quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Algumas notas avulsas



Regressado a Lamego, após duas semanas de férias, sou confrontado com as mesmíssimas insinuações à minha pessoa, a raiar o insulto baixo e a demonstrar uma congénita falta de educação, por parte de quem insiste em pensar que eu serei da mesma natureza deles, dos que, porfiadamente, não olham a meios para atingir os tão almejados fins de denegrir a imagem dos outros, só porque se atrevem a pensar e a agir de maneira diferente.
Cada um tem os adversários que merece, mas eu confesso que estava convencido que merecia mais que este triste espectáculo de ser o alvo sistemático e preferido da coluna de um jornal cujo director acabou, há bem pouco tempo, de ser condenado judicialmente por crimes de difamação. Adiante... O tempo o dirá, e eu não me calarei na defesa da minha honra, quando para isso tiver que usar de todas as prerrogativas que o Estado Democrático e de Direito me confere, não deixando então de as exercitar até às últimas consequências.
Até lá, reitero a manutenção de um prudente silêncio para não prejudicar os interesses mais elevados de Lamego, sem nunca me vergar perante quem tem a plena consciência do que insinua e, consequentemente, dos resultados que daí podem advir.
Se a política fosse mais nobre, em Lamego, e alguns dos meus adversários (felizmente que nem todos assim são) fossem dotados de uma maior dignidade e decoro na forma de agir e de dizer as coisas, e talvez estivéssemos todos a discutir ideias e projectos de interesse superior para a nossa terra, como tenho tentado fazer nos meus artigos de opinião, e não andar enredado nas tramas que estes senhores vão urdindo, com os objectivos já bem conhecidos de todos nós, mas com as consequências judiciais também já conhecidas.
Estes senhores devem mesmo andar a necessitar de maior protagonismo ou, no minimo, a tentar obter maior visibilidade à custa dos outros, entenda-se, dos que têm dedicado uma vida inteira de trabalho honesto à causa pública, na maioria dos casos dispendendo recursos dos seus próprios bolsos, e que, em vez de serem minimamente reconhecidos, são vilipendiados por quem, de curriculo passado em defesa e em prol de Lamego, nos oferecem uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.

Costuma-se dizer que os actos ficam com quem os praticam, mas os actos que ferem a dignidade e a seriedade dos outros não podem, nem devem, morrer no esquecimento das pessoas de bem.
Da minha parte podem ter a certeza que o farei sem desfalecimentos, como jamais deixarei de tudo fazer para que os interesses colectivos se sobreponham, sempre, aos torpes interesses de algum, ou alguns que, a coberto de umas quaisquer vitórias eleitorais, se arvorem no direito de tentar espezinhar os adversários, de insinuar desmandos não provados, de vilipendiar tudo e todos, como se essa cobertura os transformasse em cidadãos com o privilégio de poderem viver ao arrepio e acima da lei, desrespeitando quem ousa opor-se às suas duvidosas aspirações.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

O Museu da Região do Douro



É com indisfarçável satisfação e orgulho que hoje pretendo partilhar algumas considerações sobre o andamento do processo deste Museu. Este é certamente, como todos sabemos muito bem, um dos mais aliciantes e promissores projectos que o Douro tem em construção e que vai resultar numa enorme mais-valia cultural e económica para todo o território que serve.
Somos defensores de uma postura que assume integralmente a ideia de que a modernidade se constrói hoje na base da cultura, do conhecimento e da informação, elementos insubstituíveis na formatação dos instrumentos que provocam o desenvolvimento, sobretudo nas zonas mais desprotegidas e carenciadas, como é, ainda e infelizmente, o nosso Douro.
Numa verdadeira corrida contra o tempo, contra algumas infelicidades de percurso e outras tantas incompreensões, temos vindo a conseguir cumprir integralmente os objectivos a que a Fundação do Museu do Douro se propôs, desde a sua criação, em Março do corrente ano, de forma a não se perder nenhum dos recursos financeiros que o actual quadro comunitário ainda nos disponibiliza, nomeadamente no que se refere ao apoio financeiro do POC (Programa Operacional da Cultura) ao projecto de Concepção/Construção do Edifício Sede da Fundação Museu do Douro, com o objectivo de adaptar a Casa da Companhia, no Peso da Régua, a estas novas e dignas funções.
Sendo um projecto ambicioso, com um custo estimado em cerca de cinco milhões de euros, só para a componente de obra civil, à qual se terá que dar a devida sequência em mobiliário e equipamento administrativo, de função e museográfico, (sem falar, obviamente, nos custos de funcionamento) este é também um projecto exequível nas suas diversas vertentes constitutivas, já que a Fundação do Museu do Douro se assume como uma entidade dinâmica e promotora de acções que visam colocar o Douro no centro das atenções (e de saudáveis discussões) públicas, capazes de proporcionar a captação de interesses e investimentos, públicos e privados, no território duriense.
É reconfortante verificar que, no momento em que escrevo estas linhas sobre o Museu da Região do Douro, já mais de quinze empresas solicitaram o respectivo processo de candidatura, o que nos permite augurar um bom resultado final, até pela qualidade e rigor conhecidos da maioria das empresas/arquitectos que entenderam analisar o processo com vista a uma eventual candidatura.
Este Museu, que se não esgota, evidentemente, nas quatro paredes da Casa da Companhia, antes se deve e vai projectar por todo o território duriense, tem vindo a construir, em paralelo, uma equipe técnica dotada das competências necessárias a um desempenho de excelência, de maneira a que possa cumprir, a muito curto prazo, os objectivos estratégicos a que se propôs no início da sua existência.
Terei um enorme prazer em trazer, de vez em quando, notícias sobre a natureza, missão e objectivos deste Museu, bem como das acções em que o mesmo se encontra envolvido, até para podermos aquilatar da qualidade dos projectos que a mesma desenvolve.
Neste brevíssimo e tão parcelar apontamento apenas vos quis transmitir a informação de que o Museu da Região do Douro tem vindo a cumprir, zelosamente, o calendário que estabeleceu, em resultado do esforço de uma equipa onde todos se respeitam, fazendo o melhor do que sabem e podem, colocando sempre o projecto acima dos seus interesses pessoais, numa dádiva e entrega de rara beleza e sentido de serviço público, que já se não encontra em muitos lados.
Desde os membros do Conselho de Administração, passando pela totalidade da Equipa Técnica que o constitui (Museu), até ao conjunto de Fundadores que a compõem (Fundação), todos são, sem excepção, elementos imprescindíveis à construção deste Museu que é, também, o retrato vivo e dinâmico do Douro e dos durienses.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Ainda a Bienal da Prata



 Darei hoje por concluída, da minha parte, quaisquer referências de natureza pública, política e pessoal, à questão relacionada com a Bienal da Prata.
É necessário que os aspectos mais relevantes relacionados com esta questão sejam analisados com algum detalhe, para que não subsistam dúvidas sobre as razões e os fundamentos que fazem mover o Senhor Presidente da Câmara contra a minha pessoa, e contra um dos eventos mais importantes e mediáticos que em Lamego alguma vez se produziu.
Na acta já referida por mim no anterior artigo, da reunião do executivo de 4 de Julho de 2006, o Senhor Presidente “exige que o senhor Dr. Agostinho Ribeiro proceda a um desmentido das suas afirmações ou não aceitará que este evento, que pretende hostilizar a Câmara Municipal e promover pessoal e politicamente os seus promotores, seja apoiado com dinheiros públicos”.
Vamos por partes… O Senhor Presidente quer que eu desminta uma coisa que ele próprio admite ter acontecido, o que não deixa de ser hilariante. O grave é que tenta escamotear e deturpar a verdade para conseguir alcançar o seu objectivo que é, nem mais nem menos, que o de tentar (mas só mesmo tentar porque não conseguirá atingir os seus deploráveis objectivos) denegrir a minha imagem pública.
Depois, em tom ostensivamente ameaçador, refere que não aceitará que este evento da Bienal da Prata seja apoiado com dinheiros públicos… Aqui é que as coisas começam a ficar seriamente complicadas, uma vez que esta atitude configura um pretenso abuso de poder, uma vez que pretende interferir em matéria que não é da sua competência, nem tão pouco se encontra sob a sua esfera de actuação.
Mas quem é o Senhor Presidente para se arvorar em defensor dos dinheiros públicos, que nem sequer são geridos por ele, quando os mesmos dinheiros e bens públicos que estão sob a sua alçada têm vindo a ser esbanjados e delapidados em viagens sem sentido, tanto dele, como de alguns senhores vereadores, mal aplicados em demasiadas situações, como em deslocações e remunerações de pessoal do seu próprio gabinete, de forma absolutamente ilegal, para já não falar do extraordinário sentido de responsabilidade, ou falta dele, de alguém que até deixa a viatura municipal ser roubada numa situação tão estranha e invulgar, que ainda teremos de ser melhor esclarecidos sobre tão anómalo acontecimento?
Afirma depois que o evento pretende hostilizar a Câmara Municipal e promover pessoal e politicamente os seus promotores. Extraordinária esta reflexão, sobretudo pelas consequências que daqui já adivinhamos para o futuro de Lamego. Um evento que pretende colocar Lamego no topo das referências culturais e artísticas, durante um determinado período de tempo é, para o Senhor Presidente, uma hostilização à sua pessoa.
Imagino o Senhor Presidente da Câmara do Porto a dizer que não queria lá a Casa da Música, porque isso era promover o Arquitecto Rem Koolhaas ou, aqui bem mais próximo, o Senhor Presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua vir agora dizer que não quer a sede do Museu do Douro na sua terra porque isso é apenas uma forma de promover o Prof. Gaspar Martins Pereira. Salvemos as respectivas e criteriosas distâncias mas deixem-me dizer que o princípio é o mesmo.
Ridículo, não é? Tão mesquinhamente ridículo que até nos obriga a pensar onde estará o sentido da elevação, do bom senso e da prudente contenção em alguém que, mais que ninguém, os deveria possuir e exercitar continuamente.
Será que vamos ter fogo de artifício nas próximas festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios, ou a promoção do pirotécnico responsável vai levar o Senhor Presidente da Câmara a não admitir que o mesmo aconteça, pela sombra mediática que, porventura, lhe fará?
Mas como as coisas são o que são e a Câmara Municipal de Lamego é sócia da Associação Bienal da Prata, embora o actual poder não tenha, até este momento, acarinhado este evento, não posso, nem quero, ser responsável pela não realização seja do que for, desde que tenha a certeza que o mesmo é bom para o prestígio e engrandecimento de Lamego.
Por esta razão, demiti-me já do cargo de director da Associação Bienal da Prata, por manifesta e total incompatibilidade pessoal, e de princípios, com o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego, de uma forma que já me é completamente incontornável e intransponível.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Bienal da Prata



Não estava, de todo, nos meus propósitos, tecer hoje quaisquer considerações sobre o evento “Bienal da Prata”.
Mas como o Senhor Prof. José António Santos me fez chegar às mãos, amavelmente, cópia da acta da reunião do executivo em que este assunto é abordado, por parte do Senhor Presidente da Câmara, fazendo-me ameaças intoleráveis e inadmissíveis, importa transmitir à opinião pública a verdade dos factos, nomeadamente no que se refere às minhas afirmações quando disse que a Câmara não acarinhava este evento.
Em primeiro lugar gostaria de expressar publicamente que, se o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego “refuta por completo as declarações proferidas pelo senhor Dr. Agostinho Ribeiro” conforme vem expresso nessa acta, ou está de completa e total má-fé nesta matéria ou, em última análise, está muito mal informado do que se terá passado. Uma e outra possibilidade não são, de qualquer forma, compatíveis com o exercício do cargo que possui.
Quanto a promoções pessoais e políticas, devo dizer ao senhor Presidente que nunca precisei, nem nunca utilizei sequer argumentos ou matérias profissionais para me promover. Não preciso. Não tenho necessidade de o fazer. Basta apreciar a quantidade extraordinária de notícias em torno da Bienal da Prata e verificar que o meu nome aparece em muito menos de 1% dessas notícias para perceber que, se alguém aqui anda equivocado, esse alguém é o senhor Presidente, mas não o signatário destas linhas.
Mas vamos aos factos. Em Novembro de 2005, a direcção da Associação Bienal da Prata solicitou ao novo Presidente da Câmara Municipal de Lamego uma reunião para apresentar cumprimentos da Associação, fazer o ponto da situação da mesma e apresentar o novo projecto a desenvolver no ano de 2006.
Como estou a escrever de memória, não sei precisar o dia em que os factos ocorreram, mas tenho bem presente que nos foi transmitida a data e hora em que seríamos recebidos pelo Senhor Presidente, tendo nós, Bienal da Prata, feito deslocar uma comitiva aos Paços do Concelho, para o efeito acima citado. Uma parte da equipa responsável pelo evento de 2006 estava em viagem, do Porto para Lamego, a fim de proceder à respectiva apresentação do projecto que se pretendia realizar.
Eu próprio fui o primeiro a chegar aos Paços do Concelho e qual não é o meu espanto quando sou recebido pelo Senhor Secretário, Prof. António Ferreira, que me apresentou as maiores desculpas, informando que o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego não se encontrava presente, por razões que se prendiam com uma deslocação urgente a Lisboa (se a memória não me falha) pelo que não poderíamos ser recebidos naquele dia.
Estranhei a total falta de consideração de que a Bienal da Prata foi alvo, uma vez que, havendo razões poderosas para anular a audiência, a mesma deveria ter sido comunicada com a devida antecedência, como mandam as regras da boa educação e do protocolo público, o que não se tinha verificado.
Telefonei à comitiva que se encontrava em viagem, já bem perto de Lamego, transmitindo-lhes o sucedido, tendo a mesma dado meia volta e regressado ao Porto, uma vez que a reunião não se iria realizar.
Tive, depois, oportunidade de explicar ao Senhor Secretário alguns aspectos importantes sobre a situação em que se encontrava a Associação Bienal da Prata e foi-me garantido, pelo mesmo Senhor Secretário, que o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego estava muito empenhado em ter uma reunião com a Bienal da Prata e que seríamos brevemente contactados para esse efeito.
Até hoje!
Ainda troquei, por uma ou duas vezes, impressões com o Senhor Secretário, a propósito de outros assuntos, em que se abordou o assunto da Bienal da Prata, e em que me foi transmitida a informação de que teríamos a tal reunião muito em breve.
Até hoje!
Passados que foram nove meses, sem que o Senhor Presidente da Câmara nos tivesse dirigido qualquer missiva, ou informação, ou mesmo a intenção de trocar impressões connosco, vem agora “exigir” que eu “proceda a um desmentido das minhas afirmações” sem o que procederá a um sem número de acções ameaçadoras sobre a minha pessoa e sobre a Associação Bienal da Prata. É preciso ter descaramento!
O Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego não sabe, de certeza absoluta, com quem está a falar. Porque se soubesse teria mais respeito pelas pessoas que sempre deram o seu melhor por esta terra, de forma desinteressada e voluntariosa. Mas não pode, nem deve, o Senhor Presidente, mentir descaradamente às pessoas, (e não é a primeira vez que o faz), fazendo-se passar por inocente num processo em que tem todas as responsabilidades, no mínimo, por omissão.
O cidadão Agostinho Ribeiro não lhe admite, nem a ele, nem a ninguém, quaisquer tipo de exigências ou ameaças, e muito menos as de baixo jaez, como as presentes, que tentam por em causa a dignidade pública e profissional de quem sempre pautou a sua acção pública de forma correcta e desinteressada.
Tenho 28 anos de actividade pública e profissional exemplar e não será, certamente, alguém a quem não reconheço quaisquer méritos na minha área de actividade, que porá em causa o meu prestígio profissional.
Não deixarei de voltar a este assunto e, já agora, a outros que me preocupam como cidadão lamecense, uma vez que muitas das suas atitudes como autarca têm colidido frontalmente com os meus direitos de cidadania.
Quem lhe exige um pedido de desculpas sou eu! Se o não fizer, serei eu a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que a opinião pública não fique enganada em relação ao seu carácter.

Agostinho Ribeiro

P.S.  – No meu último artigo referi-me à selecção nacional. Logo de seguida soube que a Federação Portuguesa de Futebol pediu isenção fiscal aos prémios dos jogadores. Que pobreza e que mediocridade. O miserabilismo lusitano logo haveria de se expressar na sua forma mais ignóbil – pedir isenções fiscais num momento em que todos temos a obrigação patriótica de contribuir positivamente para o “todo” nacional.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

O Campeonato do Mundo de Futebol



Terminou o campeonato do mundo de futebol e Portugal ficou-se por um mais que honroso quarto lugar.
É um verdadeiro motivo de orgulho para todos nós! Um país tão pequeno como o nosso ombrear com as verdadeiras potências do futebol, deixando para trás sérios candidatos ao título, e conseguirmos esse feito notável de ficarmos entre as quatro melhores selecções do mundo.
Devo dizer que não percebo nada de futebol. Nada sei de tácticas nem de estratégias futebolísticas.
Para vos ser franco, nem mesmo conheço o nome de muitos dos nossos jogadores, o que considero lamentável e aqui me retrato publicamente. Por uma razão muito simples… Deve haver poucas áreas ou sectores da actividade humana em que Portugal se encontre entre os primeiros, como é o caso do futebol. Pelas boas razões e motivos claros, que pelas más razões ainda temos, infelizmente, alguns lugares cimeiros e cativos no seio desta nossa velha Europa.
Mas o facto de nada perceber de futebol não me retira o prazer de reconhecer esta belíssima prestação da nossa selecção nacional, nem tão pouco o direito de vibrar com um desporto que arrasta multidões e é capaz de congregar tantas vontades em torno de uma causa comum. Que excelente capacidade de persuasão, que magnífica forma de construir objectivos comuns e saber dar-lhes a devida continuidade, até a obtenção de resultados acima do que seria razoável esperar, para um país com a dimensão do nosso.
E depois, verificar como o futebol é capaz de colocar a esmagadora maioria dos portugueses do mesmo lado. Como é o futebol capaz de fazer com que tanta gente ande com a bandeira nacional na sua viatura, a coloque na varanda ou na janela de sua casa, numa mostra de genuíno orgulho e vaidade nacionais que devem ser acarinhados e respeitados por todos nós.
É bom para o nosso ego colectivo que assim seja. Num país tradicionalmente mais vocacionado para a potenciação dos aspectos negativos de uma qualquer realidade palpável, é bom verificar que algo sobressai, pela positiva, desse emaranhado mar de pessimismo, fazendo-nos ombrear, de igual para igual, com os melhores entre os melhores, ainda que apenas no futebol.
É claro que seria muito bom que este exemplo florescesse e todos nós pudéssemos demonstrar que afinal não era apenas nesta modalidade desportiva que podemos aspirar à glória e ao brilho da ribalta, mas também noutros sectores da vida e da actividade social, económica e cultural, porque Portugal é um país rico em História, excelente em determinados sectores da sua actividade empresarial e pleno de sentido de solidariedade social, tudo aspectos que potencialmente nos colocam no bom caminho do desenvolvimento sustentado, mas que peias e condicionantes bem conhecidas de todos nós nos fazem retardar no caminho do sucesso e do desenvolvimento.
Parabéns à selecção nacional e ao seu treinador. Parabéns a Portugal.
Como seria bom que este espírito nacionalista se propagasse para outros sectores e actividades de todos nós para, também aí, demonstrarmos que somos capazes de ir longe, bem mais longe do que temos ido até ao presente momento.
É um voto de fé e esperança no futuro de quem acredita que os grandes desígnios de Portugal não se esgotam no futebol.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Um dia pela Vida



Deu-se por concluída, a semana passada, uma das realizações públicas colectivas mais significativas e importantes de que há memória na comunidade lamecense.
Refiro-me ao projecto “Um dia pela Vida”, que congregou vontades, uniu pessoas e instituições num espírito saudável e tão sublime de dedicação a uma causa comum, para ajudar a fazer face a um flagelo que, a todo o momento, nos pode também bater à porta.
Com o intuito de ajudar a Liga Portuguesa contra o Cancro, um grupo de cidadãos lamecenses entendeu levar a cabo um sem número de actividades e realizações, organizados em equipas, dando o melhor que podiam e sabiam, num espírito louvável de partilha e de entrega a esta causa tão nobre que só nos enriquece e engrandece a todos, enquanto cidadãos e comunidade.
Sei que o resultado desta “operação” se saldou num redundante êxito de natureza financeira, ajudando a garantir a permanência da carrinha de rastreio do cancro da mama, que estava em perigo de não continuar a sua profilática missão o que, só por si, representa um sucesso considerável desta iniciativa.
Mas a par deste sucesso, gostaria de sublinhar a importância do espírito de entrega, da solidariedade, da partilha e da integração de tanta e tanta gente de boa vontade, demonstrando que em Lamego há muita gente de bem, gente que se preocupa com os outros, gente que não regateia esforços para alcançar benefícios comuns… Enfim, gente mais preocupada com o bem-estar dos outros, que apenas e tão-somente com o seu próprio e exclusivo bem-estar.
Que bonita lição de sensibilidade e de humanidade recebemos todos, porque todos participamos, recebemos e ofertamos, cada um à sua maneira, um pouco de nós próprios a esta nobre causa. Todos soubemos e tivemos plena consciência que, ao dar um bocadinho de nós, estávamos a receber muito mais, incomensuravelmente mais, porque todos estamos certos que um sorriso, algures, anónimo, ser-nos-á retribuído por alguém, quando tiver a sorte de beneficiar dos resultados desta sublime “missão”.
O dia 17 de Junho foi, pois, uma jornada paradigmática e bem ilustrativa dos valores mais elevados que devem nortear uma sociedade que preza e ama os seus iguais, que os sabe apoiar nos momentos difíceis, porque a solidariedade não tem preço e o amanhã pode transformar-nos em receptores privilegiados das dádivas desinteressadas de hoje.
Todos estamos de parabéns…Todos, sem excepção, todos os que se envolveram directa e indirectamente neste projecto de eleição.
Na pessoa da Dr.ª Marina Valle, enquanto primeira responsável pelo trabalho desenvolvido ao longo destes seis meses, e dos excelentes resultados produzidos, felicito toda a sociedade lamecense, que soube interpretar, de forma magistral, um tão alto desígnio humano.

P.S.  – Já não tenho muita paciência para aturar mentecaptos. Se alguém entende que eu não digo a verdade no que escrevo, e se sente afectado com isso, que faça o obséquio de me interpelar junto das instâncias judiciais competentes. Terei todo o gosto em demonstrar a veracidade das minhas afirmações.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 29 de junho de 2006

O que queremos para Lamego?



Seria bom que todos tivéssemos uma ideia muito precisa do que pretendemos para o nosso concelho e cidade de Lamego, e a soubéssemos transmitir com toda a clareza e precisão aos nossos concidadãos.
Quero dizer com isto que é fundamental, a quem detém responsabilidades políticas, saber explicar, com o detalhe necessário, para onde pretendemos encaminhar o desenvolvimento sustentado da nossa terra. A partilha da informação é, também, um convite à adesão em torno dos nossos grandes objectivos estratégicos, para assim se conseguir obter os apoios e as parcerias necessárias à sua boa concretização.
Posto isto, convém saber o que pensam os nossos responsáveis sobre o nosso futuro colectivo, e isso só será possível se eles nos souberem explicar devidamente o que planeiam fazer nos tempos mais próximos, articulados com a visão estratégica que possuem para a nossa terra. Com as prioridades devidamente estabelecidas, com um calendário correctamente estipulado e os recursos devidamente inventariados.
Não devemos proclamar a necessidade imperiosa de nos unirmos em torno de potenciais causas comuns para depois, na prática, não só não as explicarmos devidamente aos concidadãos, como ainda votarmos ao ostracismo quase metade dos mesmos, através dos seus legítimos representantes, quando nos apresentamos publicamente a defender um qualquer objectivo supostamente integrado nessas mesmas grandes causas.
Infelizmente, não podemos ter uma noção do que o actual poder local pretende para Lamego, através da leitura dos documentos normais de gestão municipal. O plano e o orçamento que vigoram para este ano de 2006 não nos apontam essa visão estratégica, e integram tudo o que é possível e imaginário poder fazer-se nos próximos 4 anos e seguintes. Como muito bem sabemos, quando nos propomos fazer tudo e mais alguma coisa, para satisfazer os mais diversos interesses, sejam eles de que naturezas forem, é certo que muito ficará por concretizar… É certo também que se torna mais fácil gerir os conflitos de interesses estabelecidos, uma vez que, em teoria, tudo pode, e vai, ser concretizado. Depois, se tal não suceder, lá surgirá uma razão oportuna e adequada a justificar essa impossibilidade.
Ora, nada disto é relevante para a obtenção de adesões para a nossa causa. O que é relevante é a existência de ideias concretas, da nossa própria convicção que as mesmas são importantes para o colectivo que servimos, e da nossa capacidade de as saber transmitir aos outros com a força necessária da sedução e autoconfiança que se impõe.
É pena constatar que nos encontramos numa fase de análise da realidade lamecense mais pelo que nos desune, separa e divide, que por aquilo que nos une, o que é, a todos os títulos, lamentável, pela inexistência prática de quaisquer benefícios colectivos que daí possam advir.
Quem está a ser responsável pela abertura irreparável de fracturas políticas e sociais na sociedade lamecense?
As gerações futuras indagarão sobre os protagonistas políticos actuais, sobre a sua forma de fazer política e sobre os métodos utilizados para alcançarem os seus fins.
Saberão então dizer se fomos ou não mulheres e homens de visão, capazes de termos uma ideia de desenvolvimento sustentado para o nosso concelho e para a nossa cidade, como se hoje tivéssemos o alcance visionário de ver e saber explicar aos nossos conterrâneos como gostaríamos que fosse a nossa terra daqui a uma dezena de anos…
Que razões estão na base dessa mesma visão, suportadas por uma fundamentação adequada e quais os investimentos relevantes que deveremos defender e implementar para atingir tal desiderato, são as verdadeiras questões que interessam discutir e analisar, para bem de Lamego e dos lamecenses.

Agostinho Ribeiro