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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A sua (dela) primeira vez...

 
 
Corre, na comunicação social e nas redes sociais, um sururu por causa de um vídeo da campanha de Francisco Lopes à Presidência da Câmara Municipal de Lamego.

Videhttp://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/lamego-apelo-ao-voto-em-versao-sexy

e  http://www.youtube.com/watch?v=r4JyF70K7UA ).
 
Considera uma jovem, que supostamente atingiu a idade de votar, que a sua (dela) “primeira vez” iria ser “a/com (?) ” uma pessoa “que sabe o que faz, que lhe inspira confiança”, e que “é uma pessoa sexy”. Depois de alguns trejeitos e poses sensuais, a sugerir objetivamente que a sua (dela) primeira vez, seria um ato de natureza profundamente intimista, em que iria ter relações sexuais com alguém, tal "primeira vez" não passa, afinal, de um ato de cidadania exemplar, concluindo que o voto que iria depositar no próximo dia 29 de setembro, seria a favor do candidato Engenheiro Francisco Lopes.
 
O clímax sugestivamente sexual será, portanto, para esta jovem, um excelente e certamente empolgante depósito do seu voto na urna eleitoral, cujo gozo e prazer antecipa no ternurento vídeo que fez o favor de por à disposição de todos nós. Não sabemos, porque o vídeo o não refere, se o candidato Francisco Lopes, tocado por esta extraordinária revelação da sua apoiante, estará presente ao ato, para testemunhar presencialmente a consumação plena de tão democrático desejo.
 
Mas as questões relevantes que resultam da divulgação deste extraordinário vídeo não me parecem que sejam estas que acabei de referir.
 
É que eu não sei se a jovem sabe que a pessoa que ela pensa que “sabe o que faz” é, precisamente, o responsável por ter endividado a Câmara de Lamego, nos últimos oito anos, para valores que colocam o nosso concelho com um índice de endividamento, em percentagem do PIB municipal, muito pior que Portugal, conseguindo mesmo a façanha de o colocar em situação pior que a da própria Grécia; que já teve de recorrer à ajuda “externa” por duas vezes consecutivas para sustentar obras megalómanas, sem retorno nenhum para a qualidade de vida das pessoas, e sustentar uma empresa municipal absoluta e reconhecidamente ruinosa, tudo junto em valores que rondam os 50 milhões de euros, o que coloca Lamego à cabeça dos municípios portugueses com um endividamento per capita dos mais elevados de Portugal, e que envergonha qualquer terra que se preze de ser habitada por pessoas de bem…
 
Não sei se a jovem sabe que o homem que lhe inspira confiança, é o principal responsável pela gestão de um município que tem a terceira taxa mais elevada de desemprego em Portugal, na ordem dos 27 %; que tem o setor do comércio e do pequeno empresariado a definhar todos os dias, com estabelecimentos comerciais a fecharem portas continuadamente, e com pequenos empresários locais a abrirem falência, por ausência de qualquer política séria e sustentada de apoio ao empreendedorismo local…
 
Não sei se a jovem sabe que o homem que ela acha que sabe o que faz, e que lhe inspira assim tanta confiança, gere um Município onde as taxas e serviços municipais são das mais elevadas em Portugal; onde o IMI é cobrado aos munícipes pelas taxas mais elevadas que a lei concede; que gasta dinheiro a destruir o património urbano, historicamente sedimentado no imaginário lamecense, de uma cidade que já foi verde e que agora é, cada vez mais, da cor obscenamente cinzenta de um mar de granito sem beleza nem utilidade; que investe num Pavilhão Multiusos sem quaisquer estudos prévios de viabilidade e sustentabilidade económica, como obriga a lei; que persegue pessoas por pensarem de forma diferente da dele, à maneira e ao jeito dos que não sabem o que é a verdadeira democracia…
 
Todos aceitamos, claro, que a jovem vote em quem muito bem entender, pelas razões que muito bem entender também, até pelo facto do seu gosto pessoal sustentar que o referido candidato é sexy. E contra essa perceção tão intimista… nada se pode dizer ou contraditar. Esse é um dos atributos que, certamente, poderão ser decisivos para uma boa e sã gestão dos dinheiros públicos, segundo a perceção intelectual de alguns, esta jovem incluída. Está no seu pleno direito!
 
Só não percebo, na minha modesta opinião, como é possível que um Município que tem feito história no que de pior se pode fazer em termos de gestão autárquica, nunca tenha merecido a atenção da comunicação social nacional, e apenas porque uma jovem aparece num vídeo a afirmar que a sua “primeira vez” vai ser com o voto no candidato responsável por tantas enormidades e irresponsabilidades gestionárias, já merece cobertura jornalística nacional…
 
Continuando o essencial a ser, pura e simplesmente, omitido perante a opinião pública portuguesa. Como convém, aliás…
Agostinho Ribeiro

Nota - Agora apareceu a parte 2, tipo opção em masculino juvenil, em frustrada tentativa de disfarçar a boçalidade da versão inicial, substituindo aqui o termo "pessoa sexy" pelo termo "pessoa culta", certamente para tentar evitar uma conotação excessiva com a homossexualidade (a originalidade criativa tem limites, e isto da homossexualidade ainda é um bocado pesado para as mentes dos parolos lamecenses, né?) com risinhos esforçados (e forçados) agora do jovem, e entre gestos também eles supostamente muito avant-garde para dar aquela ideia de que a coisa, afinal, não passa de uma brincadeirinha muito original, a tombar para o inocente... nos dois lados do género humano. Certamente no pressuposto de que as lamecenses e os lamecenses são todos uma cambada de imbecis que não percebem o alcance de tanta criatividade luminosa.

Está exatamente de acordo e em linha com o perfil do candidato - quando comete (ou permite que se cometa) um erro indesculpável, é incapaz de ser suficientemente humilde para o reconhecer e, em vez de o ultrapassar pedindo simplesmente desculpas públicas, e pondo um ponto final no problema, insiste na asneira de o repetir até à sua expressão mais ridícula, parva e insultuosa que só a imaginação descontrolada de alguém pode e sabe produzir.

Agostinho Ribeiro

domingo, 4 de novembro de 2012

A graçola de uma mente corrupta.




Pessoa amiga trouxe ao meu conhecimento, indignada, uma pretensa graçola congeminada contra mim, e escrita num jornal local. Sem assinatura, claro, como seria de esperar...

Se a pretensa graçola não passa disso mesmo, ou seja, de uma insignificância de quem não consegue ter mais nada de substancial para me atacar a não ser escrever uma baboseira sem sentido, apenas para tentar denegrir a minha pessoa, já o seu significado mais profundo deve ser dissecado com um pouco mais de detalhe, porque nos ajuda a perceber com alguma precisão, o tipo de mente que está por trás do “escrito”.

Senão vejamos: quem escreve a graçola pretende confundir as pessoas dando a entender que Agostinho Ribeiro se poderia, hipoteticamente, queixar de “perseguição” ???, pelo facto do "camarada" do mesmo partido e/ou ideologia política, Eng. Braga da Cruz, Presidente da Fundação de Serralves, o não ter chamado para dirigir artisticamente a Fundação a que preside, em vez de contratar a senhora que contratou... A mente sabuja que congeminou uma hipotética situação destas merecia uma espécie de óscar da porcaria, pela evidente falta de higiene mental que a caracteriza.

Vá-se lá saber porque razão alguém se queixaria de “perseguição” por causa de uma coisa que nunca esteve no seu horizonte, nem nunca fez parte dos seus planos de vida, nem isso se enquadra no âmbito das suas competências e saberes técnicos e profissionais, mas isso não interessa nada, porque o que ali está escrito tem mais a ver com a vontade mal disfarçada de dizer alguma baboseira contra a minha pessoa, por mais idiota que seja, do que outra coisa qualquer.

Já no que respeita ao hipotético facto em si, o de um "camarada" não ter ido buscar outro "camarada", seja lá qual for o tipo de “camaradagem” a que o autor se refere, representa uma situação que, como se vê facilmente, traduz uma atitude de quem está habituado ao favorecimento e ao compadrio, atitude essa que só pode ser congeminada por quem tem mente de corrupto, e não outra mais que isso.
O Eng. Braga da Cruz não “foi buscar” nenhum amigo nem nenhum camarada pela simples razão de ser uma pessoa de bem, honrada e honesta, ao contrário da mente insana que produziu a “graçola”, e que certamente estará habituado a viver à custa dos outros, dos favores de algum compadre ou comadre, porque só uma mente assim moralmente degradada sabe produzir tão bem uma graçola de tão mau gosto como esta...

Por isso mesmo, por serem pessoas de bem, os administradores da Fundação de Serralves decidiram abrir um concurso público internacional, tendo concorrido quem se achava em condições de o poder fazer, por entenderem que tinham competências na área da gestão cultural relacionada com a arte contemporânea. Arte contemporânea que, em termos de gestão e como se sabe, à excepção dos burros e dos idiotas que disso não percebem nada, é um pouco diferente da gestão de entidades ligadas à arte antiga...

Portanto, esta suposta graçola que me dá alguma visibilidade, traduz uma mentalidade de um autor que não passa de um banal corrupto, certamente habituado a viver à custa dos favores dos outros, colocado seja onde for por compadrio ou “amiguismo”, mas não por competências técnicas e profissionais que lhe confiram mérito adequado para a sua actividade, a não ser, claro está, que seja um daqueles parasitas que ocupam um cargo de nomeação política, apostado em “gozar” com a pessoa de Agostinho Ribeiro, para ajudar um pouco mais à tentativa de destruição da sua imagem... Tentativa, apenas, e não mais que isso.

Agradeço-lhe o facto de se preocupar comigo, porque isso significa que o estou a incomodar, e quando eu consigo incomodar mentes que são, intrinsecamente, corruptas, isso é para mim muito bom sinal, porque me dá uma clara percepção do acertado caminho que estou a trilhar!

Agostinho Ribeiro

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Obrigado pelo convite... mas declino!





Acabei de receber um extraordinário convite, assinado pelo senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego e pelo senhor Presidente da Assembleia Municipal de Lamego para que me associe “à homenagem pública que no próximo dia 5 de Outubro – Dia da Implantação da República – será dedicada aos antigos presidentes destes órgãos autárquicos, que exerceram funções desde 1910”.
E o convite continua: “Na qualidade de familiar de uma das personalidades homenageadas, muito honraria o Município de Lamego a presença de V. Ex.ª e da família no programa de comemorações que visa reconhecer o trabalho desenvolvido por estes autarcas”.

Para além do caricato do convite, em que, por acaso, o meu “familiar de uma das personalidades homenageadas” sou eu próprio, por ter sido, esporadicamente, Presidente da Câmara Municipal de Lamego nos idos de 1989 (o que dá bem conta da forma propositadamente impessoal com que pretendem “homenagear os autarcas lamecenses”, no que à minha pessoas diz respeito), sobreleva o facto de estarmos perante um fingimento na forma tentada, que em nada prestigia a República, como a seguir tentarei explanar...

Isto porque o que mais me impressiona, é que o senhor Presidente da Assembleia Municipal de Lamego assine este convite, que também me é endereçado, depois de ter, há bem pouco tempo e em sede da própria Assembleia Municipal, feito aprovar (pasme-se), uma moção de censura contra a minha pessoa, em nome da coligação PSD/CDS-PP, assumindo vergonhosamente um acto eticamente reprovável e politicamente descabido em qualquer país democrático do MUNDO, ao personalizar um ataque feroz a um autarca eleito democraticamente, pelo simples facto de este ter manifestado a sua opinião crítica sobre um assunto, e procedimentos institucionais menos probos com ele relacionados, de relevância local e regional, em termos públicos...

Como impressiona também que seja o senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego a endereçar-me tal convite, depois de ter intentado já três processos judiciais contra a minha pessoa, por supostos crimes de difamação (até agora com resultados de arquivação e absolvição), em tentativas continuadas de vergonhosa instrumentalização política da Justiça, quando todos sabemos que apenas tenho afirmado, no campo da batalha e do contraditório políticos, verdades límpidas e transparentes, para além de devidamente comprovadas, sobre actos reprováveis de gestão  municipal, que o mesmo é dizer, da res pública...

Actos desta natureza, pela inoportunidade temporal, num tempo em que a esmagadora maioria dos portugueses, e também dos lamecenses, necessitam de ver os seus políticos preocupados com assuntos bem mais sérios e graves que cerimónias de homenagem a quem apenas cumpriu, em cada momento, o seu dever de cidadania e, sobretudo, pela enorme desfaçatez política que demonstram possuir os seus subscritores, tentando com este acto, talvez, um branqueamento solene e público sobre tudo o que está a acontecer em Lamego, só pode merecer uma atitude e uma resposta da minha parte – não!

Não estarei presente em tal cerimónia, que para mim me soa a um hino de suprema hipocrisia.
Considero que ser homenageado por pessoas que têm demonstrado profundo desprezo pelos valores fundamentais de um Estado Democrático e de Direito, comprovadamente exercido sobre a minha pessoa, onde a expressão da livre opinião, responsável e fundamentada, constitui pedra basilar da sua própria existência, só pode merecer o nosso distanciamento e recusa ...!

Não podemos desrespeitar os outros, em concreto e num determinado momento, porque serve os nossos desígnios políticos, e a seguir fazermos de conta que somos pessoas abstractamente respeitadoras dos outros, quando nos convém e dá jeito.
Ou vice versa porque, nestes casos, a ordem dos factores é arbitrária.

Agostinho Ribeiro

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Direcção do Museu de Lamego.






Informo todos os meus amigos que fui substituído administrativamente no exercício das funções de director do Museu de Lamego, cargo e função que ocupei ininterruptamente ao longo dos últimos vinte anos da minha carreira profissional, com honradez e probidade, e em resultado de concursos públicos (e nunca tachos políticos ou favores obscuros), concursos esses a que me submeti nos tempos e termos legalmente devidos e oportunos.

Consumou-se, assim, a retaliação e a vingança que de há algum tempo a esta parte pendia sobre a minha pessoa, por razões que são sobejamente conhecidas de todos e que me não merecem quaisquer comentários adicionais.

O Museu de Lamego vai passar agora a ser uma unidade orgânica flexível, deixando de ser dirigido por um director de serviços (direcção intermédia de 1º grau), não esclarecendo a lei se vai passar a ter uma direcção intermédia de 3º grau ou inferior ou se, pura e simplesmente, não vai sequer ter direcção.

É uma questão pessoal? Não! Não é!
É uma questão institucional, porque um serviço deve ser avaliado pelo seu valor intrínseco (neste caso o património museológico de valor nacional e internacional) e pela dignidade que é conferida ao serviço, em termos de direcção (e não de director).
Estão a tratar o Museu de Lamego muito abaixo da dignidade a que tem direito, em qualquer parte do MUNDO, aproveitando a ocasião para levarem a cabo as suas vinganças pequeninas e mais personalizadas, que ficarão na História como opróbrio de quem as pratica.
Tudo fiz para tentar evitar esta verdadeira desonra que agora recai sobre a nossa estrutura cultural, quase secular, de Lamego e de toda a região duriense...
Peço desculpa a todos por não ter conseguido.

Mas não será isto que me fará silenciar na denúncia de tudo o que acho ser incompatível com o Estado Democrático e de Direito em que vivemos, nem tão pouco de manifestar publicamente a minha opinião sobre o que concordo e o que não concordo da vida pública local, regional e nacional.

Bem hajam todos os que me apoiam e ajudam nesta ingrata tarefa de saber ouvir e ver, não ficando calado quando o que se vê e ouve não corresponde aos valores e princípios que defendemos, para todos, na sociedade em que vivemos...

“Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar...”
Sophia Andresen

Eu não ignoro!

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Insultos, calúnias e difamações…



O senhor Eng. Francisco Lopes acha-se no direito, pelo facto de desempenhar funções de Presidente da Câmara Municipal de Lamego, de pôr em causa a honradez e a dignidade profissionais da minha pessoa, por afirmações menos abonatórias que já proferiu em diversas ocasiões, em contexto de funções municipais, ou em momentos públicos com publicidade assegurada nos meios de comunicação social.
O Jornal do Douro também já o tentou fazer por diversas vezes, perdendo-se a conta aos “ditos” em que, semana após semana, de forma acintosa e verrinosa, foram ensaiando a destruição da minha imagem pública de museólogo e de pessoa honesta, no âmbito das minhas actividades profissionais.
Entre muitas desconsiderações de somenos importância, porque apenas demonstram fraqueza de espírito e ausência de sublimidade no exercício de funções públicas, por parte de quem as produziu, retenho com particular desagrado as graves afrontas que me foram feitas a propósito da Bienal da Prata e da Fundação do Museu do Douro, uma e outra iniciativas do maior interesse público para Lamego e para a região duriense, a merecerem comportamentos bem mais elevados que a baixa e mesquinha fórmula da atoarda vil, da ameaça estulta e do levantamento de suspeições menos lícitas, esses sim representando verdadeiros crimes de carácter, por nunca terem sido acompanhadas com a apresentação das exigíveis provas confirmadoras que atestassem a veracidade das afirmações produzidas.
Ou seja, insultar e difamar os outros parece ser um direito inalienável deste senhor, mas receber as críticas dos seus opositores já passa para a esfera dos insultos e das calúnias, como se os valores e os princípios que nos devem reger a todos apenas devessem ser aplicados a alguns, entenda-se, apenas a favor dos que são seus seguidores e apaniguados. Mas esta é uma atitude que, infelizmente, tem vindo a fazer escola por toda a nossa região…
Quem tiver a paciência de ler as considerações produzidas por este senhor sobre a minha pessoa, expressas em várias actas municipais e em citações escritas em jornais, até pode ser levado ao engano, se não tiver o cuidado de ler e interpretar devidamente tudo o que diz respeito aos assuntos abordados, porque a táctica é mesmo essa – induzir em erro os mais desatentos com o uso indevido e inapropriado de valores e princípios caros à maioria dos nossos concidadãos, pretendendo transformar a mentira subliminar numa pseudo verdade indecente, com o fito de que a mesma se estabeleça na cabeça dos mais desprevenidos como uma verdade irrefutável.
Até ao dia em que, sofrendo também eles na pele o resultado de tão impudente comportamento, despertem para a verdade destas más intenções e passem a contribuir para a sua denúncia pública, como toda a gente de bem deve fazer, em todas e quaisquer circunstâncias, já que diz o povo, e com razão, que “tão ladrão é o que vai à horta, como o que fica à porta”.
E digo isto porque este senhor pretende fazer-se passar por vítima inocente da maledicência alheia, quando ele é, tão simplesmente, um dos seus promotores, qual lobo que veste a pele de cordeiro, balindo candidamente no seio de um rebanho onde estão alguns cordeiros verdadeiros mas onde também, e na maioria dos casos, se encontram outros tantos lobos e raposas, para nos ficarmos apenas por uma metáfora socialmente aceitável.
Insultos, calúnias e difamações… Pelos vistos, todos se queixam do mesmo. Pessoalmente, ao que já fui sujeito nestes últimos tempos, como nunca pensei ser em toda a minha vida, eu e amigos meus, e outras tantas pessoas sérias e honestas que, não sendo sequer minhas amigas, connosco partilham projectos comuns, algumas a serem mesmo prejudicadas profissionalmente por estes senhores, que se não poupam a esforços para destruir os seu adversários, com o objectivo absurdo de tentarem calar as vozes dissonantes que dão a alma e fazem o corpo desta forma de viver civilizada que se chama democracia.
Espero bem que Lamego não seja visto pelas autoridades policiais e judiciais deste país como uma espécie de enclave independente, incrustado no seio de Portugal, ou que seja considerado como um concelho com menos direitos de cidadania que Lisboa.
É que já se fizeram tantas denúncias públicas, já se levantaram tantas questões do foro legal, já nos questionamos sobre tantas situações duvidosas que fazem o dia-a-dia desta Câmara que começa a ser tempo de perguntar onde estão as autoridades judiciais, policiais e de inspecção deste país…
Nós temos cumprido os nossos deveres de cidadania. Os outros que cumpram também os seus deveres, para que se não pense que em Lamego as leis se confundem com privilégios de obscena impunidade… mas apenas para alguns!

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 22 de março de 2007

Verdade e mentira / Mentiras e verdades



Parece que há gente que se não dá muito bem com as verdades…
Acham que mentir contra os adversários, insultando-os e difamando-os, é um direito inalienável de cidadania que lhes assiste, diria mesmo um direito inquestionável, talvez até um dos maiores bens da democracia, mas ouvir as verdades ditas e escritas contra eles próprios, sobretudo porque tais verdades são duras e dolorosas, já constitui um atentado à dignidade e honorabilidade dos próprios, inadmissível de atender no quadro legal actualmente vigente em Portugal.
Disse bem, e vou repetir, para que não subsistam dúvidas nesta minha afirmação – há quem pense que insultar os outros, por via da mentira, é um direito que lhes assiste, mas serem desmascarados, com verdade, fundamentos, argumentação e provas explanadas nessas opiniões que se produzem, já é um atentado à pessoa humana, um acto difamatório, a exigir reparação junto das instâncias competentes.
Fico deveras abismado com o desplante destas pessoas, o seu descaramento inaudito, que os faz pensar que as regras da democracia, nomeadamente as que suportam a liberdade de expressão, apenas podem ser exercitadas por quem lhes é afecto, e não por quem deles discorda, pessoal, profissional, intelectual e politicamente falando... São os “tiques” ditatoriais de quem ainda não percebeu, e provavelmente nunca perceberá, que em democracia não há censura, que apenas as mentiras e as insinuações infundamentadas são difamatórias, e que nunca a verdade poderá ser amordaçada, nem tão-pouco subjugada à mentira.
Como todos já devem ter reparado, eu tento sempre fundamentar o teor das minhas afirmações e explicar devidamente porque razão considero os actos públicos de certas pessoas como não merecedores da minha concordância, alguns mesmo merecendo a minha mais viva reprovação. E tenho a verticalidade de o fazer abertamente, dizendo o que sei e penso em “voz” bem alta, para que não restem dúvidas sobre os destinatários das minhas considerações, nem se permitam erradas interpretações sobre as matérias que merecem a minha atenção.
Há quem não goste? Pois há… Paciência. Que não ajam da forma que agem, que não façam as asneiras que fazem, que não ponham eles em causa a honorabilidade e a respeitabilidade dos outros, para que o mesmo não lhes aconteça também. Sou dos que defendem o princípio que devemos respeitar para sermos respeitados, considerar para sermos considerados, compreender para sermos compreendidos.
Evidentemente que o inverso também é válido. Que ninguém me peça para respeitar quem me não respeita, considerar quem me não considera, compreender quem me não compreende…!
E, sobretudo, que ninguém pense que pode calar as vozes dissonantes com qualquer espécie ou tipo de ameaças, sejam elas quais forem… Esse tempo das ameaças e das atemorizações, seja por que via for, já lá vai e não voltará mais. Perder a noção da realidade das coisas, pensando provavelmente que por tanto afirmar a mentira ela se transformará em verdade, é coisa que já não passa pela cabeça de ninguém, a não ser por quem se julga superior aos outros, e que pensa que os outros são néscios ou mal-formados, ao ponto de não conseguirem perceber as verdadeiras intenções dos actos públicos que se praticam.
Para quem assim pensa, se é que alguém assim pensa, apenas posso dizer que se enganou redondamente. Enganou-se no destinatário e enganou-se na obtenção dos proveitos que julgaria obter com tais atitudes, porque se a opinião pode ter várias faces perante a verdade, a verdade não tem duas faces perante as opiniões que sobre ela podem recair.

Portanto, não deixarei de dizer as verdades, por muito que os outros as tentem transformar em “mentiras”, nem deixarei de desmascarar as mentiras por muito que os mesmos se esforcem em transformá-las em “verdades”.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

“O bajulador”



O bajulador é aquele tipo de pessoa que nunca olha a meios para atingir os seus insondáveis fins.
Especialista na exploração da vaidade humana, não se poupa a lisonjas excessivas para assim obter as benesses pessoais que, de outra forma, nunca conseguiria obter.
Todos nós conhecemos a espécie. Ela pulula em todos os sectores da actividade humana e não deve haver uma única pessoa neste mundo que não conheça, pelo menos, um triste exemplar deste calibre.
Desde que lhe interesse, ou seja, desde que uma determinada pessoa se encontre em situação de o poder alcandorar (normalmente de forma indevida e imerecida) a um patamar ou situação de maior visibilidade ou poder, bajouja servilmente o seu destinatário, na expectativa de obter a tão almejada benesse, e trabalha arduamente na lamechice ridícula do exagero e do excesso, sempre com o fito do emolumento injusto, do reconhecimento impróprio ou do favor despropositado.
Porque se fosse justo, próprio ou propositado, não precisava de recorrer à baboseira fácil, e as pessoas saberiam distinguir e reconhecer os méritos próprios de cada um.
O bajulador insinua-se no seio dos mais desprevenidos e desatentos, faz-se passar por amigo do peito, cria o ambiente adequado para fazer crer que sempre foi, é e será, fiel a quem lhe interessa no momento.
Os mais cuidadosos e ajuizados cedo se apercebem do logro que caracteriza este burlão, e logo se afastam de tão nefastos exemplares da natureza humana, e por isto é que verificamos que os bajuladores apenas têm palco e assistência, repetida e continuadamente, no seio dos vaidosos. A jactância destes não lhes permite perceber que apenas estão a ser alvo de encómios exagerados e falsos, e acarinham com a soberba desmedida que só a bazófia consegue produzir, este género de pessoas, convencidos que estão da justeza dos elogios repetidamente recebidos.
Para esta gente, emissores e receptores, aduladores e gabarolas, o mundo parece resumir-se ao umbigo de cada um, e tudo o que possa pôr em causa esta virtualidade egocêntrica, como se o mundo inteiro girasse, apenas e exclusivamente, em torno deles próprios, é ridicularizado e desprezado.
Mas o bajulador é, por natureza, traidor. Traidor aos princípios e valores que supostamente elogia nos efémeros destinatários; traidor às causas que, aparentemente, abraça, apenas por saber que os receptores são sensíveis a tais causas; traidor aos próprios destinatários que lisonjearam, logo que estes deixem de ser importantes ou necessários à obtenção do benefício procurado. É vê-lo a elogiar hoje e a desprezar amanhã; a atacar desmesuradamente agora e a gabar ridiculamente depois; a jurar fidelidade canina num momento e a atraiçoar o “melhor amigo” no momento seguinte.
Por esta razão, a mais das vezes perde a noção das realidades, mergulha no mundo da irrealidade que construiu e um dia dará conta que está sozinho na sabujice servil e na futilidade vã que construiu e que o caracteriza e identifica. Pior que tudo, para ele próprio, é que olhará então à sua volta e não encontrará nenhuma mão verdadeiramente amiga na disposição de o ajudar.
É esta a triste sina do bajulador, que não se sabe circunscrever à sua própria dimensão, e projecta na vaidade dos outros as suas próprias ânsias e desejos de protagonismo fácil, sem qualquer base ou mérito que o possa justificar.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Os bajuladores



Os bajuladores são aquele tipo de pessoas que nunca olham a meios para atingir os seus insondáveis fins.
Especialistas na exploração da vaidade humana, não se poupam a lisonjas excessivas para assim obterem as benesses pessoais que, de outra forma, nunca conseguiriam obter.
Todos nós conhecemos a espécie. Ela pulula em todos os sectores da actividade humana e não deve haver uma única pessoa neste mundo que não conheça, pelo menos, um triste exemplar deste calibre.
Desde que lhes interesse, ou seja, desde que uma determinada pessoa se encontre em situação de os poderem alcandorar (normalmente de forma indevida e imerecida) a um patamar ou situação de maior visibilidade ou poder, bajoujam servilmente o seu destinatário, na expectativa de obterem a tão almejada benesse, e trabalham arduamente na lamechice ridícula do exagero e do excesso, sempre com o fito do emolumento injusto, do reconhecimento impróprio ou do favor despropositado.
Porque se fosse justo, próprio ou propositado, não precisavam de recorrer à baboseira fácil, e as pessoas saberiam distinguir e reconhecer os méritos próprios de cada um.
Os bajuladores insinuam-se no seio dos mais desprevenidos e desatentos, fazem-se passar por amigos do peito, criam o ambiente adequado para fazerem crer que sempre foram, são e serão, fiéis a quem lhes interessa no momento.
Os mais cuidadosos e ajuizados cedo se apercebem do logro que caracteriza estes burlões, e logo se afastam de tão nefastos exemplares da natureza humana, e por isto é que verificamos que os bajuladores apenas têm palco e assistência, repetida e continuadamente, no seio dos vaidosos. A jactância destes não lhes permite perceber que apenas estão a ser alvo de encómios exagerados e falsos, e acarinham com a soberba desmedida que só a bazófia consegue produzir, este género de pessoas, convencidos que estão da justeza dos elogios repetidamente recebidos.
Para esta gente, emissores e receptores, aduladores e gabarolas, o mundo parece resumir-se ao umbigo de cada um, e tudo o que possa pôr em causa esta virtualidade egocêntrica, como se o mundo inteiro girasse, apenas e exclusivamente, em torno deles próprios, é ridicularizado e desprezado.
Mas os bajuladores são, por natureza, traidores. Traidores aos princípios e valores que supostamente elogiam nos efémeros destinatários; traidores às causas que, aparentemente, abraçam, apenas por saberem que os receptores são sensíveis a tais causas; traidores aos próprios destinatários que lisonjearam, logo que estes deixem de ser importantes ou necessários à obtenção do benefício procurado. É vê-los a elogiar hoje e a desprezar amanhã; a atacar desmesuradamente agora e a gabar ridiculamente depois; a jurar fidelidade canina num momento e a atraiçoar o “melhor amigo” no momento seguinte.
Por esta razão, a mais das vezes perdem a noção das realidades, mergulham no mundo da irrealidade que construíram e um dia darão conta que estão sozinhos na sabujice servil e na futilidade vã que construíram e que os caracteriza e identifica. Pior que tudo, para eles próprios, é que olharão então à sua volta e não encontrarão nenhuma mão verdadeiramente amiga na disposição de os ajudar.
É esta a triste sina dos bajuladores profissionais, que não se sabem circunscrever à sua própria dimensão, e projectam na vaidade dos outros as suas próprias ânsias e desejos de protagonismo fácil, sem qualquer base ou mérito que o possa justificar.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Questões de carácter.



A natureza humana é ampla e diversa na tipologia dos seres que a compõem, sendo certo que esta amplitude e diversidade constitui, precisamente, a sua maior riqueza. Pobres de nós, seres humanos, se todos fôssemos iguais, pensássemos da mesma maneira, partilhássemos os mesmos gostos, tivéssemos os mesmos comportamentos e a mesma forma de ser e estar na vida…
Que pobreza e monotonia seria esta vida, se assim fosse!
O carácter de cada um de nós é uma marca impressiva que nos identifica pessoalmente e, por isso mesmo, nos diferencia de todos os outros. É a marca da individualidade que, na matriz global da humanidade, nos permite distinguir cada um dos seres humanos que a compõem. É o cunho especial e distintivo que nos concede a possibilidade de diferenciar as pessoas e discernir entre “este” e “aquele”, nas suas virtudes e qualidades, nos seus vícios e defeitos…
Mas a noção que temos do carácter de cada indivíduo não é uma questão meramente física, no sentido material e formal do termo – o carácter que percebemos em cada ser humano traduz também impressões, sentimentos, feitios, e a percepção da índole e do temperamento de dada pessoa, sendo que todos estes atributos concorrem para a formulação da “ideia” que temos sobre essa mesma pessoa, com quem temos de conviver e de nos relacionar.
Um outro elemento a considerar, nas questões de carácter, é a possibilidade das pessoas mudarem de ideias, ou seja, pensarem de forma diferente do que sempre pensaram, a partir de uma reflexão séria que porventura tiveram, levando a admitir como válida uma ideia ou um acto que anteriormente se reprovava vivamente, que se utilizava como arma de arremesso contra os seus antagonistas, ou simplesmente se considerava irrelevante.
É uma virtude esta possibilidade de mudarmos, quando ela se baseia, genuinamente, em argumentos de sã e honesta elaboração mental, constituindo fundamentos que validam a mudança das ideias que temos sobre esta ou aquela matéria.
E quando verificamos que aquilo que defendíamos, convictos das nossas razões, passa a ser também defendido por quem, vigorosa e injustamente, o atacava sem avaliação nem tino, apenas porque somos adversários políticos (e não só), então apenas nos devemos congratular pela mudança operada, já que estamos perante uma admissão de um erro, em más e continuadas horas cometido.
Mas deve ser pura e genuína, esta mudança. Se não for, passa de imediato para o campo da hipocrisia, ou seja, para o campo da impostura e do fingimento, porque apenas tem como fito a transmissão de uma aparência (mentirosa) e não de uma realidade (verdadeira). Para ser pura, verdadeira e genuína, as mudanças operadas devem respeitar, e integrar, os que sempre foram defensores e responsáveis dessas ideias ou projectos, e não provocar o ostracismo, ignorando petulantemente as pessoas e as entidades que sempre estiveram a favor dessa ideia ou projecto.
Neste caso, ignorar as pessoas é falta de educação e dos princípios mais básicos que nos distinguem dos restantes animais, e ignorar as instituições é desconsiderar o colectivo que as entidades representam e, por via disso, não ser merecedor da própria entidade que deveria saber servir.
E por tudo isto que acabei de referir, quem não sabe distinguir estas diferenças de carácter, que nos ajudam a destrinçar o que é bom do que é mau, medindo tudo pela mesma rasa, e fazendo de conta que estas questões são irrelevantes para a boa condução das coisas públicas, também não merece a nossa consideração, porque imerge no mesmo erro das artes do fingimento…

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Corrupção...



Do latim corruptione, que quer dizer podridão, decomposição, putrefacção. Em sentido figurativo, significa devassidão, adulteração, suborno, prevaricação.

Parece que vamos ter, em Portugal, uma verdadeira guerra contra a corrupção, para ver se assim evitamos cair ainda mais no mais baixo dos níveis em que uma sociedade pode cair – o da corrupção generalizada, onde o Estado Democrático e de Direito cede lugar à mais ímpia das sociedades, pelos efeitos perversos que cria junto de todos os seus membros.
A corrupção é ilegal, mas se as ilegalidades não forem inspeccionadas e sancionadas, de nada valerão as leis que pomposamente a impedem.
A corrupção é imoral, mas se a sociedade encolher os ombros, não denunciando estas imoralidades, ela transforma-se num verdadeiro tumor impossível de extirpar.
A corrupção é injusta, porque ao privilegiar ilicitamente uns poucos, está-nos a prejudicar a todos, sem excepção.
Os corruptos, sejam eles passivos ou activos, existem em todos os sectores da sociedade e não podemos generalizar este reles atributo a nenhuma profissão ou sector da actividade humana em especial, fazendo crer que a mesma é pródiga nesta matéria. E custa-me, particularmente, assistir à verbalização fácil, a propósito da classe política, com frases do género “são todos uns ladrões”, “são todos iguais”, “são todos corruptos”.
Porque, na verdade, não são. Porque acredito que a maioria o não é, sem ter qualquer dúvida de que muitos o serão.
Esta opinião generalizada apenas se pode contrariar com algumas atitudes bem claras e definidas:
- Em primeiro lugar dando luta sem tréguas à corrupção, por via das nossas estruturas policiais e judiciais, para que se não assista ao desmotivador encolher de ombros, como se nada se estivesse a passar, quando todos vêem, e muitos denunciam indícios e práticas concretas de corrupção;
- Em segundo lugar, não deixando impune quaisquer actos de corrupção, por via da utilização de meios dilatórios que a nossa Justiça infelizmente vai admitindo, impedindo assim a justa pena a quem prevarica.
- Em terceiro lugar fazendo de todas as pessoas cidadãos intervenientes e activos na denúncia dos actos de corrupção, mesmo que apenas na forma tentada, para envergonhar os potenciais corruptores ou corrompidos e, assim, os marcar com o estigma da desonra pública.

Não se trata de ser delator. Trata-se de ser cidadão no exercício pleno desse direito inalienável de cidadania, porque um corrupto não pode merecer qualquer tipo de condescendência ou comiseração, já que destrói os alicerces de uma sociedade onde os direitos e os deveres de todos não podem nem devem ser substituidos pelos privilégios impróprios de alguns.

Em boa hora o Senhor Presidente da República e o Senhor Primeiro Ministro de Portugal decidiram abrir uma guerra sem tréguas contra a corrupção.
E quando estes dois altos Magistrados da Nação se unem na procura de soluções para resolver este tão grave problema nacional, eu apenas me curvo perante a grandiosidade do objectivo, aplaudo a oportunidade do tratamento da questão e subscrevo a premente necessidade de lhe fazer frente.
Esta nobre atitude faz-me acreditar que em Portugal ainda há razões para não perdermos a fé num futuro melhor.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Algumas notas avulsas



Regressado a Lamego, após duas semanas de férias, sou confrontado com as mesmíssimas insinuações à minha pessoa, a raiar o insulto baixo e a demonstrar uma congénita falta de educação, por parte de quem insiste em pensar que eu serei da mesma natureza deles, dos que, porfiadamente, não olham a meios para atingir os tão almejados fins de denegrir a imagem dos outros, só porque se atrevem a pensar e a agir de maneira diferente.
Cada um tem os adversários que merece, mas eu confesso que estava convencido que merecia mais que este triste espectáculo de ser o alvo sistemático e preferido da coluna de um jornal cujo director acabou, há bem pouco tempo, de ser condenado judicialmente por crimes de difamação. Adiante... O tempo o dirá, e eu não me calarei na defesa da minha honra, quando para isso tiver que usar de todas as prerrogativas que o Estado Democrático e de Direito me confere, não deixando então de as exercitar até às últimas consequências.
Até lá, reitero a manutenção de um prudente silêncio para não prejudicar os interesses mais elevados de Lamego, sem nunca me vergar perante quem tem a plena consciência do que insinua e, consequentemente, dos resultados que daí podem advir.
Se a política fosse mais nobre, em Lamego, e alguns dos meus adversários (felizmente que nem todos assim são) fossem dotados de uma maior dignidade e decoro na forma de agir e de dizer as coisas, e talvez estivéssemos todos a discutir ideias e projectos de interesse superior para a nossa terra, como tenho tentado fazer nos meus artigos de opinião, e não andar enredado nas tramas que estes senhores vão urdindo, com os objectivos já bem conhecidos de todos nós, mas com as consequências judiciais também já conhecidas.
Estes senhores devem mesmo andar a necessitar de maior protagonismo ou, no minimo, a tentar obter maior visibilidade à custa dos outros, entenda-se, dos que têm dedicado uma vida inteira de trabalho honesto à causa pública, na maioria dos casos dispendendo recursos dos seus próprios bolsos, e que, em vez de serem minimamente reconhecidos, são vilipendiados por quem, de curriculo passado em defesa e em prol de Lamego, nos oferecem uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.

Costuma-se dizer que os actos ficam com quem os praticam, mas os actos que ferem a dignidade e a seriedade dos outros não podem, nem devem, morrer no esquecimento das pessoas de bem.
Da minha parte podem ter a certeza que o farei sem desfalecimentos, como jamais deixarei de tudo fazer para que os interesses colectivos se sobreponham, sempre, aos torpes interesses de algum, ou alguns que, a coberto de umas quaisquer vitórias eleitorais, se arvorem no direito de tentar espezinhar os adversários, de insinuar desmandos não provados, de vilipendiar tudo e todos, como se essa cobertura os transformasse em cidadãos com o privilégio de poderem viver ao arrepio e acima da lei, desrespeitando quem ousa opor-se às suas duvidosas aspirações.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Por uma cultura da responsabilidade



Um dos problemas mais graves com que este país se debate, e que contribui de forma decisiva para o baixo nível dos nossos índices de desenvolvimento e qualidade de vida, tem a ver com o culto massificado da irresponsabilidade.
Ora, um país onde dificilmente se encontram bons exemplos de assunção plena das suas responsabilidades, tanto no plano geral das profissões exercidas (especialmente no sector público, pelas obrigações de serviço que lhe são inerentes), como na forma permanente com que tendemos a “desculpar” os actos de desresponsabilização, dificilmente pode ter pretensões à obtenção de elevados níveis de produtividade, prestação de serviços qualificada e, em resultado disto mesmo, na obtenção dos tão almejados índices de desenvolvimento e qualidade de vida por que todos ansiamos.
A verdade é que aspiramos por estes padrões, mas pouco ou nada fazemos, nos nossos contributos pessoais, para que tal aconteça.
Senão vejamos… Quantos de nós já se sentiu injustiçado, a propósito de um qualquer atendimento menos educado, seja num serviço público, seja numa empresa privada de porta aberta ao público, e engoliu em seco, não cuidando de proceder à justa reclamação a que tem direito?
Quantos de nós já pensou em qualquer coisa do género “coitado, faz pela vida como os outros o fariam se estivessem na mesma posição”, a propósito do conhecimento de actos menos probos, desculpando o indesculpável, abrindo assim a porta à permissividade completa, perante abusos e desvios do que deve ser a conduta normal das pessoas, em vez de as denunciar publicamente ou nas instâncias de direito?
Quantos de nós, encolhendo os ombros, já pensou que “afinal de contas, são todos iguais…” esquecendo que ao assim pensar também se está a incluir nesse grupo dos tais “iguais” que, supostamente, critica, ao invés de se esforçar por discernir os que são diferentes, penalizando os prevaricadores e premiando os virtuosos?
E as perguntas poderiam continuar por aí fora, sem parar, num verdadeiro manancial de atitudes e comportamentos de algum laxismo que nos fazem cúmplices desta generalizada sensação de irresponsabilidade na sociedade em que vivemos.
Mas a questão é que a irresponsabilidade é irmã gémea da incompetência, e esta é geradora da prestação de maus serviços, propiciadora da indiferença e da omissão, e favorecedora do comodismo fácil, fazendo baixar a fasquia da qualidade e da excelência para níveis incompatíveis de um país que se quer moderno, europeu e parceiro igualitário dos mais ricos e desenvolvidos do mundo.
Para não falarmos, evidentemente, da corrupção generalizada, que é a parente mais próxima da irresponsabilidade, já que, num universo de generalizada falta de responsabilidade, em que ninguém assume as consequências dos seus (maus) actos, o poder da sedução de benesses e do enriquecimento fácil encontra um campo propício ao seu florescimento, precisamente pela sensação de impunidade que se gera em seu torno.
Nada disto seria relevante para a causa pública se não tivesse, precisamente, um resultado altamente prejudicial para todos nós. É que um mau serviço, incompetente e corrupto, seguramente irresponsável, não só beneficia injustamente alguns, como prejudica objectivamente todos os cidadãos, penalizando os que deveriam usufruir dos seus serviços, numa situação de igualdade e paridade de tratamento.
É, pois, uma obrigação de cidadania denunciar todos os casos de irresponsabilidade pública, obrigar as respectivas instâncias de direito a exercer as suas funções de fiscalização e avaliação de desempenho; apuramento de responsabilidades aos prevaricadores; e aplicação das sanções legais aos que não cumprem as regras estabelecidas.
Porque só assim estaremos a ser verdadeiros promotores de uma cultura da responsabilidade.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Questões de ética e de moralidade



Cada vez me convenço mais que as pessoas mal-formadas têm por hábito colocar nos outros os seus próprios defeitos. Se são ladrões, têm tendência para considerar que todos os outros também o são. Se são trafulhas, nada de problemas de consciência porque todos os outros são trafulhas também. Se não cumprem as suas obrigações profissionais, de serviço público ou de obrigações fiscais, nem pensar em crises de consciência, porque têm sempre a desculpa de que não serão os únicos nessa situação… E assim por diante.
Esquecem-se apenas de um pequeno detalhe – é que efectivamente nem todos são como eles e, portanto, não agem nem pensam segundo os padrões de vilania que lhes são próprios, da baixeza de intenções que os caracteriza e na permanente falta de princípios éticos e morais que os norteia em todos os actos que praticam. De facto, nem se apercebem que este mundo não é composto apenas por gente do seu próprio calibre…
É triste vê-los em alarves exibições de pretensiosismo moralizador, tantas vezes com a complacência de gente verdadeiramente boa, mas seguramente enganada, que lhes transmitem o à vontade de poderem fazer e dizer tudo o que lhes vem à cabeça, sem recear responsabilidades pelos actos de verdadeira má-fé que vão cometendo contra os seus eventuais e incómodos adversários.
Ética, para estes senhores, é uma palavra sem qualquer sentido útil. Moral é uma “coisa” esquisita que alguém inventou apenas para os contrariar nas suas mais torpes e vis intenções de prejudicarem os outros, para seu próprio benefício.
É claro que tudo isto só é possível num país onde a Justiça, quando solicitada a intervir, tarda em se fazer cumprir, gerando a sensação de impunidade completa a quem não tem nenhum pudor em insultar outrem, mas nunca deixando o direito a ser ressarcido, de imediato, a quem é injustamente insultado. É nesta base, e com o conhecimento claro desta realidade, que os prevaricadores se movimentam, aproveitando as fragilidades de um sistema que se coloca a jeito de tais facilidades prevaricadoras…
E é assim que se instala a confusão entre o público e o privado, perante a passividade de todos, sobretudo dos que têm a obrigação de zelar pela salvaguarda do Estado de Direito, que ainda somos, admitindo-se com toda a ligeireza o uso abusivo dos bens públicos para benefício privado, tentando dar a ideia, aos mais desprevenidos, que a coisa pública é, afinal, coisa própria, e que o seu uso ilegítimo não passa de um direito particular para quem desempenha um cargo público.
Mas a verdade legal não é essa, constituindo grave atropelo, não só às Leis da República, mas também à ética profissional que nos deve nortear; e o dever moral também o não é, resultando na maior das injustiças que pode haver numa sociedade moderna, de valores e princípios normativos de conduta colectiva – a de nos permitir adivinhar que nem todos os cidadãos são iguais perante todos e perante a Lei!
Percebo que as pessoas mal-formadas coloquem deliberadamente nos outros os defeitos que lhe são próprios. Afinal, por alguma razão serão isso mesmo, mal-formadas, no sentido, evidentemente, intelectual e comportamental do termo.
É como um cão (que me desculpe este nobre animal, tão amigo do homem) que, se por acaso pensasse, pensaria que um ser humano, ao expor as suas ideias ou ao manifestar as suas opiniões legítimas estivesse apenas, e tão-somente, a ladrar…

Agostinho Ribeiro