terça-feira, 15 de outubro de 2013

Declaração política de final de mandato como Vereador da Câmara Municipal de Lamego.

Foi hoje a última reunião do executivo camarário referente ao mandato autárquico 2009/2013.
Impunha-se, portanto, proferir algumas breves considerações políticas sobre o que pensamos deste exercício. Reproduzo aqui, na íntegra, a declaração por mim proferida esta manhã, dia 15 de outubro de 2013.
 

 
 
 
 
 
Senhor Presidente
Senhores Vereadores
Ao finalizarmos o mandato autárquico para que fomos eleitos em 2009, cumpre-me tecer as considerações políticas que se impõem tecer, no quadro de um sintético balanço crítico ao exercício gestionário da coligação PSD/CDS, e que foi merecendo duros e assertivos reparos ao longo destes quatro anos, por parte do Partido Socialista, que aqui me orgulho de representar.
Reconheço que a tarefa não é fácil, tantos foram os desmandos gestionários e tantas foram as irresponsabilidades políticas cometidas por este executivo, pelo que me limitarei a tecer alguns comentários sobre as questões mais relevantes que ao Município de Lamego dizem respeito.
Este mandato não podia ter sido pior para os lamecenses, sob a batuta nada esclarecida do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego, Engenheiro Francisco Lopes, mas ao qual não podemos, nem devemos, excluir todos os que participam, apoiam e integram as listas da coligação PSD/CDS, e que apenas se manterão no poder autárquico por força, precisamente, desta coligação política que ficará na História de Lamego como a produtora de enormes malfeitorias públicas como não há memória na nossa terra.
Comecemos, pois, com as questões fulcrais da dívida pública municipal versus investimento realizado, na ótica da execução orçamental e, posteriormente, na perspetiva do retorno razoável de tal investimento. Trataremos, seguidamente, da absurda constituição de uma empresa vocacionada ao fracasso e à insolvência desde o seu nascimento, passando pelo completo desnorte da construção de um Pavilhão Multiusos que ficará na história de Lamego como o pior investimento alguma vez realizado na nossa terra.
I
Da execução orçamental:
1º - Se fizéssemos um quadro síntese do que foram estes quatro anos de mandato autárquico, em termos de investimento, diríamos que foram aplicados em despesas de capital, grosso modo, 50 milhões de euros, cuja proveniência pode ser assim repartida – 15 milhões de fundos comunitários (30%); 19 milhões de empréstimos bancários (38%); 6 milhões por transferência das receitas correntes para despesa de capital (12%); e, finalmente, 10 milhões provenientes das receitas próprias de capital do município lamecense (20%).
2º - Verifica-se, desde logo, que a execução orçamental do investimento público, na relação entre o estimado e o executado, expressa-nos um valor percentual muito criticável – atente-se às percentagens da execução orçamental em 2010 – 32,21%; 2011 – 45,52%; 2012 – 45,8%; 2013 – 60%, para constatarmos esta indevida e muito incorreta forma de inscrever verbas estimadas muito acima das que realmente sabemos que serão executadas, criando o que os Digníssimos Juízes do Tribunal de Contas apelidam de “ilusão de suficiência” para, assim, se permitirem a imoral integração de projetos de obras que não poderão ser executadas, por falta de financiamento efetivo, enganando-se os cidadãos que acalentam a esperança do contrário. À exceção do ano de 2013, que ainda não podemos avaliar devidamente, mas que sabemos já que a melhor performance se vai dever ao PAEL, e nada mais, todos os restantes anos nos demonstram que se estimam valores em mais do dobro do que depois se consegue realizar.
3º - Por outro lado, podemos verificar que, em quatro anos, este executivo conseguiu a extraordinária proeza de endividar Lamego de forma ainda mais assustadora do que já tinha feito no mandato anterior, passando dos indesculpáveis 15 milhões de euros de dívida à banca, a 31 de dezembro de 2009, para os atuais inenarráveis 28 milhões de euros, em resultado do último recurso disponibilizado pelo Estado às Câmaras mais endividadas do País, e que dá pelo nome de PAEL. Mesmo assim verificamos já que esta Câmara se encontra de novo em irresponsável ascensão nos valores das dívidas não liquidadas a fornecedores, atingindo rapidamente os mais de 5 milhões de euros, como se estivéssemos a viver no melhor dos mundos…
4º - Este deplorável processo da dívida pública municipal lamecense pode, e deve, ser interpretado na sua relação direta com a dívida nacional, em percentagem dos respetivos PIB’s, uma vez que todos os municípios portugueses contribuem para a boa ou má prestação das contas públicas nacionais. Assim, e com base nos valores das receitas anuais do município, excetuando, por razões óbvias, as obtidas por recurso aos empréstimos bancários, para construção do PIB municipal, temos as seguintes percentagens:
- Em 2005, no último mandato sob a presidência do Partido Socialista, o concelho de Lamego possuía uma dívida pública em percentagem do PIB municipal na ordem dos 59%, a que correspondia uma contribuição positiva no abaixamento da dívida pública nacional, que se situava então nos 63%. Lamego era, então, um orgulhoso concelho que ajudava Portugal a fazer baixar a média da dívida pública nacional.
- Em 2009, no final do primeiro mandato da coligação PSD/CDS, a dívida municipal ascendia já a perto de 25 milhões de euros, com uma dívida pública situada nos 136% do PIB municipal, já mais de 52 pontos percentuais acima da dívida pública portuguesa que, nesse ano, se fixou em 84% do PIB nacional. Isto significa que bastaram 4 anos de governação da coligação em Lamego, do PSD/CDS para assistirmos à contribuição extraordinariamente negativa do nosso concelho para a dívida pública portuguesa. A partir do momento em que a coligação PSD/CDS passou a gerir os nossos destinos, também Lamego passou a estar do lado dos que pioram a situação financeira portuguesa!
- Agora, em 2013, e ainda que o ano não tenha terminado, podemos já avançar para uma estimativa da situação financeira da Câmara Municipal de Lamego ainda mais gravosa e inaceitável do que aquela que ocorreu no mandato anterior, porquanto já nos encontramos com uma dívida pública municipal, a 10 de setembro do corrente ano, em 227% do PIB municipal, com uma trajetória da dívida a terceiros de novo em ascendência, já fixada, como atrás se disse, em mais de 5 milhões de euros neste momento, pese embora o encaixe de perto de 16 milhões de euros que acabou de dar entrada nos cofres municipais para liquidação deste tipo de dívidas camarárias.
Esta trajetória incontrolável da dívida, permite-nos admitir que chegaremos ao final do ano com uma dívida em percentagem do PIB escandalosamente superior à dívida pública nacional, muito provavelmente acima dos 200% do PIB municipal, sendo que todos nós sabemos e conhecemos bem a forma desastrosa como a coligação PSD/CDS tem governado Portugal, incapaz também ela de controlar a dívida nacional, o que agrava de forma exponencial a total e completa irresponsabilidade desta gestão autárquica, que consegue ser pior no controle do endividamento municipal que a própria má governação do País, ambas assumidas pela mesma coligação político partidária. Enfim, é mau demais para ser verdade!
5º - Portanto, quando alguns pensam que as dívidas contraídas pela Câmara Municipal de Lamego não os afetam, é bom que se lembrem dos contributos indecorosos, porque injustificáveis, deste aumento da dívida, para todos percebermos que se as pensões e reformas têm sido cortadas; se as remunerações dos funcionários públicos têm vindo a diminuir drasticamente; se os impostos têm aumentado para níveis insuportáveis; se o desemprego tem subido em flecha nestes últimos anos, com redobrado prejuízo para os lamecenses; tudo isto se deve e resulta, também, da completa irresponsabilidade de muitos municípios portugueses, com Lamego nos lugares cimeiros deste indecoroso ranking, para vergonha de todos nós, lamecenses!
Em suma, após 8 anos de gestão autárquica por esta coligação PSD/CDS, a dívida bancária municipal está situada nos 28.434.414,58 €, a que podemos já acrescentar mais 5 milhões de encargos assumidos e não pagos, num total de 33 milhões de euros. Num rácio per capita que podemos estabelecer com os habitantes do nosso concelho, atingimos o valor de 1.236 pontos. Recordando aqui, para uma breve comparação, um dos municípios mais endividados de Portugal, Vila Nova de Gaia, chegamos à conclusão de que mesmo que ela tivesse a sua dívida na ordem dos 300 milhões de euros, ainda assim teria um rácio melhor que o de Lamego, já que este montante, para os gaienses, corresponde apenas a um rácio de 992 pontos, 244 pontos abaixo do nosso. E ainda dizem que Vila Nova de Gaia é um município fortemente endividado… Que dizermos então de Lamego!
II
Da obra executada:
1º - Já sabemos, por outro lado, que o argumento desta coligação para justificar tanto endividamento, é o de que o mesmo serviu, e justifica-se, pela realização da obra que está à vista de todos nós. Mas também aqui percebemos a falsidade do argumento, bastamente apresentado por esta coligação PSD/CDS, e que facilmente se desmonta. Mas o pior é que esta falsidade é dita com a facilidade de quem não faz a mínima ideia do que está a dizer, porquanto podemos verificar, numa simples equação, o quão frágil é este argumento.
Fazendo uma estimativa, muito por baixo, de que cada euro proveniente dos fundos comunitários representa um investimento de 75% a fundo perdido (e já dando de barato que seria essa a média normal de majoração dos fundos comunitários que, como também sabemos, tem atualmente percentagens a fundo perdido bem superiores a esta média – 80 a 90%), chegamos aos seguintes valores – aos cerca de 18 milhões de euros de empréstimos bancários contraídos ao longo deste mandato deveria corresponder, a ser verdade a aplicação destes dinheiros em obra, a cerca de 70 milhões de euros de investimento, o que fica muito aquém dos 50 milhões de euros que foram efetivamente aplicados em despesas de capital, e de cujos montantes globais todos sabemos que não correspondem à totalidade do investimento em obra.
Esta diferença abismal, no mínimo de cerca de 20 milhões de euros, que deveria ter sido aplicada integralmente no investimento, e que não foi, corresponde a um desperdício no endividamento público municipal na ordem dos 28,5%, representando, em modesto entender, a pior forma de se gerirem os dinheiros públicos, como só esta coligação soube e sabe fazer.
2º - A verdade é que apenas 32% das verbas totais investidas foram provenientes de fundos comunitários, na ordem dos 16 milhões de euros, cuja média global, integrando já a contrapartida nacional, se quedou pelo montante geral de 27,6 milhões de euros de despesa de capital cofinanciado.
E que obras foram essas que, no decorrer deste mandato, tanto investimento comparticipado exigiu ao Município? Pois bem, façamos a sua contabilidade:
- Foram os Centros Escolares de Lamego, Lamego Sudeste e Penude;
- Foram os troços da Circular Externa a Lamego, para resolver o problema do Centro Escolar e da grande superfície comercial Continente;
- Foi a Requalificação do Cais de Bagaúste;
- Foi o Parque de Estacionamento de Almacave;
- Foram algumas benfeitorias em caminhos municipais e arranjos urbanísticos, realizados em Sande, Avões, Valdigem, Alvelos, Ferreirim e Cambres;
- Foi, finalmente, o projeto Viver Lamego, nas componentes da zona do Castelo, Largo da Feira e Eixo Barroco.
E assim se investiram, dos 50 milhões de euros aplicados em despesas de capital, alguns parcos milhões destinados a obras comparticipadas, em quatro anos de mandato, ficando a certeza amarga de que se tratou de muita parra para pouca uva, que o mesmo é dizer, de muito dinheiro e de muito endividamento para pouca obra e, pior que tudo, para pouquíssimo ou nenhum benefício substantivo de retorno, na vida dos lamecenses!
Das 18 freguesias, segundo a configuração atual, apenas 5 beneficiaram com alguma obra mais robusta, no âmbito da beneficiação de caminhos municipais e pequenos arranjos urbanísticos, concentrando-se o grosso do investimento na cidade de Lamego, com Centros Escolares abusivamente a mais, sem qualquer justificação ou fundamento, onde 2 seriam suficientes; troços de variante executados por razões diversas da que deveria ser a principal, sendo que, ainda por cima, um deles desviado do projeto inicial, com custos que irão acrescer futuramente a este projeto; e, bem pior que tudo o resto, com a realização de um verdadeiro crime de lesa património ao destruir a imagem sedimentada no imaginário lamecense do nosso centro histórico, datado, romântico, verdadeiro ex-libris da nossa cidade e que agora está a ser substituído por um mar vergonhoso e monocromático de cubos de granito, sem graça nem beleza alguma, para desespero e tristeza dos que amam a sua terra…
3º - Investir tanto dinheiro, endividando os cofres municipais, em obras de mais que duvidoso benefício público efetivo, para a melhoria das condições de vida dos lamecenses, é um ato de gestão público que não merece um milímetro sequer da nossa condescendência política.
Por isso, é bom que fique lavrado em ata que:
a)      Onde a coligação PSD/CDS construiu 4 Centros Escolares, o Partido Socialista teria construído apenas 2, libertando verbas e sinergias para outros investimentos no plano educativo, nomeadamente a instalação condigna e de raiz da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego;
b)      Onde a coligação PSD/CDS destruiu o património histórico da nossa cidade, o Partido Socialista apenas teria procedido a uma requalificação criteriosa, com vista à renovação do saneamento básico da zona central e melhoria pontual do mobiliário urbano, com respeito escrupuloso pela memória dos nossos ilustres antepassados;
c)       Onde a coligação PSD/CDS apenas executou pequenos troços da Circular Externa a Lamego, o Partido Socialista teria já concluída a totalidade dos troços em falta para, assim, resolver o problema gravíssimo da circulação rodoviária de pesados no interior da cidade, dando maior fluidez ao trânsito de ligeiros;
d)      Onde a coligação PSD/CDS desperdiçou verbas em obras avulsas em poucas freguesias, o Partido Socialista teria avançado com um plano de intervenção concelhia, concertado com todas as freguesias do concelho, e não apenas com meia dúzia delas, porque sempre fomos, como somos, de opinião que as beneficiações devem ser justas, equilibradas e equitativamente repartidas pelo todo concelhio.
4º - E que benefícios efetivos trouxeram estes gastos perdulários a Lamego? Alguns terão trazido, certamente, mas não foram seguramente os mais importantes e decisivos para a melhoria da nossa qualidade de vida. Senão vejamos:
a)      As empresas sediadas em Lamego fecham portas todos os dias e a criação de riqueza decresce assustadoramente – menos 93% na criação de riqueza, hoje, que em 2005;
b)      A taxa de desemprego é das mais elevadas do País, com 27% de desemprego, muito acima da região onde estamos inseridos, em que a taxa se situa nos 19 %, e quase o dobro da média nacional, que se situa na ordem dos 16/17 %;
c)       O IMI que pagamos é o mais elevado que a lei permite;
d)      Os serviços municipais são cobrados aos munícipes por valores cujas taxas são das mais caras do País;
e)      O serviço de abastecimento público de água é também dos mais caros da região e do País.
Em suma, este mandato foi mau demais, pela pobreza de ideias estratégicas a montante das obras, sem nexo nem razões fundamentadas que as justificassem devidamente, como foi mau demais pelo exagero aviltante dos montantes envolvidos nesta autêntica “bebedeira” de gastos sem gosto, de desperdícios sem critério, de endividamento sem fundamentos válidos que nos fizessem perceber porque razão se gastou tanto, e tão mal, em obras sem sentido nem lógicas estruturadas num qualquer projeto com sentido e com visão de futuro!
III
Da Lamego Convida à Parceria Público Privada, versus Pavilhão Multiusos:
 
1º - A agravar tudo isto, continuamos a ter que lidar, sem dúvida alguma, com o disparate maior e completo que foi a constituição, no mandato anterior, da empresa Lamego Convida, agora a braços com um processo de extinção problemático e outro, não menos problemático, de resolução dos problemas técnico/jurídicos criados com a Parceria Público Privada Lamego Renova, e com o autêntico “elefante branco” que dá pelo nome de Pavilhão Multiusos de Lamego.
2º - Se no mandato anterior foram gastos perto de 3 milhões de euros nesta empresa municipal, a verdade é que nestes 4 anos do atual mandato, esses valores foram substancialmente aumentados, mais que duplicados, para se fixarem acima dos 7 milhões e meio de euros, que tanta falta fez ao município lamecense, para se fazer muito mais e melhor, se fossem geridos diretamente pela autarquia. Num cálculo por alto, é sustentável defender que com metade destas verbas se teria feito praticamente o mesmo que a empresa municipal fez, porquanto cerca dessa metade corresponde já, grosso modo, aos gastos com as remunerações do pessoal e dos administradores, num total global, ainda sem o exercício de 2013, de 3.771.779, 56 €.
Um disparate de gestão completo, como os números não deixam de evidenciar, e a obrigatoriedade de extinção da mesma, por força de lei, não deixa de validar!
3º - O problema decorrente desta completa irresponsabilidade, tanto por parte do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego, como por parte de todos, repito, todos os autarcas e responsáveis que deram e dão o seu apoio continuado a este absurdo gestionário, tem a ver com a prefiguração dos maus resultados, ainda não calculáveis na sua totalidade, decorrentes da cessão de direitos contratuais que a mesma empresa municipal pretende celebrar com a parceria público/privada Lamego Renova.
4º - Envolta na maior das discrições negociais, apercebemo-nos que se pretendeu, e ainda pretende, proceder a um contrato de arrendamento em que, para sermos simplistas, os privados tentam transferir, a todo o custo, para o município de Lamego, toda a responsabilidade pelos erros cometidos por ambos, encoberto agora num suposto contrato-promessa de cessão de posição contratual e de cessão de exploração, contrato esse que felizmente, e tanto quanto sabemos, foi chumbado pelo Tribunal de Contas, correndo um processo inspetivo a todos os atos gestionários daquelas duas empresas.
A verdade é que, depois de mais de 10 milhões de euros desperdiçados nesta empresa; depois de mais meio milhão de euros de dívida direta que a mesma possui; depois de cerca de 10 milhões de euros de encargos que decorrem das responsabilidades na participação social na empresa Lamego Renova (49%); e depois de um valor não quantificável neste momento, a título de encargos hipoteticamente não assumidos pelo Município de Lamego, como tem sublinhado o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego, estaremos numa situação global de endividamento público como não há memória na história de Lamego.
5º - Ficará também para a história de Lamego, a impunidade total e completa de uma inauguração que não foi inauguração, num Pavilhão que não tinha licença de utilização, com um torneio oficial que, mesmo assim, ali decorreu, perante a indiferença vergonhosa de todos os poderes públicos portugueses que ainda hoje, tanto quanto me posso aperceber, se mantêm silenciosos perante este completo desrespeito pelas leis da República Portuguesa!
IV
Conclusão
 
No final deste mandato autárquico, o concelho de Lamego está pior do que estava, porque:
a)      Está completamente endividado, tendo ultrapassado os limites gerais do endividamento bancário, nos termos da lei, situando-se hoje como um dos municípios com piores índices gestionários em Portugal;
b)      Está destruído no âmago do seu orgulho para com o passado e no respeito para com os seus ilustres antecessores, com a destruição criminosa do centro urbano da sua histórica cidade;
c)       Está ferido na sua dignidade e honorabilidade, pelas piores razões que o têm catapultado para o anedotário nacional, em vexames que se sucedem por associação ao seu ilustre nome;
d)      Está mais pobre do que estava, pela destruição sistemática que tem assistido ao seu tecido comercial e empresarial, por desinteresse dos responsáveis autárquicos perante os seus concidadãos;
e)      Está mais frágil, em termos sociais e económicos, porque o desemprego tem vindo a aumentar assustadoramente, como não acontece em mais lado algum do País, perante a impotência dos responsáveis municipais, que nada têm feito para alterar o atual estado de coisas;
f)       Está mais sectário e menos democrático, exercendo imorais pressões e atos persecutórios a cidadãos que se opõem às práticas públicas e ideologias partidárias do poder vigente;
g)      Está mais desequilibrado territorialmente, porque tem vindo a acentuar a diferença e a dicotomia entre a sede urbana do concelho e as suas freguesias rurais;
 
E beneficiados com esta política absolutamente desastrosa? Houve?
Certamente que sim, que os houve também, mais que não seja pela leitura que temos de fazer em função dos resultados eleitorais que acabaram de ocorrer em Lamego.
Só que eu, sinceramente, não consigo vislumbrar esses benefícios que tantos lamecenses parece que encontraram nesta gestão autárquica e só me ocorre pensar que esses que assim votaram, nem sequer se apercebem que votaram contra eles próprios.
Mas isto já é uma opinião pessoal, que aqui não posso deixar de expressar. Falível, como todas são…
Muito obrigado.
Agostinho Ribeiro
Vereador do Partido Socialista



Notas finais - Depois de alguns vitupérios e insultos pessoais que o senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego proferiu contra mim, durante e após a leitura que eu fiz desta declaração (e que eu espero que fiquem registados em ata), relevando o insulto, pessoal e inqualificável, de que eu sofria de insanidade, não se absteve de me chamar, por diversas vezes, mentiroso, por eu afirmar na declaração (entre outras coisas de não menos importância), que o IMI era cobrado pela taxa mais alta que a lei admite e pelo facto de eu referir que as dívidas a terceiros já iam, a 10 setembro de 2013, em mais de 5 milhões de euros.

Convém, então, referir onde me baseio para afirmar o que afirmei:

1º - Taxa do IMI:
Como se pode verificar pela leitura do mapa abaixo colocada, e retirada do próprio site da Câmara Municipal de Lamego, o IMI a liquidar e cobrar em 2013, para os prédios urbanos, nos termos da alínea b) do nº 1 do artigo 112º do CIMI, que pode ir de 0,5 a 0,8 está fixado em 0,8, ou seja, pela TAXA MÁXIMA que a lei permite por decisão política, da única e exclusiva responsabilidade da coligação PSD/CDS.
Já no que diz respeito aos prédios urbanos avaliados, nos termos da alínea c) do mesmo número e artigo, os menos onerosos e menos significativos por serem os mais antigos, está fixado pela taxa média permitida por lei.
No entanto, a taxa do IMI referente aos imóveis mais recentes, dos últimos 10 anos, e que são os que mais importam para a vida dos lamecenses, em volume de montantes associados, estão taxados pelo valor mais elevado, já que as avaliações, nos termos da alínea c) já referida, dizem respeito aos imóveis adquiridos antes de 2003.


 
 
 
2º - Dívidas a terceiros:
No que diz respeito à "mentira" por mim proferida, da dívida a terceiros se cifrar já em mais de 5 milhões de euros, tal montante decorre das informações financeiras prestadas pelo próprio senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego que, no Balancete de Terceiros com data de 10 de setembro de 2013, exibe verbas que ascendiam a 5.177.507,46 €. Não se consegue ler devidamente o montante no saldo "credor" de terceiros, apenas porque a digitalização que nos foi facultada não possui a resolução devida para a sua leitura correta.
 
 
 
 

E assim se demonstra uma vez mais, com toda a simplicidade e linearidade, quem é que está insano, e quem é que mente aos lamecenses!
Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Mais uma humilhação para Lamego...



Li com estupefação a informação que o meu amigo Acácio Pinto fez o favor de me enviar, a propósito do projeto de requalificação do Museu de Lamego.

A notícia pode ser visualizada no lugar:

 
Isto é profundamente lamentável para Lamego e para toda a região do Douro, porque:
1º - Se há alguma desproporção atual do projeto de requalificação do Museu de Lamego, que está concluído e pronto a ser executado, seria bem melhor que se mandasse reavaliar o projeto e não desistir, pura e simplesmente, dele!
2º - O projeto teve sempre o acompanhamento e o suporte competente das tutelas, dos técnicos e especialistas de museus, e gastaram-se centenas de milhares de euros na sua elaboração, por concurso público internacional. Todos os profissionais de museus envolvidos o acharam proporcional, porque conhecem e sabem bem do valor incalculável do acervo do Museu de Lamego, ao contrário dos que agora têm o poder de decidir a sua não concretização. Abandoná-lo é uma humilhação e um claro desprestígio para Lamego e para o Douro!
3º - O projeto estava estimado em 6 milhões de euros, que poderia e deveria ser revisto em baixa, o que daria, numa candidatura aos fundos comunitários, na pior das hipóteses, um esforço de contrapartida nacional de 600 mil euros a fasear em dois ou três anos. Qualquer coisa como 300 mil euros em dois anos… Para quem assiste a gastos de milhões de euros noutros investimentos no setor da cultura bem menos necessários que este…
A verdade é que o valor estimado da obra não é nada excessivo, e é completamente proporcional à importância primordial do seu acervo, referência patrimonial em termos nacionais e internacionais, já que possui mais Tesouros Nacionais que a maioria dos museus ditos nacionais, mais que o Museu Nacional de Soares dos Reis e tantos como os do Museu Grão Vasco, em Viseu. Mas para esses houve dinheiro para obras substantivas de requalificação museológica e museográfica. Para Lamego é que não há… Porquê?
Para nós, parece que vai haver apenas dinheiro para resolver o problema da cobertura… Mas o Museu de Lamego precisa e deveria exigir muito mais que a resolução dos problemas de cobertura… Para ser um verdadeiro Museu de referência nacional, como merece, não basta arranjar a cobertura. Por isso andei, com outros profissionais de museus, a trabalhar durante dez anos para uma requalificação digna do Museu de Lamego!
4º - Lamento muito que o senhor Secretário de Estado da Cultura, em vez de mandar reavaliar um importantíssimo projeto verdadeiramente exemplar na história da requalificação de museus, em Portugal, tenha seguido a opinião desavisada e incompetente do seu antecessor que, juntamente com o atual Presidente da Câmara Municipal de Lamego, entenderam ambos, como grandes especialistas que (não) são de museus, que a obra do Museu de Lamego era excessiva e… deveria ser abandonada!
5º - Mas também, com Presidentes de Câmara amigos da terra que dirigem, como este, quem precisa de inimigos? Pelos vistos, obras de vulto em Lamego (vulto financeiro, claro) só mesmo as que tiverem de passar pelo crivo municipal… As outras, mesmo que fundamentais, são desnecessárias e dispensáveis.
Para ele e os seus correligionários, o Museu de Lamego está muito bem como está, até porque agora até já dá para se fazerem umas ações de campanha eleitoral laranja na “espumanteria” do Museu de Lamego, ao bom estilo do caciquismo parolo. Para esses, melhor que isto não pode haver…! A qualidade mede-se pelo show-off de coisas avulsas e pela imoralidade do compadrio reinante. Mais nada!
Agostinho Ribeiro

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Da cegueira política lamecense, para a visão de uma alternativa credível!


 
I
 
 
No que respeita às autárquicas de 2013, para o nosso concelho de Lamego, a boa notícia é que existiram 2.625 lamecenses que deixaram de ser cegos e perceberam, finalmente, que a coligação PSD/CDS, liderada por Francisco Lopes, tem prejudicado fortemente os interesses mais genuínos e importantes do coletivo que somos todos nós, lamecenses.
Refiro-me, claro, à gestão ruinosa que foi desenvolvida nestes últimos anos, que já fez ultrapassar os limites legais do endividamento bancário municipal; à gestão que muitos de nós acha danosa, protagonizada por uma empresa municipal que apenas somou gastos absurdos para receitas irrisórias; e tudo isto para justificar e suportar obras megalómanas (o termo é mesmo megalómanas, e não ambiciosas, como estultamente referem os seus promotores) que não traduzem nenhum benefício efetivo para a comunidade que deveriam servir!
A outra boa notícia é que, desses 2.625 lamecenses já curados da cegueira ideológica que transportavam de há 4 anos a esta parte, pelo menos 2.016 não só perderam a confiança no gestor milagreiro que veio de fora para desgraçar as nossas contas públicas (com reflexo direto nos nossos bolsos, e de forma muito mais grave do que possamos pensar), como entenderam, e muito bem, que era hora de iniciar um processo de mudança, na tentativa de afastar quem tanto mal nos tem feito, ainda que tal desiderato alternativo não tenha sido ainda alcançado.
Tive o cuidado de ir lendo o que a coligação PSD/CDS, e os seus apoiantes mais diretos, iam dizendo nas redes sociais… Um verdadeiro absurdo de deslumbramento pré-histórico!
A petulância e a arrogância desmedidas, na convicção segura de que iam ser "outros 6-1”, talvez mesmo “7-0”, à medida de uma campanha eleitoral também ela megalómana, onde parecia não haver limites de recursos humanos e materiais, tal a panóplia de viaturas em campanha, de tarjas e outdoors, brindes e quejandos, a sucederem-se como se não houvesse crise nem austeridade em Portugal, chegando mesmo ao desplante insultuoso (sobretudo para os jovens, uma vez que os considera, objetivamente, desprovidos de inteligência) de dois vídeos com sugestões sexuais a propósito de um ato de cidadania que é o voto dos jovens que o fazem pela primeira vez; tudo isto apontando para a epifania feliz de um “esmagamento” dos adversários políticos, como se todos o lamecenses fossem marionetas nas mãos de quem se acha detentor de toda a verdade e de toda a razão quando, precisamente, não detém rigorosamente nem uma coisa nem outra…
II
A má notícia é que ainda persistem fortes sinais desta “doença” de falta de visão por causa de um clubismo partidário serôdio e bolorento, que não deveria fazer sentido no Portugal Democrático de hoje, traduzida na cegueira de ainda haver 8.548 lamecenses que seguramente tardam a perceber que o seu voto foi, precisamente, depositado por eles… contra eles próprios…!
Sim, quem votou na coligação PSD/CDS, em Lamego (é importante sublinhar isto, aqui e agora), votou contra si próprio, porque votou na continuação de uma política gestionária suicidária; votou em quem mais adensou e aumentou as despesas das pessoas, empresas e famílias lamecenses; votou em quem endividou, de uma forma já irreparável, o concelho de Lamego, colocando-o a níveis bem piores que a infeliz dívida pública da Grécia; votou em quem pretendeu e pretende afirmar a legítima ambição de crescimento e desenvolvimento de Lamego através de gastos sumptuosos em obras desnecessárias, que nada trazem de benefício efetivo para a nossa terra, e que nem sequer se preocupou em fundamentar e justificar devidamente, nos termos da lei, a sustentabilidade futura dos equipamentos públicos resultantes de tais obras.
III
Mas a melhor notícia de todas é, sem dúvida, a notícia da esperança! Esperança de que as coisas mudem no quadro já atual do novo figurino autárquico, onde talvez a coligação PSD/CDS demonstre agora mais respeito pela oposição do PS, e seja menos arrogante e mais correto no seu relacionamento político e institucional para com os autarcas que se não revêm nas suas posições e projetos políticos. Talvez deixem de intentar ações judiciais contra opositores que apenas dizem as verdades conhecidas por todos, ou até mesmo desistam de aprovar moções que insultam e rebaixam a própria democracia portuguesa, contra adversários políticos que apenas manifestam as suas opiniões publicamente, sobre atos e acontecimentos também eles públicos…
Porque do tão aclamado e desejado “6-1”, pode contar agora com um muito mais equilibrado e justo “4-3”; porque contra o despesismo excessivo de uma campanha ostensiva, embateu de frente contra uma parcimoniosa campanha, contida, humilde, persistente e empenhada, protagonizada por homens e mulheres livres e descomprometidos, que não precisam da política para viver, mas que sabem que o seu contributo à causa pública pode, e deve, ser um generoso contributo ao coletivo que todos devemos saber servir!
 
Parabéns, portanto, ao PS de Lamego e a toda a equipa de trabalho da campanha, com Manuel Ferreira e André Freire a liderarem uma candidatura que se pode traduzir, simbolicamente, numa luta desigual entre David e Golias… Com a diferença relevante de que o Golias também aqui perderia, se não tivesse a ampará-lo uma cada vez mais irreconhecível e ideologicamente desprestigiante muleta que dá pelo nome de CDS/PP!
É que se não tivessem concorrido em coligação, e fazendo uma projeção simplista de votos, o resultado seria 3-3-1, e as circunstâncias políticas atuais ditariam uma provável vitória do Partido Socialista.
Resumindo e concluindo, ele há vitórias que sabem a derrotas e derrotas com o gosto de saborosas vitórias… Por um futuro melhor para todos, e não um presente agradável apenas para alguns.
É o que eu penso, como lamecense e político empenhado no enobrecimento da gestão da coisa pública e no desenvolvimento real e sustentado do nosso concelho de Lamego!
Agostinho Ribeiro

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A sua (dela) primeira vez...

 
 
Corre, na comunicação social e nas redes sociais, um sururu por causa de um vídeo da campanha de Francisco Lopes à Presidência da Câmara Municipal de Lamego.

Videhttp://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/lamego-apelo-ao-voto-em-versao-sexy

e  http://www.youtube.com/watch?v=r4JyF70K7UA ).
 
Considera uma jovem, que supostamente atingiu a idade de votar, que a sua (dela) “primeira vez” iria ser “a/com (?) ” uma pessoa “que sabe o que faz, que lhe inspira confiança”, e que “é uma pessoa sexy”. Depois de alguns trejeitos e poses sensuais, a sugerir objetivamente que a sua (dela) primeira vez, seria um ato de natureza profundamente intimista, em que iria ter relações sexuais com alguém, tal "primeira vez" não passa, afinal, de um ato de cidadania exemplar, concluindo que o voto que iria depositar no próximo dia 29 de setembro, seria a favor do candidato Engenheiro Francisco Lopes.
 
O clímax sugestivamente sexual será, portanto, para esta jovem, um excelente e certamente empolgante depósito do seu voto na urna eleitoral, cujo gozo e prazer antecipa no ternurento vídeo que fez o favor de por à disposição de todos nós. Não sabemos, porque o vídeo o não refere, se o candidato Francisco Lopes, tocado por esta extraordinária revelação da sua apoiante, estará presente ao ato, para testemunhar presencialmente a consumação plena de tão democrático desejo.
 
Mas as questões relevantes que resultam da divulgação deste extraordinário vídeo não me parecem que sejam estas que acabei de referir.
 
É que eu não sei se a jovem sabe que a pessoa que ela pensa que “sabe o que faz” é, precisamente, o responsável por ter endividado a Câmara de Lamego, nos últimos oito anos, para valores que colocam o nosso concelho com um índice de endividamento, em percentagem do PIB municipal, muito pior que Portugal, conseguindo mesmo a façanha de o colocar em situação pior que a da própria Grécia; que já teve de recorrer à ajuda “externa” por duas vezes consecutivas para sustentar obras megalómanas, sem retorno nenhum para a qualidade de vida das pessoas, e sustentar uma empresa municipal absoluta e reconhecidamente ruinosa, tudo junto em valores que rondam os 50 milhões de euros, o que coloca Lamego à cabeça dos municípios portugueses com um endividamento per capita dos mais elevados de Portugal, e que envergonha qualquer terra que se preze de ser habitada por pessoas de bem…
 
Não sei se a jovem sabe que o homem que lhe inspira confiança, é o principal responsável pela gestão de um município que tem a terceira taxa mais elevada de desemprego em Portugal, na ordem dos 27 %; que tem o setor do comércio e do pequeno empresariado a definhar todos os dias, com estabelecimentos comerciais a fecharem portas continuadamente, e com pequenos empresários locais a abrirem falência, por ausência de qualquer política séria e sustentada de apoio ao empreendedorismo local…
 
Não sei se a jovem sabe que o homem que ela acha que sabe o que faz, e que lhe inspira assim tanta confiança, gere um Município onde as taxas e serviços municipais são das mais elevadas em Portugal; onde o IMI é cobrado aos munícipes pelas taxas mais elevadas que a lei concede; que gasta dinheiro a destruir o património urbano, historicamente sedimentado no imaginário lamecense, de uma cidade que já foi verde e que agora é, cada vez mais, da cor obscenamente cinzenta de um mar de granito sem beleza nem utilidade; que investe num Pavilhão Multiusos sem quaisquer estudos prévios de viabilidade e sustentabilidade económica, como obriga a lei; que persegue pessoas por pensarem de forma diferente da dele, à maneira e ao jeito dos que não sabem o que é a verdadeira democracia…
 
Todos aceitamos, claro, que a jovem vote em quem muito bem entender, pelas razões que muito bem entender também, até pelo facto do seu gosto pessoal sustentar que o referido candidato é sexy. E contra essa perceção tão intimista… nada se pode dizer ou contraditar. Esse é um dos atributos que, certamente, poderão ser decisivos para uma boa e sã gestão dos dinheiros públicos, segundo a perceção intelectual de alguns, esta jovem incluída. Está no seu pleno direito!
 
Só não percebo, na minha modesta opinião, como é possível que um Município que tem feito história no que de pior se pode fazer em termos de gestão autárquica, nunca tenha merecido a atenção da comunicação social nacional, e apenas porque uma jovem aparece num vídeo a afirmar que a sua “primeira vez” vai ser com o voto no candidato responsável por tantas enormidades e irresponsabilidades gestionárias, já merece cobertura jornalística nacional…
 
Continuando o essencial a ser, pura e simplesmente, omitido perante a opinião pública portuguesa. Como convém, aliás…
Agostinho Ribeiro

Nota - Agora apareceu a parte 2, tipo opção em masculino juvenil, em frustrada tentativa de disfarçar a boçalidade da versão inicial, substituindo aqui o termo "pessoa sexy" pelo termo "pessoa culta", certamente para tentar evitar uma conotação excessiva com a homossexualidade (a originalidade criativa tem limites, e isto da homossexualidade ainda é um bocado pesado para as mentes dos parolos lamecenses, né?) com risinhos esforçados (e forçados) agora do jovem, e entre gestos também eles supostamente muito avant-garde para dar aquela ideia de que a coisa, afinal, não passa de uma brincadeirinha muito original, a tombar para o inocente... nos dois lados do género humano. Certamente no pressuposto de que as lamecenses e os lamecenses são todos uma cambada de imbecis que não percebem o alcance de tanta criatividade luminosa.

Está exatamente de acordo e em linha com o perfil do candidato - quando comete (ou permite que se cometa) um erro indesculpável, é incapaz de ser suficientemente humilde para o reconhecer e, em vez de o ultrapassar pedindo simplesmente desculpas públicas, e pondo um ponto final no problema, insiste na asneira de o repetir até à sua expressão mais ridícula, parva e insultuosa que só a imaginação descontrolada de alguém pode e sabe produzir.

Agostinho Ribeiro

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

"Abjetivo" ou adjetivo?

 
O senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego acaba de fazer chegar ao conhecimento de toda a Vereação, que deu entrada nos serviços da Câmara Municipal de Lamego três notas de honorários de uma sociedade de advogados, referentes a processos-crime de difamação pública, que ocorreram há 9 e há 11 anos atrás… (isso mesmo, há 9 e 11 anos atrás) ao tempo e contra o anterior Presidente da Câmara de Lamego, Prof. José António Santos.
Pretende agora que a Câmara Municipal de Lamego ressarça essa sociedade de advogados com a irrisória quantia de 46.521,10 €, acrescidos do IVA à taxa legal em vigor.
Tamanho zelo não deixaria de ser intrigante, se… a sociedade de advogados, que dá pelo nome de “Elmiro de Sousa, Rosa Vasconcelos & Associados, Sociedade de Advogados, RL”, não fosse exatamente a mesma que agora presta serviço ao senhor Engenheiro Francisco Lopes e ao senhor José da Silva, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Lamego e seu chefe de gabinete, respetivamente, num processo-crime por suposta difamação do Vereador Agostinho Ribeiro, a estes mesmos senhores!
Moral da estória… Ele há sempre coincidências extraordinariamente convenientes!
Não sei abjectivar, perdão, adjetivar isto… Já se me esgotaram os termos!
Agostinho Ribeiro

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Pensar demais, sem cuidar da verdade, pode não ser o melhor...

 
 
Ao pesquisar alguns elementos que me pudessem dizer respeito, na net, dei comigo a revisitar um blogue intitulado "Clube dos Pensadores", onde fui chamado à colação, a propósito dos processos de nomeação das chefias da Administração Pública.
Reli com pesar aquele infeliz comentário sobre a minha pessoa, produzido por um tal senhor Joaquim Jorge (que não conheço, nem ele me conhece), e verifico agora que nenhuma correção ou alteração foi feita ao que escreveu, pese embora eu ter explicado, no comentário que então fiz, que o lugar em causa não era, nem é, de nomeação – era, e é, um lugar de direção estritamente técnico e preenchido, em situações normais, mediante concurso público.
 
Assim, permito-me hoje tomar a liberdade de escrever o seguinte, porque na altura, e no calor da indignação, não o fiz completamente:
 
1º - Eu já era diretor do Museu de Lamego, de forma contínua e ininterrupta, nos 13 anos antes de José Sócrates chegar a Primeiro-Ministro de Portugal, pelo que considero insultuoso e vil ser integrado num hipotético “grupo de socialistas que conseguiram renovar a sua comissão de serviço”, antes dele ter saído do poder. Até porque, precisamente, quem na altura não me pretendeu renovar a comissão de serviço foi alguém que tinha sido nomeado no tempo da governação de José Sócrates;
 
2º - Eu não conheço o senhor Joaquim Jorge de lado nenhum, como, pelos vistos, ele não me conhece a mim. Daí, talvez, a facilidade que teve de se arrogar ao direito, soez, de poder tecer comentários menos probos em relação à minha pessoa, dando a entender que eu seria alguém, ilegítima ou imoralmente, apegado ao poder. Mas não pode nem deve fazê-lo, pela simples razão dessa consideração ignorante ser absolutamente falsa e toda a minha vida profissional e pública ser disso um inquestionável exemplo. Sugiro-lhe apenas que siga o meu modesto exemplo – não produzo juízos de valor, e muito menos depreciativos, sobre pessoas, ou atos por elas produzidos, que não conheço;
 
3º - Daqui resulta o direito que agora me assiste de sugerir ainda ao senhor Joaquim Jorge que, antes de tecer quaisquer comentários sobre pessoas que não conhece, faça o favor de se inteirar primeiro sobre a vida delas e sobre as circunstâncias reais e legais que pretende abordar. Já no que a mim me diz respeito, posso afirmar, sem quaisquer sombra de dúvidas, que sou, pelo menos, tão honesto, sério e defensor da ética e da moral públicas, e também da “higiene e postura na função pública”, como ele parece ali querer evidenciar que é, e que dou de barato que seja. Porque eu admito que haja pessoas que sejam tão sérias e honestas como eu sou, no exercício e por causa das funções públicas que desempenham ou desempenharam. Mas mais do que eu, não são de certeza absoluta!
 
4º - Já agora, e para ilustrar devidamente o que digo, informo que eu exercia o cargo de Administrador da Fundação Museu do Douro, por nomeação e em representação do Ministério da Cultura do Governo de Portugal, e sempre que os titulares políticos mudavam, eu colocava, também sempre, o meu lugar à disposição dos que se lhes seguiram. Mesmo quando se mantinha o Governo e mudava apenas o titular da pasta da cultura. E precisamente por causa das minhas discordâncias de fundo sobre o rumo que a política museológica nacional estava a tomar, demiti-me desse cargo, por entender que a minha manutenção no mesmo era incompatível com a tal seriedade e honestidade que, pelos vistos, ambos defendemos e eu pratico rigorosamente.
 
 Portanto, sei bem diferenciar o que é estar num lugar por direito e mérito estritamente profissionais e estar noutro por nomeação, em razão da confiança pessoal e política que lhe está associada!
 
 
Finalmente, o senhor Joaquim Jorge tem todo o direito de pensar e defender que as chefias intermédias (diretores de serviço e chefes de divisão) devam também elas ser preenchidas por nomeação política. Não tem é o direito de obrigar os outros a agirem em conformidade com o seu pensamento, enquanto as leis da República assim o não estabelecerem devidamente. Deturpar a verdade das coisas, como fez ao transmitir deliberadamente a “ideia” de que o lugar em causa era de nomeação política, quando a lei assim o não concebe (e quando, precisamente pelo contrário, estabelece que é por concurso público), é que não pode ser aceite por quem sai prejudicado, na sua imagem profissional e na sua honorabilidade pessoal, como é o meu caso.
 
Este meu novo esclarecimento surge pela releitura que fiz, agora ainda mais incomodado e indignado, a propósito do descaramento que teve ao tecer comentários completamente desapropriados sobre a minha pessoa, verificando que se não deu sequer ao trabalho de responder às considerações que então, e oportunamente, ali deixei lavradas.
 
Depois disto que aconteceu, há um ano e quatro meses, já eu fui readmitido como diretor do Museu de Lamego, para quase logo de seguida ser substituído de novo, num processo iníquo, vergonhoso e eticamente reprovável, fazendo já quase um ano que o Museu de Lamego é dirigido por um individuo nomeado, não tendo ainda sido aberto qualquer concurso público para preenchimento do lugar, como estabelece a lei que a todos nos rege. Ou, em alternativa e seguindo o pensamento legítimo do senhor Joaquim Jorge, alterando a lei e colocando a este nível apenas comissários políticos do Governo que estiver em funções, como não se faz em qualquer País civilizado e democrático.
Obrigado.
 
Agostinho Ribeiro

Ainda a tempo:

Joaquim Jorge entendeu dar-me uma resposta no seu blogue, nos termos que segue:

Nada temos contra o Sr. Agostinho Ribeiro, além de lermos no jornal Público , o qual , se bem me lembro nunca foi desmentido.

Porém a questão aqui abordada é o funcionamento na função pública e lugares de nomeação , nunca contra A , B ou C.

Cumprimentos,

JJ

O que, evidentemente, não poderia deixar de merecer um novo comentário da minha parte, pela evidência de uma resposta completamente desfasada do texto inicial. Obrigou-me, portanto, à seguinte resposta:

Lamento muito ter de o contraditar de novo, mas não posso deixar de o fazer, em função do que agora afirma e da forma como o faz.
Começo por referir que registo o uso do recurso estilístico do plural majestático sem, contudo, alcançar o seu sentido ou pertinência no caso vertente.
É que eu uso também, ainda que raramente, tal recurso, mas quando o faço, faço-o na qualidade de Vereador, pretendendo com tal recurso representar as perto de quatro mil pessoas que em mim votaram, e não mais que isso. Não sei quantas pessoas pretende aqui representar ao usar tal recurso estilístico, mas sempre lhe digo que gostaria de o saber...
Depois, não percebo a necessidade da existência de um qualquer desmentido no jornal onde leu a notícia, como elemento de validação de um outro entendimento que não o que aqui apresenta a todos os seus leitores. Não faz qualquer sentido esgrimir um desmentido sobre um ato que efetivamente ocorreu, sendo precisamente o ato, e não o seu contrário ou inexistência, que motivaram as suas considerações por mim entendidas como abusivas, no que se refere à minha pessoa.
Finalmente, se a questão abordada "é o funcionamento na função pública e lugares de nomeação", porque carga de água foi buscar um exemplo que não é de nomeação, mas sim de concurso público, que nada tem a ver com tachos ou compadrios e tem tudo a ver com méritos profissionais? Poderia ter ido buscar um exemplo consentâneo com essa realidade que pretendeu criticar e não o que decidiu usar, já que tal exemplo era exatamente contrário ao que pretendia demonstrar. Isto porque, se agora refere que não era contra A, B ou C, fica por explicar porque razão é que foi usar, precisamente, uma pessoa em concreto, chamada Agostinho Ribeiro? Poderia ter-se ficado pela tal abstração de um qualquer A, B ou C, mas a verdade é que o que se encontra no seu texto é um nome preciso, de uma pessoa concreta, referindo-se diretamente a uma situação real, que aconteceu efetivamente.
Já basta o que escreveu, falsamente, e as conclusões que tirou, abusivamente, sobre o meu caso pessoal, para que lhe possa agora conceder o beneplácito de ainda por cima tentar fazer de mim alguma espécie de néscio, que não sou.
Uma singela manifestação de alguma contrição, tanto bastaria para que eu me sentisse reparado nos danos que me causaram as suas ínvias considerações, mas constato que tal qualidade não faz parte da sua maneira de ser. Outras farão, certamente.
Cumprimentos,
Agostinho Ribeiro


Ao que Joaquim Jorge, retorquiu:


Clube dos Pensadores20/06/13, 10:04

Meu caro , a forma como se refere a mim e ao Clube é lamentável. Limitei-me a ler essa noticia no jornal Público e que eu saiba nunca foi desmentida...

Porém passado tanto tempo vem insurgir-se contra mim de uma forma inaudita e exagerada.

Por outro lado , não se preocupe com a minha opinião e escrita eu não sou ninguém . O seu caso é vereador , foi director de um Museu and so on...E provavelmente está preocupado com alguma coisa , pois deve concorrer a qualquer coisa nestas eleições autárquicas ou tem algo em vista.

O que escrevi mantenho pois a partir de um caso falo no geral... Não o conheço , nem sei quem é , nem pretendo prejudica-lo ou ocupar qualquer lugar.

Extratos do que disse e reitero:
(...)De uma vez por todas quando um novo governo toma posse , todos os lugares públicos da hierarquia deveriam colocar o seu lugar à disposição mostrando desapego ao poder e facilitando a vida a quem chega. É perfeitamente natural colocar-se nos lugares pessoas de confiança e com quem nos relacionamos, é humano e importante para haver uma boa relação de trabalho e pessoal(...)


Eu sou um simples cidadão que pensa , se me permite...

JOAQUIM JORGE
E eu respondi:


Este seu último comentário até teve o condão de me fazer sorrir, por me comprovar, se dúvidas houvesse, do quanto pode ser casuístico e irracional o discurso de alguém, quando pretende discorrer sobre o que, ou quem, manifestamente, não conhece. Passe bem, que não o incomodarei mais nos seus pensamentos.
Agostinho Ribeiro


Dando aqui por encerrada, da minha parte, esta desavença intelectual e conceptual.
Agostinho Ribeiro

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Adenda ao "Breve ensaio..."


Se o facto de se não ter ainda aberto concursos públicos para as direcções intermédias das entidades museológicas tuteladas pelas direcções regionais de cultura, (que eu critiquei duramente no meu artigo anterior, exemplificando com o meu próprio caso profissional), se deveu a uma orientação estratégica de transparência e rigor em que se privilegiou primeiro a resolução legal dos concursos para as direcções superiores, para só depois se resolverem os processos concursais das direcções intermédias, então eu devo reconhecer aqui que não tive razão na minha indignação manifestada na parte I do meu último artigo, "Breve ensaio sobre a desonestidade política e intelectual".
Isto porque não posso deixar de concordar com o princípio que agora percebo ter sido definido e implementado, e que subscrevo inteiramente, como não pode deixar de ser subscrito por qualquer pessoa de bem, lamentando apenas que o mesmo não tenha sido suficientemente publicitado e divulgado, para todos percebermos o que se estava a passar.
A falta de informação útil sobre estas matérias é, pois, a única razão que agora se me impõe protestar, em defesa de um erro de análise por mim produzido, precisamente por não se ter dado ao conhecimento público que esta estratégia procedimental estava a ser devidamente implementada.

Como é meu timbre, quando me apercebo que não fui justo na apreciação que faço, assumo o erro e peço que mo relevem apenas porque foi, neste caso concreto, proferido com base na ausência de informação devida e adequada sobre as razões que têm levado a tanto atraso nestes procedimentos concursais.
Obrigado

Agostinho Ribeiro