quinta-feira, 27 de março de 2014

“Museus: as coleções criam conexões” *



I

Que conexões conseguimos criar?

Encontramo-nos na fase final do processo de contatos com as diversas entidades públicas e privadas da cidade e região de Viseu.
Grosso modo, estes contatos serviram para uma apresentação informal de cumprimentos, como mandam as regras da boa educação institucional, e do protocolo que prezamos respeitar, para além de procedermos à análise mais circunstanciada da situação existente nas relações bilaterais que vamos mantendo com cada uma destas entidades.
O resultado não podia ser mais positivo, uma vez que se traduziu em mais de três dezenas de contatos estabelecidos, tomando consciência de que muitas destas importantes parcerias assentaram em planos informais e avulsos de colaboração, e que agora entendemos necessário que se valorizem e revitalizem, através da assinatura de protocolos específicos, com o intuito de regulamentar e normalizar tais relações.
Aliás, no ano em que o ICOM, Conselho Internacional dos Museus, estabelece como tema central das comemorações do Dia Internacional dos Museus e, por extensão, como temática fulcral do ano que corre, a lúcida constatação de que “as coleções criam conexões”, nada melhor que dar amplitude concetual a esta legenda, e projetar tais relações, ou conexões, no grande desiderato funcional que vai muito para além do sentido, mais contido, que damos às relações promovidas pelo acervo museológico, “tout court”, de que somos fiéis depositários.
E é aqui que voltamos sempre à pergunta primeira, na certeza de nunca a sabermos responder integralmente – para que serve um museu? Neste caso concreto, para que serve o nosso Museu, se para além de (salva)guardar um património artístico de eleição, não procura permanentemente dar visibilidade a tais coleções e, por via dessa procura, não contribui para o enriquecimento individual e coletivo da sociedade que serve…?


II

Que sentido tem sermos mais do que somos?

A questão é sempre pertinente. Se o sentido utilitário das coleções, no plano da mera fruição hedonística, transporta consigo uma parte essencial da razão de ser do museu, ou melhor, das coleções que fazem o museu, então será sempre importante não nos esquecermos que as coleções a todos servem, porque a todos toca, de forma mais intelectualizada ou mais sensorial, consoante o que sabemos e o que somos, nos planos da mundividência em que cada um de nós se situa… A todos, não por igual, porque todos somos indivíduos diferenciados, na igualdade de sermos humanos, mas de forma desigual, porque devemos perceber que esse tal direito a ser diferente é, ou deve ser, intrínseco à nossa construção do bem social comum!
“Museus – as coleções criam conexões”… Num convite para o olhar atento ao cartaz destas comemorações, verificamos quanta riqueza de conceitos, de valores, de comportamentos, de descobertas, de atitudes, de resultados, nós podemos encontrar ao olhar para uma peça, para uma coleção, ou até mesmo para alguém que, ao nosso lado, as olha também com o seu olhar especial de ser, precisamente, igual a nós no direito de olhar, e diferente do nosso, no direito de as interpretar e fruir segundo os padrões que lhe serão próprios!
Portanto, a 18 de maio, mas também e tanto no antes, como no depois, o nosso Museu Grão Vasco continuará a criar conexões, por reforço às existentes, e continuará a construir novas parcerias e relações, através das quais pretendemos atingir maiores e mais diversificados públicos, precisamente porque cada instituição ou entidade representam e significam diferentes beneficiários na fruição do nosso magnífico património artístico.
Que permanentemente convidamos a (re)visitar…!
Obrigado.

Agostinho Ribeiro

* Texto retirado da página facebook do Museu Grão Vasco, intitulado A Palavra ao Diretor | 02.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Museu Grão Vasco *


Ao iniciarmos um novo ciclo na vida desta nossa instituição de cultura viseense, assiste-me o grato prazer de partilhar, com todos os amigos e colaboradores do Museu Grão Vasco, algumas considerações que considero oportunas fazer neste momento, para memória futura.
São breves estas primeiras notas, e elas resultam da necessidade que, hoje em dia, todas as instituições públicas têm de prestar informação aos cidadãos que as suportam, por razões de transparência e rigor no exercício das nossas obrigações funcionais, tanto mais que se trata de expressar, junto da comunidade que servimos, os nossos propósitos de levar a bom termo os projetos culturais que pretendemos realizar ao longo dos próximos anos.
Mas antes de mais, e até porque somos uma entidade que valoriza, por definição, o passado (que pretendemos manter sempre presente), nas suas múltiplas e diversas componentes, não podíamos deixar de expressar publicamente o nosso reconhecimento pelo excelente trabalho desenvolvido pelo anterior diretor do Museu Grão Vasco, o Dr. Sérgio Gorjão, que emprestou a esta casa, e à causa museológica nacional, todo o seu saber e competência técnica e científica a favor da realização dos diversos projetos que deram sentido e projeção à vida do Museu Grão Vasco durante estes últimos anos.
Esforçado, sistemático, rigoroso e perseverante, com uma perceção muito clara de que os Museus não vivem apenas do fogacho momentâneo e fugaz de um qualquer mediatismo que nos catapulta para as páginas dos jornais, apenas e somente porque estamos a fazer o que devemos fazer (e quantos o fazem sem a preocupação das luzes permanentes dessa ribalta, tantas vezes motivada por propósitos esconsos), Sérgio Gorjão desenvolveu um profícuo trabalho de organização interna dos nossos serviços, de gestão dos nossos espaços técnicos e de um bem fundamentado e sustentado conjunto de atividades, que muito projetaram para o exterior a riqueza, o valor, a importância e o significado da nossa instituição museológica e, por via disso, afirmando o Museu como uma instituição incontornável no panorama cultural da nossa urbe.
Em perfeita sintonia e interlocução com os cidadãos que entenderam beneficiar dos nossos serviços, devemos ainda acrescentar.
Por isto, e pelo muito mais que seria fastidioso aqui e agora enumerar, deixamos publicamente expresso o nosso bem-haja por tudo o que fez à frente dos destinos do Museu Grão Vasco.
É claro, por outro lado, que nenhum destes propósitos e realizações seriam possíveis sem o permanente empenho, dedicado e zeloso, de uma equipa de colaboradores do museu que, no dia-a-dia desta instituição, tudo fazem para que o Museu Grão Vasco se engrandeça no desígnio missionário e, engrandecendo-se, engrandeça também a cidade e a região que servimos e a que pertencemos – Viseu!
A esta equipa de colaboradores do Museu Grão Vasco, expressamos também o reconhecimento por tudo o que têm vindo a fazer, no exercício exemplar das suas funções profissionais, e na certeza de que tais procedimentos e desempenho terão a sua continuidade normal, como todos pretendemos e desejamos que aconteça.
É, pois, chegada a hora de iniciarmos uma nova fase na vida do nosso Museu, que continuará igual a si mesmo em tudo quanto represente, signifique e valorize as boas práticas museológicas e museográficas; técnicas e científicas; éticas e deontológicas, procurando as melhores soluções para os velhos problemas que ainda nos afetam operativamente, mas agora projetando o seu desígnio maior para o ano centenário que se avizinha – 2016.
Mas sobre isso, teremos tempo e oportunidade de refletir em conjunto, num processo de partilha com as pessoas e com as instituições públicas e privadas que assim o desejarem fazer.
Da nossa parte, apenas queremos deixar, para já, um registo público de apreço pelo muito que já se fez pelo Museu Grão Vasco, e pelo muito que ainda se fará a seu favor, que o mesmo é dizer, a favor de todos nós, porque o Museu Grão Vasco é uma casa de cultura onde todos têm lugar, por direito próprio e inalienável de cidadania.
Obrigado.
Agostinho Ribeiro

* Texto retirado da página facebook do Museu Grão Vasco, intitulado A Palavra ao Diretor | 01.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Da arbitrariedade sem sentido, a propósito de algumas mudanças.


Esperei propositadamente alguns meses, não me pronunciando publicamente sobre a mudança de logotipo do Museu de Lamego, apenas para confirmar aquilo que eu já antevia há muito tempo - a indiferença dos lamecenses sobre assuntos e matérias públicas que lhes dizem respeito é verdadeiramente deprimente!
Não me refiro, obviamente, a todos os lamecenses. Não digo que os graus de responsabilidade pela indiferença sejam iguais para todos, porque não são, mas é extremamente penoso olhar para uma terra como a nossa e constatar, cada vez mais, a submissão e o silêncio confrangedor perante a podridão dos procedimentos seguidos em setores de serviço público; perante a imoralidade dos atos vingativos do poder local vigente; e o “compadrio” vergonhoso que começa a fazer escola em Lamego. Silêncio esse que mais não faz do que validar estas vergonhas coletivas…
E que resulta, como não podia deixar de ser, na mediocridade dos atos de quem pretende afirmar uma posição que a ética e a moral públicas jamais aceitarão que se afirme!
Vem este introito a propósito de uma “mudança” feita no logotipo do Museu de Lamego, protagonizada por um senhor que está à frente dos destinos desta instituição de cultura lamecense em regime precário de substituição, até à abertura do concurso público, mas que nem por isso deixa de agir como se fosse diretor no pleno exercício de tais funções, que não é!

Parece coisa pequena e desprovida de importância, mas na verdade é pelos exemplos das pequenas coisas que podemos avaliar os grandes gestos e as maiores ou menores qualidades dos seus autores...
 
 
O anterior logotipo do Museu de Lamego representava a sua fachada estilizada, antigo Paço Episcopal de Lamego, transmitindo assim, de imediato, úteis informações sobre a instituição que simbolizava.
Pela observação do antigo logotipo as pessoas ficavam logo a saber:
1º - Que o Museu em causa estava instalado num palácio de traça barroca, pela visualização imediata de um edifício de generosas dimensões e razoável imponência arquitetónica, dando logo a imagem de estarmos perante um museu dotado de boas condições espaciais, o que lhe afirmava desde logo um estatuto de forte dignidade institucional;
2º - Que por esse facto, e tendo em conta as associações mentais que logo se estabelecem, se percebia facilmente que estávamos perante um Museu de Arte Antiga, por causa da natural e normal associação que todos fazemos de edifícios clássicos antigos, na sua relação com conteúdos museológicos condicentes com tais realidades;
3º - Que por via destas duas constatações, que o antigo logotipo de imediato fazia perceber a todos os que o viam, a cidade de Lamego ficava associada à existência de uma entidade museológica de grande dimensão e qualidade, a sugerir desde logo, a propriedade de um património artístico de excelência, como de fato é o acervo do nosso Museu.
 
 
Com o novo logotipo, dois quadrados sobrepostos e desnivelados, que nada dizem ou significam para o conteúdo do museu que simboliza, não sei que associações mentais e simbólicas se pretendem alcançar com estes traços supostamente modernos… Não se vislumbra, de imediato, qualquer relação visual e simbólica com o tipo de museu que pretende representar, nem se percebe qualquer lógica relacional com o importante acervo que o mesmo alberga. Tentemos...:
- Numa muito remota e forçada associação a dois cubos de pedra (???), será que se pretende a valorização da coleção de arqueologia, em auto honorífico elogio, dedicado ao neófito diretor em regime de substituição, pelo fato de ele ser arqueólogo, dando assim a ideia completamente errada que o Museu de Lamego é um museu de arqueologia, em vez de um importante museu de arte?
- Numa ainda mais remota associação visual, será algum elogio indireto à National Geographic Society, pela nítida similitude com o retângulo vazado que é o símbolo mundialmente conhecido desta prestigiada instituição, dando assim a ideia errada de que o Museu de Lamego é um museu de história natural, em vez de um importante museu de arte?
- Ou será que não passa, simplesmente, de uma indigente arbitrariedade sem sentido, produzida por alguém que não tem competência para o fazer, dada a sua situação diretiva precária, nem possui sequer um mínimo de discernimento para saber que tipo e alcance de atuação lhe está concedida, por via de tais limitações?
É que a alteração de um símbolo público, de uma instituição pública, que vai perdurar para além da brevidade das situações precárias de cada um, não pode nem deve ser executada por alguém que se encontre em regime de substituição. Ainda por cima, produzindo uma alteração à imagem pública da instituição que serve, sem qualquer discussão pública adequada, como mandariam as regras da boa conduta de um qualquer dirigente da administração pública.
Parece, portanto, que a ideia é a da ânsia de produzir mudança, seja ela qual for, custe o que custar, dê por onde der, por mais inconsistente e sem sentido prático e simbólico que tal mudança possa representar.
É pouco, e é burrice. Mas é no que querem que Lamego se transforme...
Pois que tenham bom proveito, que a mim já se me começa a faltar a paciência para estar permanentemente a tentar contrariar tamanha falta de respeito pelos lamecenses, uma vez que uma grande parte destes até parece que apreciam e apoiam a indigência das coisas sem lógica, sem sentido e sem fundamento. Mas com gastos perdulários, como convém, para ajudar este País a enterrar-se ainda mais!
Agostinho Ribeiro

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

As verdades do "mentiroso" contra as mentiras do "verdadeiro"!


 
 
O senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego deixou lavrado em ata que eu tinha mentido quando procedi à leitura da minha declaração de final de mandato. Fui, no entender dele, mentiroso em 5 considerações que produzi nessa declaração, que tenho publicada aqui no meu blogue com o título “Declaração política de final de mandato” com data de 15 de outubro de 2013.
 
I

Procedamos então ao esclarecimento público devido, para se saber quem, afinal, mente ou diz a verdade:
1º – Declarou ele o seguinte, e cito: “Mentira, quando referiu que a taxa de IMI em Lamego era a máxima, quando não é, pois a nossa taxa de IMI é de 0,4% e a taxa máxima prevista na lei é 0,5%.”
Ora, eu já tinha explicado no meu blogue que o volume maior das receitas municipais do IMI era proveniente dos prédios urbanos que se encontravam no regime da alínea b) do nº 1 do artigo 112º do CIMI, e não os da alínea c), que o Presidente da Câmara refere. Estes valores correspondem, grosso modo, à receita que o Município de Lamego foi obtendo ao longo dos anos, como se demonstra pelo gráfico que segue:
2008
1 891 211,65 €
2009
1 818 617,10 €
2010
1 921 798,32 €
2011
2 099 669,40 €
2012
2 235 606,52 €
2013*
1 761 661,30 €

*Até setembro de 2013.
Assim,
a)      Projetando a receita para 2013 na média do crescimento dos últimos anos (6%) teremos um encaixe financeiro ao abrigo da alínea b) do Código do CIMI na ordem dos 2.369.742.36 €;
b)      Projetando a receita total no dobro da que já está arrecadada em setembro do corrente ano (sendo de crer que não duplicará até ao final do corrente ano), teremos uma receita total de 3.523.322,60 €.
Verifica-se, pois, que mais de 2/3 da receita (67,3%) se deve à aplicação da taxa máxima do IMI, pela percentagem de 0,8% nos termos da alínea b); e menos de 1/3 da receita restante (32,7%) se deve à aplicação da taxa média de 0,4% do IMI pelos prédios avaliados nos termos da alínea c) do CIMI.
Logo, se eu sou “mentiroso” neste particular, sou-o apenas em 32,7% da verdade global, e quem me contradiz, chamando-me mentiroso, é “mentiroso” em 67,3% dessa mesma verdade total!
 
2º – Declarou ele o seguinte, e cito: “Mentira, quando referiu que as nossas taxas de água e saneamento eram das mais altas do país, quando não o são, sendo tarifas dentro da média e, se fossem superiores, seria sempre pela má decisão do Partido Socialista de aderir às Aguas de Trás-os-Montes e Alto Douro, ao invés de investir num projeto municipal de captação e tratamento de água em Penude”.
Sobre este assunto, manda a verdade que se diga que, para um consumo médio por mês de 10 m3 de água, a respetiva fatura média a pagar pelos portugueses ronda os 20,69 €, estando o Município de Lamego integrado no lote dos 52 municípios mais caros de Portugal, de entre os 281 analisados, num estudo recentemente divulgado pelo Público (com data de 3 e 4 de maio de 2013, e nunca desmentido), com um valor médio de 24,38 €.
Apenas o mais caro do distrito de Viseu e um dos mais caros de Portugal, estando situado nos 20% dos mais onerosos para os seus munícipes!
O “mentiroso” disse, portanto, a verdade, e o que se pretende passar por verdadeiro faltou à verdade, ao dizer que não era verdadeira tal constatação!
Quanto à questão das Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, sendo lateral ao assunto aqui em causa, sempre se dirá que bem pior (muito pior) que a decisão do Partido Socialista é a pretensão já declarada de privatizar o serviço de um bem público essencial, como defende o PSD e o CDS.
3º – Declarou ele o seguinte, e cito: “Mentira, ao referir que o valor da dívida é de 33.000.000 € e não de 27.000.000€ como efetivamente se verifica e está patente em informação publicamente disponibilizada.
O “mentiroso” não sabe a que informação publicamente disponibilizada se refere o Presidente da Câmara, nem ele a especificou. Mas o “mentiroso” sabe muito bem onde se baseou para tecer as considerações que teceu – baseou-se na informação financeira publicamente disponibilizada pelo Presidente da Câmara para a última sessão da Assembleia Municipal de Lamego, com data de 10 de setembro de 2013.
Nessa informação, que o Presidente da Câmara é obrigado a prestar, nos termos da lei, consta o encaixe da uma receita de 15.832.067,35 € pela subscrição do PAEL (Programa de Apoio à Economia Local) e Saneamento Financeiro, que configuram novos endividamentos bancários, como não podia deixar de ser.
Ora, se somarmos estes milhões aos 12.602.347,23 € que se encontram expressos nas contas de 2012 como endividamento bancário, temos a módica quantia de 28.434.414,58 € de dívida à banca!
Nesse mesmo documento de informação financeira com data de 10 de setembro de 2013, no designado balancete de terceiros (tudo oficial e público, como se pode verificar) existe um crédito não saldado a terceiros de 5.177.507,46 €. Somando estes dois montantes temos a módica quantia de 33.611.922,04 € como dívidas assumidas nessa data. E nem sequer fazemos referência aos mais de 11 milhões de euros de compromissos assumidos e não pagos, nessa mesmíssima data, e que duvidamos muito que sejam saldados na sua totalidade até ao final do ano… Mas isso verificaremos aquando da análise que não deixaremos de fazer às contas oficiais de 2013.
Mais uma vez, o “mentiroso” disse a verdade, pelo menos aquela que está disponibilizada nos documentos oficiais, e o corretor das mentiras, mentiu, com a desfaçatez de quem pensa que são todos néscios como aqueles que ainda nele acreditam.
4º - Declarou ele o seguinte, e cito: “Mentira, ao referir que o endividamento do município já foi excedido.
Aqui, o Presidente da Câmara já vai um pouco mais longe na sua doentia obsessão de me contraditar, colocando na minha declaração afirmações que eu não fiz, uma vez que eu não afirmei que o endividamento do município já tinha sido excedido, mas sim que o endividamento bancário tinha ultrapassado os limites gerais permitidos por lei, o que é bem diferente, e baseei-me no Relatório do auditor externo sobre a informação financeira referente ao 1º semestre de 2013 que diz expressamente, e cito: “Relativamente ao endividamento bancário, está excedido o endividamento de médio/longo prazo”. (Pág. 21, último parágrafo).
O “mentiroso” disse, uma vez mais, a verdade… E o que se pretende passar por verdadeiro, ao contraditar tal afirmação, fugiu a ela.
5º - Finalmente, declarou ele o seguinte, e cito: “Mentira, ao dizer que existem processos, ainda, a decorrer no Tribunal de Contas, quando o único processo existente, decorrente da auditoria à conta de gerência de 2008, foi definitivamente arquivado e desse facto o Dr. Agostinho Ribeiro já teve conhecimento, através de ofício da Senhora Procuradora junto do Tribunal de Contas.”
A única referência que o “mentiroso” fez a processos do Tribunal de Contas prende-se com a cessão de posição contratual e de cessão de exploração relativas às duas empresas envolvidas no processo do Pavilhão Multiusos que, conforme se encontra expresso no ACÓRDÃO N.º 24/2012 - 13.jul. - 1ª S/SS, (Processo n.º 282/2012), publicamente disponibilizado no lugar internet do Tribunal de Contas refere, na parte III das Conclusões, o seguinte:
“58. Dado ter-se apurado que foram celebrados contratos que não foram remetidos para fiscalização prévia, decidem ainda mandar prosseguir o processo para apuramento de eventuais infrações financeiras, que não tenham sido já identificadas no âmbito da fiscalização sucessiva, face ao disposto na alínea h) do nº 1 do artigo 65º da LOPTC.”
Até ao presente momento, o “mentiroso” não tem conhecimento de nenhum arquivamento deste processo.
Quanto ao arquivamento do processo referente às Contas de 2008, tal arquivamento deveu-se ao fato de os infratores terem já pago as suas multas, e nada ainda se pode afirmar no que respeita à componente penal de tal processo, que me escuso neste momento de abordar com maior detalhe, por razões de natureza judicial.
Uma vez mais se demonstra quem mente e quem o não faz…!
II
Para finalizar, e agora num registo mais a título pessoal, ainda que político, deixo aqui lavrado que o senhor Presidente da Câmara usa e abusa deste tipo de afirmações contra a minha pessoa, não se inibindo de me apelidar de mentiroso e de insano. É claro que se estas afirmações tivessem procedência numa pessoa intelectualmente honesta e politicamente séria, seriam por mim consideradas como verdadeiramente insultuosas, passíveis de outro tipo de respostas. Mas assim, vindo de quem vem, de uma pessoa desprovida de qualquer nobreza de carácter, não me afetam absolutamente em nada.
Estou habituado já a quem não passa de um mero e mesquinho litigante de má-fé, usando os dinheiros públicos para intentar ações judiciais contra a minha pessoa, pelo meu exercício democrático, e constitucionalmente legítimo, de manifestar a minha opinião política sobre assuntos de relevância pública. E devo dizer que já foram três ações desta natureza: - a primeira foi arquivada; na segunda fui absolvido, depois do próprio Ministério Público, que inicialmente deduziu acusação contra a minha pessoa, ter pedido a minha absolvição no final do julgamento; e a terceira está agora a decorrer, e terá seguramente o mesmo resultado das restantes, como não pode deixar de ser num Estado Democrático e de Direito!
Havendo muito mais a referir, fico-me, por ora, por aqui… Mas que não subsistam quaisquer dúvidas - o pretenso mentiroso não teme dizer as verdades, e não deixará de as dizer mesmo sendo objeto de perseguição pessoal e profissional, como lhe tem vindo a acontecer até este momento…!
Agostinho Ribeiro

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Declaração política de final de mandato como Vereador da Câmara Municipal de Lamego.

Foi hoje a última reunião do executivo camarário referente ao mandato autárquico 2009/2013.
Impunha-se, portanto, proferir algumas breves considerações políticas sobre o que pensamos deste exercício. Reproduzo aqui, na íntegra, a declaração por mim proferida esta manhã, dia 15 de outubro de 2013.
 

 
 
 
 
 
Senhor Presidente
Senhores Vereadores
Ao finalizarmos o mandato autárquico para que fomos eleitos em 2009, cumpre-me tecer as considerações políticas que se impõem tecer, no quadro de um sintético balanço crítico ao exercício gestionário da coligação PSD/CDS, e que foi merecendo duros e assertivos reparos ao longo destes quatro anos, por parte do Partido Socialista, que aqui me orgulho de representar.
Reconheço que a tarefa não é fácil, tantos foram os desmandos gestionários e tantas foram as irresponsabilidades políticas cometidas por este executivo, pelo que me limitarei a tecer alguns comentários sobre as questões mais relevantes que ao Município de Lamego dizem respeito.
Este mandato não podia ter sido pior para os lamecenses, sob a batuta nada esclarecida do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego, Engenheiro Francisco Lopes, mas ao qual não podemos, nem devemos, excluir todos os que participam, apoiam e integram as listas da coligação PSD/CDS, e que apenas se manterão no poder autárquico por força, precisamente, desta coligação política que ficará na História de Lamego como a produtora de enormes malfeitorias públicas como não há memória na nossa terra.
Comecemos, pois, com as questões fulcrais da dívida pública municipal versus investimento realizado, na ótica da execução orçamental e, posteriormente, na perspetiva do retorno razoável de tal investimento. Trataremos, seguidamente, da absurda constituição de uma empresa vocacionada ao fracasso e à insolvência desde o seu nascimento, passando pelo completo desnorte da construção de um Pavilhão Multiusos que ficará na história de Lamego como o pior investimento alguma vez realizado na nossa terra.
I
Da execução orçamental:
1º - Se fizéssemos um quadro síntese do que foram estes quatro anos de mandato autárquico, em termos de investimento, diríamos que foram aplicados em despesas de capital, grosso modo, 50 milhões de euros, cuja proveniência pode ser assim repartida – 15 milhões de fundos comunitários (30%); 19 milhões de empréstimos bancários (38%); 6 milhões por transferência das receitas correntes para despesa de capital (12%); e, finalmente, 10 milhões provenientes das receitas próprias de capital do município lamecense (20%).
2º - Verifica-se, desde logo, que a execução orçamental do investimento público, na relação entre o estimado e o executado, expressa-nos um valor percentual muito criticável – atente-se às percentagens da execução orçamental em 2010 – 32,21%; 2011 – 45,52%; 2012 – 45,8%; 2013 – 60%, para constatarmos esta indevida e muito incorreta forma de inscrever verbas estimadas muito acima das que realmente sabemos que serão executadas, criando o que os Digníssimos Juízes do Tribunal de Contas apelidam de “ilusão de suficiência” para, assim, se permitirem a imoral integração de projetos de obras que não poderão ser executadas, por falta de financiamento efetivo, enganando-se os cidadãos que acalentam a esperança do contrário. À exceção do ano de 2013, que ainda não podemos avaliar devidamente, mas que sabemos já que a melhor performance se vai dever ao PAEL, e nada mais, todos os restantes anos nos demonstram que se estimam valores em mais do dobro do que depois se consegue realizar.
3º - Por outro lado, podemos verificar que, em quatro anos, este executivo conseguiu a extraordinária proeza de endividar Lamego de forma ainda mais assustadora do que já tinha feito no mandato anterior, passando dos indesculpáveis 15 milhões de euros de dívida à banca, a 31 de dezembro de 2009, para os atuais inenarráveis 28 milhões de euros, em resultado do último recurso disponibilizado pelo Estado às Câmaras mais endividadas do País, e que dá pelo nome de PAEL. Mesmo assim verificamos já que esta Câmara se encontra de novo em irresponsável ascensão nos valores das dívidas não liquidadas a fornecedores, atingindo rapidamente os mais de 5 milhões de euros, como se estivéssemos a viver no melhor dos mundos…
4º - Este deplorável processo da dívida pública municipal lamecense pode, e deve, ser interpretado na sua relação direta com a dívida nacional, em percentagem dos respetivos PIB’s, uma vez que todos os municípios portugueses contribuem para a boa ou má prestação das contas públicas nacionais. Assim, e com base nos valores das receitas anuais do município, excetuando, por razões óbvias, as obtidas por recurso aos empréstimos bancários, para construção do PIB municipal, temos as seguintes percentagens:
- Em 2005, no último mandato sob a presidência do Partido Socialista, o concelho de Lamego possuía uma dívida pública em percentagem do PIB municipal na ordem dos 59%, a que correspondia uma contribuição positiva no abaixamento da dívida pública nacional, que se situava então nos 63%. Lamego era, então, um orgulhoso concelho que ajudava Portugal a fazer baixar a média da dívida pública nacional.
- Em 2009, no final do primeiro mandato da coligação PSD/CDS, a dívida municipal ascendia já a perto de 25 milhões de euros, com uma dívida pública situada nos 136% do PIB municipal, já mais de 52 pontos percentuais acima da dívida pública portuguesa que, nesse ano, se fixou em 84% do PIB nacional. Isto significa que bastaram 4 anos de governação da coligação em Lamego, do PSD/CDS para assistirmos à contribuição extraordinariamente negativa do nosso concelho para a dívida pública portuguesa. A partir do momento em que a coligação PSD/CDS passou a gerir os nossos destinos, também Lamego passou a estar do lado dos que pioram a situação financeira portuguesa!
- Agora, em 2013, e ainda que o ano não tenha terminado, podemos já avançar para uma estimativa da situação financeira da Câmara Municipal de Lamego ainda mais gravosa e inaceitável do que aquela que ocorreu no mandato anterior, porquanto já nos encontramos com uma dívida pública municipal, a 10 de setembro do corrente ano, em 227% do PIB municipal, com uma trajetória da dívida a terceiros de novo em ascendência, já fixada, como atrás se disse, em mais de 5 milhões de euros neste momento, pese embora o encaixe de perto de 16 milhões de euros que acabou de dar entrada nos cofres municipais para liquidação deste tipo de dívidas camarárias.
Esta trajetória incontrolável da dívida, permite-nos admitir que chegaremos ao final do ano com uma dívida em percentagem do PIB escandalosamente superior à dívida pública nacional, muito provavelmente acima dos 200% do PIB municipal, sendo que todos nós sabemos e conhecemos bem a forma desastrosa como a coligação PSD/CDS tem governado Portugal, incapaz também ela de controlar a dívida nacional, o que agrava de forma exponencial a total e completa irresponsabilidade desta gestão autárquica, que consegue ser pior no controle do endividamento municipal que a própria má governação do País, ambas assumidas pela mesma coligação político partidária. Enfim, é mau demais para ser verdade!
5º - Portanto, quando alguns pensam que as dívidas contraídas pela Câmara Municipal de Lamego não os afetam, é bom que se lembrem dos contributos indecorosos, porque injustificáveis, deste aumento da dívida, para todos percebermos que se as pensões e reformas têm sido cortadas; se as remunerações dos funcionários públicos têm vindo a diminuir drasticamente; se os impostos têm aumentado para níveis insuportáveis; se o desemprego tem subido em flecha nestes últimos anos, com redobrado prejuízo para os lamecenses; tudo isto se deve e resulta, também, da completa irresponsabilidade de muitos municípios portugueses, com Lamego nos lugares cimeiros deste indecoroso ranking, para vergonha de todos nós, lamecenses!
Em suma, após 8 anos de gestão autárquica por esta coligação PSD/CDS, a dívida bancária municipal está situada nos 28.434.414,58 €, a que podemos já acrescentar mais 5 milhões de encargos assumidos e não pagos, num total de 33 milhões de euros. Num rácio per capita que podemos estabelecer com os habitantes do nosso concelho, atingimos o valor de 1.236 pontos. Recordando aqui, para uma breve comparação, um dos municípios mais endividados de Portugal, Vila Nova de Gaia, chegamos à conclusão de que mesmo que ela tivesse a sua dívida na ordem dos 300 milhões de euros, ainda assim teria um rácio melhor que o de Lamego, já que este montante, para os gaienses, corresponde apenas a um rácio de 992 pontos, 244 pontos abaixo do nosso. E ainda dizem que Vila Nova de Gaia é um município fortemente endividado… Que dizermos então de Lamego!
II
Da obra executada:
1º - Já sabemos, por outro lado, que o argumento desta coligação para justificar tanto endividamento, é o de que o mesmo serviu, e justifica-se, pela realização da obra que está à vista de todos nós. Mas também aqui percebemos a falsidade do argumento, bastamente apresentado por esta coligação PSD/CDS, e que facilmente se desmonta. Mas o pior é que esta falsidade é dita com a facilidade de quem não faz a mínima ideia do que está a dizer, porquanto podemos verificar, numa simples equação, o quão frágil é este argumento.
Fazendo uma estimativa, muito por baixo, de que cada euro proveniente dos fundos comunitários representa um investimento de 75% a fundo perdido (e já dando de barato que seria essa a média normal de majoração dos fundos comunitários que, como também sabemos, tem atualmente percentagens a fundo perdido bem superiores a esta média – 80 a 90%), chegamos aos seguintes valores – aos cerca de 18 milhões de euros de empréstimos bancários contraídos ao longo deste mandato deveria corresponder, a ser verdade a aplicação destes dinheiros em obra, a cerca de 70 milhões de euros de investimento, o que fica muito aquém dos 50 milhões de euros que foram efetivamente aplicados em despesas de capital, e de cujos montantes globais todos sabemos que não correspondem à totalidade do investimento em obra.
Esta diferença abismal, no mínimo de cerca de 20 milhões de euros, que deveria ter sido aplicada integralmente no investimento, e que não foi, corresponde a um desperdício no endividamento público municipal na ordem dos 28,5%, representando, em modesto entender, a pior forma de se gerirem os dinheiros públicos, como só esta coligação soube e sabe fazer.
2º - A verdade é que apenas 32% das verbas totais investidas foram provenientes de fundos comunitários, na ordem dos 16 milhões de euros, cuja média global, integrando já a contrapartida nacional, se quedou pelo montante geral de 27,6 milhões de euros de despesa de capital cofinanciado.
E que obras foram essas que, no decorrer deste mandato, tanto investimento comparticipado exigiu ao Município? Pois bem, façamos a sua contabilidade:
- Foram os Centros Escolares de Lamego, Lamego Sudeste e Penude;
- Foram os troços da Circular Externa a Lamego, para resolver o problema do Centro Escolar e da grande superfície comercial Continente;
- Foi a Requalificação do Cais de Bagaúste;
- Foi o Parque de Estacionamento de Almacave;
- Foram algumas benfeitorias em caminhos municipais e arranjos urbanísticos, realizados em Sande, Avões, Valdigem, Alvelos, Ferreirim e Cambres;
- Foi, finalmente, o projeto Viver Lamego, nas componentes da zona do Castelo, Largo da Feira e Eixo Barroco.
E assim se investiram, dos 50 milhões de euros aplicados em despesas de capital, alguns parcos milhões destinados a obras comparticipadas, em quatro anos de mandato, ficando a certeza amarga de que se tratou de muita parra para pouca uva, que o mesmo é dizer, de muito dinheiro e de muito endividamento para pouca obra e, pior que tudo, para pouquíssimo ou nenhum benefício substantivo de retorno, na vida dos lamecenses!
Das 18 freguesias, segundo a configuração atual, apenas 5 beneficiaram com alguma obra mais robusta, no âmbito da beneficiação de caminhos municipais e pequenos arranjos urbanísticos, concentrando-se o grosso do investimento na cidade de Lamego, com Centros Escolares abusivamente a mais, sem qualquer justificação ou fundamento, onde 2 seriam suficientes; troços de variante executados por razões diversas da que deveria ser a principal, sendo que, ainda por cima, um deles desviado do projeto inicial, com custos que irão acrescer futuramente a este projeto; e, bem pior que tudo o resto, com a realização de um verdadeiro crime de lesa património ao destruir a imagem sedimentada no imaginário lamecense do nosso centro histórico, datado, romântico, verdadeiro ex-libris da nossa cidade e que agora está a ser substituído por um mar vergonhoso e monocromático de cubos de granito, sem graça nem beleza alguma, para desespero e tristeza dos que amam a sua terra…
3º - Investir tanto dinheiro, endividando os cofres municipais, em obras de mais que duvidoso benefício público efetivo, para a melhoria das condições de vida dos lamecenses, é um ato de gestão público que não merece um milímetro sequer da nossa condescendência política.
Por isso, é bom que fique lavrado em ata que:
a)      Onde a coligação PSD/CDS construiu 4 Centros Escolares, o Partido Socialista teria construído apenas 2, libertando verbas e sinergias para outros investimentos no plano educativo, nomeadamente a instalação condigna e de raiz da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego;
b)      Onde a coligação PSD/CDS destruiu o património histórico da nossa cidade, o Partido Socialista apenas teria procedido a uma requalificação criteriosa, com vista à renovação do saneamento básico da zona central e melhoria pontual do mobiliário urbano, com respeito escrupuloso pela memória dos nossos ilustres antepassados;
c)       Onde a coligação PSD/CDS apenas executou pequenos troços da Circular Externa a Lamego, o Partido Socialista teria já concluída a totalidade dos troços em falta para, assim, resolver o problema gravíssimo da circulação rodoviária de pesados no interior da cidade, dando maior fluidez ao trânsito de ligeiros;
d)      Onde a coligação PSD/CDS desperdiçou verbas em obras avulsas em poucas freguesias, o Partido Socialista teria avançado com um plano de intervenção concelhia, concertado com todas as freguesias do concelho, e não apenas com meia dúzia delas, porque sempre fomos, como somos, de opinião que as beneficiações devem ser justas, equilibradas e equitativamente repartidas pelo todo concelhio.
4º - E que benefícios efetivos trouxeram estes gastos perdulários a Lamego? Alguns terão trazido, certamente, mas não foram seguramente os mais importantes e decisivos para a melhoria da nossa qualidade de vida. Senão vejamos:
a)      As empresas sediadas em Lamego fecham portas todos os dias e a criação de riqueza decresce assustadoramente – menos 93% na criação de riqueza, hoje, que em 2005;
b)      A taxa de desemprego é das mais elevadas do País, com 27% de desemprego, muito acima da região onde estamos inseridos, em que a taxa se situa nos 19 %, e quase o dobro da média nacional, que se situa na ordem dos 16/17 %;
c)       O IMI que pagamos é o mais elevado que a lei permite;
d)      Os serviços municipais são cobrados aos munícipes por valores cujas taxas são das mais caras do País;
e)      O serviço de abastecimento público de água é também dos mais caros da região e do País.
Em suma, este mandato foi mau demais, pela pobreza de ideias estratégicas a montante das obras, sem nexo nem razões fundamentadas que as justificassem devidamente, como foi mau demais pelo exagero aviltante dos montantes envolvidos nesta autêntica “bebedeira” de gastos sem gosto, de desperdícios sem critério, de endividamento sem fundamentos válidos que nos fizessem perceber porque razão se gastou tanto, e tão mal, em obras sem sentido nem lógicas estruturadas num qualquer projeto com sentido e com visão de futuro!
III
Da Lamego Convida à Parceria Público Privada, versus Pavilhão Multiusos:
 
1º - A agravar tudo isto, continuamos a ter que lidar, sem dúvida alguma, com o disparate maior e completo que foi a constituição, no mandato anterior, da empresa Lamego Convida, agora a braços com um processo de extinção problemático e outro, não menos problemático, de resolução dos problemas técnico/jurídicos criados com a Parceria Público Privada Lamego Renova, e com o autêntico “elefante branco” que dá pelo nome de Pavilhão Multiusos de Lamego.
2º - Se no mandato anterior foram gastos perto de 3 milhões de euros nesta empresa municipal, a verdade é que nestes 4 anos do atual mandato, esses valores foram substancialmente aumentados, mais que duplicados, para se fixarem acima dos 7 milhões e meio de euros, que tanta falta fez ao município lamecense, para se fazer muito mais e melhor, se fossem geridos diretamente pela autarquia. Num cálculo por alto, é sustentável defender que com metade destas verbas se teria feito praticamente o mesmo que a empresa municipal fez, porquanto cerca dessa metade corresponde já, grosso modo, aos gastos com as remunerações do pessoal e dos administradores, num total global, ainda sem o exercício de 2013, de 3.771.779, 56 €.
Um disparate de gestão completo, como os números não deixam de evidenciar, e a obrigatoriedade de extinção da mesma, por força de lei, não deixa de validar!
3º - O problema decorrente desta completa irresponsabilidade, tanto por parte do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego, como por parte de todos, repito, todos os autarcas e responsáveis que deram e dão o seu apoio continuado a este absurdo gestionário, tem a ver com a prefiguração dos maus resultados, ainda não calculáveis na sua totalidade, decorrentes da cessão de direitos contratuais que a mesma empresa municipal pretende celebrar com a parceria público/privada Lamego Renova.
4º - Envolta na maior das discrições negociais, apercebemo-nos que se pretendeu, e ainda pretende, proceder a um contrato de arrendamento em que, para sermos simplistas, os privados tentam transferir, a todo o custo, para o município de Lamego, toda a responsabilidade pelos erros cometidos por ambos, encoberto agora num suposto contrato-promessa de cessão de posição contratual e de cessão de exploração, contrato esse que felizmente, e tanto quanto sabemos, foi chumbado pelo Tribunal de Contas, correndo um processo inspetivo a todos os atos gestionários daquelas duas empresas.
A verdade é que, depois de mais de 10 milhões de euros desperdiçados nesta empresa; depois de mais meio milhão de euros de dívida direta que a mesma possui; depois de cerca de 10 milhões de euros de encargos que decorrem das responsabilidades na participação social na empresa Lamego Renova (49%); e depois de um valor não quantificável neste momento, a título de encargos hipoteticamente não assumidos pelo Município de Lamego, como tem sublinhado o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego, estaremos numa situação global de endividamento público como não há memória na história de Lamego.
5º - Ficará também para a história de Lamego, a impunidade total e completa de uma inauguração que não foi inauguração, num Pavilhão que não tinha licença de utilização, com um torneio oficial que, mesmo assim, ali decorreu, perante a indiferença vergonhosa de todos os poderes públicos portugueses que ainda hoje, tanto quanto me posso aperceber, se mantêm silenciosos perante este completo desrespeito pelas leis da República Portuguesa!
IV
Conclusão
 
No final deste mandato autárquico, o concelho de Lamego está pior do que estava, porque:
a)      Está completamente endividado, tendo ultrapassado os limites gerais do endividamento bancário, nos termos da lei, situando-se hoje como um dos municípios com piores índices gestionários em Portugal;
b)      Está destruído no âmago do seu orgulho para com o passado e no respeito para com os seus ilustres antecessores, com a destruição criminosa do centro urbano da sua histórica cidade;
c)       Está ferido na sua dignidade e honorabilidade, pelas piores razões que o têm catapultado para o anedotário nacional, em vexames que se sucedem por associação ao seu ilustre nome;
d)      Está mais pobre do que estava, pela destruição sistemática que tem assistido ao seu tecido comercial e empresarial, por desinteresse dos responsáveis autárquicos perante os seus concidadãos;
e)      Está mais frágil, em termos sociais e económicos, porque o desemprego tem vindo a aumentar assustadoramente, como não acontece em mais lado algum do País, perante a impotência dos responsáveis municipais, que nada têm feito para alterar o atual estado de coisas;
f)       Está mais sectário e menos democrático, exercendo imorais pressões e atos persecutórios a cidadãos que se opõem às práticas públicas e ideologias partidárias do poder vigente;
g)      Está mais desequilibrado territorialmente, porque tem vindo a acentuar a diferença e a dicotomia entre a sede urbana do concelho e as suas freguesias rurais;
 
E beneficiados com esta política absolutamente desastrosa? Houve?
Certamente que sim, que os houve também, mais que não seja pela leitura que temos de fazer em função dos resultados eleitorais que acabaram de ocorrer em Lamego.
Só que eu, sinceramente, não consigo vislumbrar esses benefícios que tantos lamecenses parece que encontraram nesta gestão autárquica e só me ocorre pensar que esses que assim votaram, nem sequer se apercebem que votaram contra eles próprios.
Mas isto já é uma opinião pessoal, que aqui não posso deixar de expressar. Falível, como todas são…
Muito obrigado.
Agostinho Ribeiro
Vereador do Partido Socialista



Notas finais - Depois de alguns vitupérios e insultos pessoais que o senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego proferiu contra mim, durante e após a leitura que eu fiz desta declaração (e que eu espero que fiquem registados em ata), relevando o insulto, pessoal e inqualificável, de que eu sofria de insanidade, não se absteve de me chamar, por diversas vezes, mentiroso, por eu afirmar na declaração (entre outras coisas de não menos importância), que o IMI era cobrado pela taxa mais alta que a lei admite e pelo facto de eu referir que as dívidas a terceiros já iam, a 10 setembro de 2013, em mais de 5 milhões de euros.

Convém, então, referir onde me baseio para afirmar o que afirmei:

1º - Taxa do IMI:
Como se pode verificar pela leitura do mapa abaixo colocada, e retirada do próprio site da Câmara Municipal de Lamego, o IMI a liquidar e cobrar em 2013, para os prédios urbanos, nos termos da alínea b) do nº 1 do artigo 112º do CIMI, que pode ir de 0,5 a 0,8 está fixado em 0,8, ou seja, pela TAXA MÁXIMA que a lei permite por decisão política, da única e exclusiva responsabilidade da coligação PSD/CDS.
Já no que diz respeito aos prédios urbanos avaliados, nos termos da alínea c) do mesmo número e artigo, os menos onerosos e menos significativos por serem os mais antigos, está fixado pela taxa média permitida por lei.
No entanto, a taxa do IMI referente aos imóveis mais recentes, dos últimos 10 anos, e que são os que mais importam para a vida dos lamecenses, em volume de montantes associados, estão taxados pelo valor mais elevado, já que as avaliações, nos termos da alínea c) já referida, dizem respeito aos imóveis adquiridos antes de 2003.


 
 
 
2º - Dívidas a terceiros:
No que diz respeito à "mentira" por mim proferida, da dívida a terceiros se cifrar já em mais de 5 milhões de euros, tal montante decorre das informações financeiras prestadas pelo próprio senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego que, no Balancete de Terceiros com data de 10 de setembro de 2013, exibe verbas que ascendiam a 5.177.507,46 €. Não se consegue ler devidamente o montante no saldo "credor" de terceiros, apenas porque a digitalização que nos foi facultada não possui a resolução devida para a sua leitura correta.
 
 
 
 

E assim se demonstra uma vez mais, com toda a simplicidade e linearidade, quem é que está insano, e quem é que mente aos lamecenses!
Agostinho Ribeiro