Precisamente, Antoni Gaudi, um modernista sincrético, ou, como disse Antonio Llena, “um barroco, um romântico, um racionalista e, acima de tudo, um surrealista", não rogou que destruíssem o que ele tinha feito, mas antes que dessem continuidade ao que ele tinha feito, o que é, mais uma vez, substancialmente diverso do postulado defendido por alguns (que não o do autor do artigo, segundo creio) de que a contemporaneidade em arquitectura pode passar pela destruição pura e simples dos testemunhos edificados dos que nos antecederam, em nome da defesa da vida qualificada desses espaços urbanos.

Esta construção teórica, ainda que respeitável, é muito discutível, e leva erradamente à dedução de um suposto antagonismo entre a percepção dos espaços vivos e dos espaços-museu, depreendendo eu que o autor entende os espaços-museu como espaços mortos ou, pelo menos, bem menos vivos que os ditos.
Ora, também este antagonismo não aguenta o crivo de uma análise mais profunda, já que se baseia em determinados preconceitos intelectuais que não têm qualquer sustentabilidade, nem teórica, nem prática.
Em primeiro lugar, a “lógica conservacionista que dita as intervenções em espaços-museu” não é incompatível nem opositora a qualquer “ímpeto reformador” dos lugares da dita memória cívica. As reformas são necessárias e desejáveis, usando-se hoje o termo da requalificação para melhor as caracterizar e identificar. Não há, hoje em dia, nenhuma lógica “conservacionista” que defenda ou postule o imobilismo e a “não-inscrição” como opção. Pelo contrário, é hoje sabido por todos que conservar a memória material ou imaterial de um qualquer colectivo é um acto proactivo, vivo e dinâmico, e jamais um acto de condescendência com a inactividade e a omissão.

Este equívoco baseia-se na noção ultrapassada, incorrecta e despropositada, de que os museus são espaços mortos onde se depositam objectos, sem qualquer outro significado ou função que não seja os de os guardar e, como tal, sem importância para a vida das pessoas... Nada de mais errónea esta percepção, porque os museus nunca foram isso e, sobretudo hoje em dia, são precisamente o contrário disso! Basta estudarmos um pouco mais a história dos museus e a sua evolução, desde os primórdios à actualidade, para percebermos que essa noção não passa de um mito, baseado num conceito romantizado, muito circunscrito temporalmente, mas que fez escola e perdurou no imaginário dos mais desatentos à evolução dos museus no seio da(s) sociedade(s) que serve(m) [2].

Sendo eu um adepto fervoroso do conceito de que os espaços-museu são, por definição, espaços vivos, e não outra coisa qualquer, tenho dificuldade em interpretar e compreender o simbolismo da expressão architektur ist geiselnahme (a arquitectura faz reféns) fora do seu contexto preciso, tanto histórica como espacial, precisamente porque tal expressão decorre de algum radicalismo ideológico, interpretativo de marcas físicas que deveriam ficar (ou não) congeladas no imaginário de um povo marcado e dividido, como foi o povo alemão do século XX.

Entendo, portanto, desadequada a tentativa de estabelecimento de qualquer comparação de algo que não é comparável, nem à luz de uma ténue similitude formal (intervenção em espaços urbanos) que não tem qualquer outro ponto de aproximação pela distância formal e de conteúdo, bem como das circunstâncias históricas, que afastam as duas realidades.

Na verdade, no que respeita a Lamego, não me parece que haja alguém que se tivesse sentido a viver num museu, por usufruir e utilizar quotidianamente o espaço público que agora está a ser destruído e isso, pela simples razão de que o não era, sem quaisquer outras lucubrações intelectuais. Logo, nenhum lamecense se sentia, tanto quanto me pareceu ao longo dos últimos 38 anos em que aqui vivo, como refém fosse do que fosse, e muito menos condenado a viver num museu estático e inamovível.

Finalizaria com esta simples comparação, aproveitando a deixa do autor daquele interessante artigo - se quiséssemos transpor o rogo de Antoni Gaudi para a realidade do centro histórico de Lamego, respondendo positivamente à sua exortação, estaríamos agora a respeitar o existente, mas não a destruí-lo; estaríamos a contribuir para o enriquecimento do nosso centro urbano com melhorias acrescentadas ao edificado, mas não à substituição completa dos elementos fundamentais que o caracterizam e identificam como ex-libris de Lamego.

Enfim, se em Barcelona se fizesse na Basílica da Sagrada Família o mesmo que se está a fazer agora no centro urbano de Lamego, os barceloneses estariam a assistir à derrocada quase total da Basílica para, em sua substituição, se construir uma outra Basílica, ainda que com alguns elementos de memória da “antiga”. Tenho a certeza de que os barceloneses não iriam admitir, pura e simplesmente, tamanho crime de lesa património!

Foi contra isso que os “conservacionistas” lamecenses lutaram... e perderam.

Agostinho Ribeiro.




[1]Ainda sobre o desafio do eixo barroco em Lamego “, in Douro Hoje, nº 1200, Ano XXVI,  pág. 8, 27 de fevereiro de 2013.
[2] According to the ICOM Statutes, adopted during the 21st General Conference in Vienna, Austria, in 2007: A museum is a non-profit, permanent institution in the service of society and its development, open to the public, which acquires, conserves, researches, communicates and exhibits the tangible and intangible heritage of humanity and its environment for the purposes of education, study and enjoyment.
This definition is a reference in the international community.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Os meus argumentos contra a obra do eixo barroco I

(Publiquei alguns comentários na cronologia do Grupo Lamego, a propósito das obras do Eixo Barroco, no centro urbano da nossa cidade. Como os comentários passam e depois será difícil reencontrá-los no conjunto dos sucessivos "posts" que se vão colocando todos os dias, entendi que seria oportuno mantê-los de fácil acessibilidade e leitura, para quem quiser ler, concordar ou contraditar. Por isso aqui os deixo exactamente como os escrevi, apenas omitindo os nomes dos destinatários e fazendo uma breve nota preambular quando o comentário corresponde a uma resposta a alguém.)



Este comentário, feito na sequência de um alerta para as obras em causa, iniciou um debate deveras interessante sobre o assunto.


Como já devem ter reparado, e como eu sempre disse desde a primeira hora (e a primeira hora é desde que surgiu esta ideia peregrina de destruir o nosso belíssimo centro histórico) as alterações que vão ser introduzidas irão modificar profundamente a fisionomia da nossa inigualável sala de visitas.

Mas parece que, segundo algumas opiniões certamente muito sabedoras do assunto, quem estiver contra esta obra é um Velho do Restelo...! Imagine-se o absurdo!


Esta obra é prioritária? Não, não é. É fundamental para o desenvolvimento de Lamego? Não, não é. Melhora o trânsito no centro da cidade? Não, não melhora. Faz do centro da cidade um espaço urbano mais belo do que o actual? Não, não faz.


Então o que faz? Faz pensar que em Lamego sobra dinheiro para se gastar onde se não deve e não é estritamente necessário, mas não há um tostão sequer para o que mais importa; faz pensar que em Lamego o importante “é fazer”, fazer seja o que for, mesmo que este fazer seja um completo e total absurdo de desperdício de tempo, de dinheiro, de razão ou de lógica integrada num qualquer modelo de desenvolvimento que, para ser sustentado, deveria respeitar a identidade da nossa terra.

Portanto, vai-se gastar dinheiro (muito ou pouco, tanto faz) numa obra que é absolutamente desnecessária, esteticamente penalizadora, patrimonialmente destruidora da imagem de marca e símbolo único e incomparável, porque sim... apenas porque sim... Porque fazer obra é bom, é sinal de progresso, é sinal de modernidade, é sinal de mudança.
Ao que chegamos... Ninguém terá dito a essas pessoas que ter opinião contrária é legítimo e até desejável, num Estado Democrático e de Direito? Não saberão que mudança, por si só, não significa rigorosamente nada, nem é sinal de coisa nenhuma, se a mudança não trouxer mais valias efectivas para todos?

E que mais valias traz esta obra, ao ponto de ser tão necessária a destruição do existente? Traz a mais valia de destruirmos o que os nossos antepassados nos legaram, e que em quase todo o mundo é objecto de precaução, reabilitando sim, mas respeitando o que está feito e não destruindo, pura e simplesmente, o que estava bem. Quase... Porque há algumas excepções e Lamego é uma delas!
Querem fazer obra nova? Pois que a façam que é bem desejável que se faça... Mas não destruindo o que está bem. Façam a variante, que é tão necessária para todos nós, mas não estraguem nem desrespeitem o trabalho dos que nos antecederam e que, ainda por cima, constitui ex-libris da nossa cidade e, como tal, ninguém se pode arvorar ao direito de a destruir como agora vai ser feito.

Mas não façam mais disparates como o do Pavilhão Multiusos, por favor, porque para obra nova como estas já nos bastavam algumas obras velhas que não abonam a favor da nossa urbanidade.
Querem estragar? Estraguem o que é vosso, mas só o que é exclusivamente vosso e que não se reflicta no colectivo que somos, mas não estraguem o que é de todos, para serventia de todos, no respeito pelo edificado lamecense que deu provas de ser já património incorporado e sedimentado no nosso imaginário colectivo, orgulho de todos os lamecenses que sabem e percebem o valor e o significado do termo património.

Agostinho Ribeiro

Os meus argumentos contra a obra do eixo barroco II

(Publiquei alguns comentários na cronologia do Grupo Lamego, a propósito das obras do Eixo Barroco, no centro urbano da nossa cidade. Como os comentários passam e depois será difícil reencontrá-los no conjunto dos sucessivos "posts" que se vão colocando todos os dias, entendi que seria oportuno mantê-los de fácil acessibilidade e leitura, para quem quiser ler, concordar ou contraditar. Por isso aqui os deixo exactamente como os escrevi, apenas omitindo os nomes dos destinatários e fazendo uma breve nota preambular quando o comentário corresponde a uma resposta a alguém.)



Esta foi a minha resposta a um comentário, colocado por um outro cidadão lamecense que argumentou em defesa da obra mas utilizando, em meu entender, argumentos enviesados na sua construção.

Talvez fosse bom existir um pouco mais de seriedade em algumas das considerações aqui feitas, a saber:


- O facto da Câmara não “gastar” os 3 milhões de euros não dá à Câmara o direito de desperdiçar recursos públicos em obras que não são prioritárias, como esta não é. A Câmara de Lamego não tem sequer o dinheiro para assumir a responsabilidade da contrapartida nacional, a não ser pelo aumento do endividamento bancário;


- Talvez fosse melhor aplicar o dinheiro, nos mesmos termos, para realizar a circular externa a Lamego, tão necessária, em vez de estragar o que de bom e bonito esta terra tem. Mas isto é apenas uma opinião...;


- A questão do aumento das árvores é irrelevante porque esse aumento irá dever-se essencialmente à continuidade pelo Largo de Camões e Rua do Regimento de Infantaria. O que é verdadeiramente descaracterizador da zona, e serão um verdadeiro obstáculo à visualização do plano da escadaria de Nossa Senhora dos Remédios, vista que é imagem de marca da nossa cidade;


- Não vão retirar as taças da avenida porque houve logo um coro de protestos a essa hipótese, mas chegaram a equacionar essa possibilidade. E quanto às estátuas ainda não é certo que fiquem, pelo que seria desejável algum esclarecimento sobre esse aspecto;

- Já quanto à destruição do Jardim Visconde Guedes Teixeira, é claro que vai ser totalmente destruído, sendo substituído por um arranjo que não se percebe muito bem o que é, ou o que vai ser mas que, em termos gerais, se configurará numa enorme extensão de assentamento em granito, e pouco mais.

Seria bom perceber que o desenho das duas avenidas são datadas, históricas e foram construídas numa lógica de circulação urbana que integrava harmoniosamente a circulação pedonal e rodoviária. Assim, o tal corredor pedonal contínuo que parece agradar tanto a certas pessoas e que servirá para o lazer de poucos tem, como contrapartida:

- O estreitamento da via rodoviária em todo o eixo vai, obrigatoriamente, dificultar ainda mais o trânsito rodoviário, que não tem alternativa nenhuma de circulação, porque a variante ainda não está feita;

- A extinção da rotunda do Soldado Desconhecido, vulgo Chico do Pinto, não é só uma questão de “hábito” que se resolverá com o tempo – é um estrangulamento sem alternativa e que resultará num aumento de pressão nas vias secundárias, sem necessidade nenhuma. Basta perceber o que será o trânsito de pesados e ligeiros nessas vias alternativas e concluir pela fragilidade da opção;

- Plantar árvores nas faixas laterais dos monumentos é um disparate completo porque precisamente vai tapar a visibilidade dos mesmos, como as árvores plantadas à frente do Teatro irão retirar visibilidade tanto ao Teatro, como à Sé de Lamego, inviabilizando a vista de fundo quando se está a olhar para os Remédios no largo de Camões, junto à estátua de D. Miguel de Portugal. Basta fazer um pequeno esforço de imaginação para perceber o que se vai perder;

- O mobiliário urbano é matéria já secundária, bem como toda a melhoria na Rua do regimento de Infantaria nº 9, onde não há nada a criticar.

Achar portanto, que um benefício de passeio pedonal, meramente circunstancial e limitado, é suficientemente válido para se gastar tanto dinheiro público, com prejuízo nítido para tudo o mais que se possa equacionar, é ser muito redutor.
Mas há um benefício que não foi equacionado – o da melhoria efectiva das infraestruturas básicas (água e saneamento) que de facto é positivo. Mas isso podia ser feito sem estragar o que existe.

Agostinho Ribeiro

Os meus argumentos contra a obra do eixo barroco III

(Publiquei alguns comentários na cronologia do Grupo Lamego, a propósito das obras do Eixo Barroco, no centro urbano da nossa cidade. Como os comentários passam e depois será difícil reencontrá-los no conjunto dos sucessivos "posts" que se vão colocando todos os dias, entendi que seria oportuno mantê-los de fácil acessibilidade e leitura, para quem quiser ler, concordar ou contraditar. Por isso aqui os deixo exactamente como os escrevi, apenas omitindo os nomes dos destinatários e fazendo uma breve nota preambular quando o comentário corresponde a uma resposta a alguém.)



Estes foram os dois comentários colocados a seguir ao comentário de alguém que tinha remetido para o site do projecto Viver Lamego, onde o projecto da obra está sumariamente apresentado. O endereço é <http://www.viverlamego.com/espaco-publico-do-eixo-barroco>

O terceiro comentário, ainda que na sequência dos anteriores, já remete para outras questões de natureza municipal.

1

Esta descrição aqui trazida por x é uma enorme mistificação do que vai acontecer, redigida com o propósito de validar com argumentos baseados em convicções não provadas nem demonstradas, nem testadas, como se pediu e não se fez, precisamente por saberem que estão (estavam) a laborar num profundo erro. 

A história das árvores, por exemplo, que serão plantadas no eixo da via à frente do Teatro Ribeiro Conceição, ao invés de promover a visibilidade dos espaços urbanos vai, precisamente pelo contrário, fechar e destruir tal visibilidade, como é evidente, a não ser que plantem árvores transparentes.

Todo o património edificado, observável do Largo de Camões (frente ao Museu) vai ficar tapado pelas novas árvores que se vão plantar na zona e que servem para explicar porque razão irá haver mais árvores.

Do mesmo modo isso vai acontecer na zona da rotunda, com as árvores que ali serão plantadas e que fará perder a amplitude da visibilidade e fruição do edificado, como acontece agora. Ou será que não se aperceberam disso?



Por favor, pensem com a vossa cabeça e não com as verdadeiras tretas que naquele texto está escrito. 

O passeio pedonal contínuo é um benefício absolutamente irrelevante perante os prejuízos que tal opção vai causar.
O passeio pedonal serve muito pouca gente (e eu até sou um dos privilegiados que irá beneficiar com isso, mas acho que o interesse público deve estar acima do interesse pessoal) e a verdade é que para haver esse passeio, terão que extinguir a rotunda e, por favor, pensem no que vai acontecer sem aquela rotunda a servir de escapatória imediata para o trânsito, sobretudo dos pesados.
É fácil imaginar o que vai ser, é só olhar para as centenas de viaturas que todos os dias pressionam o nosso centro e depois imaginar o que vai acontecer sem a rotunda, tendo todas as viaturas que circular pelas vias alternativas que não estão dimensionadas para suportar o trânsito que até hoje tem a escapatória permitida pela rotunda.
Fizeram-se testes de eficácia rodoviária às alterações produzidas? Sabemos como suportarão as ruas secundárias e residenciais (Fafel, Bernardo Pinto de Aragão, Columela, Justino Pinto de Oliveira e Alfredo de Sousa) ao aumento exponencial de viaturas que, no sentido descendente da Av. 5 de Outubro terão que sair por algum lado? Fez-se algum teste? Algum ensaio? Algum estudo prévio?

Assegurar que vai haver melhorias, mesmo comerciais, no centro urbano depois destas obras, é outra falsidade facilmente desmontável. Com menos estacionamento, muito menos do que o que existe (numa média de perda de 2 lugares para cada 3 actualmente existentes) a que se acrescenta o estreitamento de toda a via e a impossibilidade de paragens mesmo momentâneas ao longo de toda a extensão da via vai levar a um forte impedimento de actividade comercial no dia a dia dos estabelecimentos no lugar, como não pode deixar de ser. É claro que o lazer, sobretudo no período do Verão vai ser melhor, não temos dúvidas, mas isso irá contribuir para uma melhoria significativa da actividade comercial e residencial da zona? Pois eu, estou convencido que não!

2

Ou seja, não gosto do projecto e tenho todo o direito de não gostar. Não encontro mais valias tão evidentes como as que nos querem meter pelos olhos dentro e é facilmente demonstrável a fragilidade das opções. Mas há um aspecto muito mais importante e que é o da destruição patrimonial, porque de destruição patrimonial, datada, histórica, romântica, se trata. Destruir não é requalificar - são duas coisas diferentes.
Claro que tenho paciência e não tenho outro remédio senão aceitar as asneiras feitas pelos actuais responsáveis camarários, porque foi o povo lamecense que os colocou lá, mas é bom não esquecer que o poder político não confere o direito às pessoas de fazerem tudo o que lhes apetece. 

Vejam o que se está a passar com as grandes opções deste executivo, nomeadamente a empresa pública municipal que agora tem que ser extinta e o pavilhão multiusos que ainda não se sabe como vai ficar...

Mas acho bem que defendam o indefensável... Assim sempre terão menos problemas de consciência quando verificarem a enorme asneira que estão a fazer ao destruir a galinha dos ovos de ouro da cidade de Lamego! Obrigado.


3

Este terceiro comentário já foi mais de resposta genérica à capacidade que o senhor Presidente da Câmara tem para argumentar com muita bonomia e ligeireza, em defesa dos projectos. Mas falar bem não significa, tantas vezes, fazer bem...


Será que ainda não percebemos que o Presidente da Câmara tem resposta para tudo? O problema não está nas respostas que ele tem, e que nos dá com muita proficuidade, mas sim nas consequências dos actos que ele vai cometendo, independentemente das respostas tão sábias que ele nos dá. Dou-vos 3 exemplos, sendo 2 que já atrás referi:

1 - A empresa pública municipal Lamego Convida era (e é) no entender dele um verdadeiro sucesso político, social e desportivo e cultural, a fazer fé no que dizia e ainda diz sobre ela. No entanto vai ter que ser extinta porque não cumpre sequer os mínimos requisitos exigíveis a este tipo de empresas. Imaginem que as receitas próprias da mesma não chegavam a custear metade das despesas que tinha e tem com o pessoal e, por isso mesmo, será extinta por força da lei;

2 - O Pavilhão Multiusos iria ser uma infraestrutura que, a partir dos finais de 2008, inícios de 2009, traria enormes mais valias à cidade, concelho e região. Em inícios de 2013 o Pavilhão ainda não está terminado, tem problemas gravíssimos estruturais (certamente que esses problemas não são de sua responsabilidade) mas a fazer fé nas iniciativas que já se fizeram lá, vai custar os olhos da cara estando fechado e muito mais custará de cada vez que se abrir para um qualquer evento. Ou seja, é um verdadeiro flop, analisado seja por que prisma for;

3 - Era absolutamente indispensável e necessário criarem 3 centros escolares no concelho, segundo a proposta do senhor Presidente da Câmara, mesmo sabendo-se que não iria haver alunos em numero suficiente para os utilizar devidamente. Mas os argumentos do senhor Presidente, sábios, como se vê, levaram à construção dos 3 centros. Hoje está demonstrado que dois chegavam e sobravam para as necessidades e até para a organização equilibrada e harmoniosa de todo o processo educativo para o Concelho de Lamego. Agora um dos centros vai ser ou já é uma espécie de centro paroquial...

Isto tudo para vos dizer que as respostas e argumentos apresentados pelo senhor Presidente da Câmara são sempre muito bons e excelentes, mas depois vem a realidade e desmente-os a todos, sem excepção. E não vale a pena dizer que não é assim, porque a realidade está à nossa frente, à vista de toda a gente e só não vê quem não quer, ou não pode, ver.
Mas sempre ouvi dizer que o pior cego é, precisamente, aquele que não quer ver!
Obrigado.


Agostinho Ribeiro