quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Os Grandes Portugueses.



Tenho acompanhado com alguma atenção o interessante programa de entretenimento e de cultura, coordenado pela jornalista Maria Elisa, e que dá pelo nome cujo título hoje perfilho.
Serei, provavelmente, como todos os portugueses, ao pensar que alguns dos nomes seleccionados para figurarem na lista dos 10 maiores portugueses de sempre, nem sequer deveriam figurar na lista dos cem mais, quanto mais na lista dos dez mais…
Mas como em tudo o que é relativo, e pressupõe um juízo de valor, os que eu possa pensar que estão a mais naquela lista, não serão, objectivamente, os mesmos que outros pensarão, concordando comigo em abstracto (alguns não deveriam estar naquela lista) mas discordando se passássemos ao concreto (não este nem aquele, mas sim estoutro ou aqueloutro).
Sendo assim, não me deterei nas personagens que penso não serem merecedoras de tal honraria, mas sim nas três personagens que, estando na lista, poderão, em modesto entender, alcandorarem-se a tão digno galardão nacionalista – o de ser o maior português de sempre, em função do que sabemos e conhecemos de cada um destes ilustres portugueses, sem cairmos na tentação de os julgar sumariamente, à luz dos valores e da moral vigentes, e portanto fora do contexto histórico, politico e social em que as mesmas personagens se movimentaram.
E reduzo a “minha” selecção a apenas três figuras ilustres, por pensar que não valerá a pena dissociar a escolha final da personagem dos momentos mais importantes e emblemáticos que caracterizam e identificam a história da nação portuguesa, aliada ao que poderíamos designar por “síntese essencial” da grandeza da alma lusa. Quero com isto dizer que vale a pena aliarmos a figura que seleccionarmos ao acontecimento histórico português que seja verdadeiramente único no mundo, e não a uma mais ou menos evidente replicação do que também estava a acontecer noutros quadrantes geográficos.
Os momentos são dois – a fundação da nacionalidade, por um lado, e a génese dos descobrimentos e da expansão portuguesa, por outro –; e a síntese é uma, na forma literária que há-de perdurar para sempre como o mais sublime cântico ao génio português.
De facto, nenhum outro momento da nossa história se pode comparar, em ineditismo, visão estratégica e singularidade na liderança, ao momento da nossa fundação, com D. Afonso Henriques, e à ambição descobridora do nosso Infante D. Henrique, que catapultou para sempre, na História Universal, o nome de Portugal.
Do mesmo modo ninguém, como Luís de Camões, soube glorificar a gesta e o génio de ser português, nessa obra maior da literatura universal que dá pelo nome de “Os Lusíadas”, a par de uma vida intensa, plena de momentos altos e baixos, de grandezas e misérias que é, também ela, a síntese vivida da diáspora lusitana.
Fundamento, portanto, as minhas opções na originalidade e ineditismo dos respectivos protagonistas:
- Portugal tem grandes reis, governantes e estadistas, mas nenhum teve o mérito de batalhar e tudo fazer para a construção de um reino que foi, precisamente, o primeiro reino com fronteiras definidas, na Europa de então. Estávamos no séc. XII.
- Portugal tem grandes visionários, gente da ciência e da investigação, dos saberes e da ânsia descobridora de coisas novas, mas nenhum foi capaz de dar ao Mundo novos mundos, conforme hoje o vemos e percebemos. Estávamos no séc. XV.
- Portugal tem grandes poetas, artistas, escritores e criadores, mas nenhum levou tão longe e tão alto este orgulho incontido de quem, sabendo o que sabemos da nossa História e das nossas gentes, nos soube cantar em letras que o tempo jamais apagará. Estávamos no séc. XVI.

Precisamos agora de olhar com maior profundidade e conhecimento para os exemplos destes portugueses, não só os que figuram na lista dos dez maiores de sempre, mas em todos os que foram seleccionados, e tudo fazer para sermos merecedores desta plêiade imensa de ilustres portugueses, fazendo pelo nosso país o melhor que soubermos fazer, e assim contribuirmos para o engrandecimento e desenvolvimento de Portugal.
E como dou importância ao pioneirismo, à tenacidade e à capacidade de visão, o meu voto vai para aquele português que foi de tal modo importante que, sem ele, nem mesmo Portugal existiria – D. Afonso Henriques, o fundador da nossa nacionalidade.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Estrutura de Missão para o Douro



A Resolução do Conselho de Ministros nº 116/2006, publicada em 20 de Setembro do ano passado, estabeleceu os termos da criação da Estrutura de Missão para a Região Demarcada do Douro.
Podemos afirmar que esta Estrutura de Missão surge por iniciativa do Senhor Primeiro-ministro de Portugal, apostado que está em contribuir para a resolução dos problemas sociais e económicos que afectam a nossa região.
Como todos estaremos certamente lembrados, a notícia da criação desta Estrutura foi publicamente lançada aquando da visita do Eng. José Sócrates ao Douro, por ocasião da sessão inaugural das Comemorações dos 250 anos da constituição da Região Demarcada do Douro, e todos nós nos congratulamos então com esta útil e tão necessária iniciativa. Esta congratulação deveu-se ao facto de ninguém ter dúvidas sobre a importância estratégica que uma estrutura desta natureza poderia ter para o Douro, se o Governo soubesse e desejasse dar a continuidade devida a um projecto como este, por forma a que não ficássemos, uma vez mais, tristemente reduzidos ao amargo sabor de mais um acto público “muito bonito”, mas sem consequências práticas para o bem estar dos durienses.
Ora, manda a verdade que se diga que a nomeação do Eng. Ricardo Magalhães para o cargo de Chefe de Projecto desta Estrutura é motivo mais que suficiente para que possamos depositar fundadas esperanças no bom sucesso desta Unidade de Missão, já que a figura prestigiada e competente deste verdadeiro “paladino” do Douro nos dá garantias de um trabalho, consistente e empenhado, em favor da dinamização de todas as acções que visem o desenvolvimento integrado do nosso território.
Um conjunto de competências de carácter dinamizador e coordenador dos diversos projectos existentes, bem como uma função de captador de novas iniciativas e parcerias para o Douro, fazem desta estrutura um instrumento fundamental para que a nossa Região do Douro possa ter, nos próximos anos, um ritmo acelerado de investimentos materiais e imateriais, capazes de colocar, de uma vez por todas, a comunidade duriense na senda certa do bem estar e do desenvolvimento.
Entre as quarenta e uma entidades e instituições que fazem parte do Conselho Consultivo desta Estrutura de Missão, lá se encontra o nosso Museu de Lamego, bem como a Fundação do Museu do Douro, sendo certo que tudo faremos para que se consiga maior celeridade, a par da imprescindível qualidade, para os investimentos que se exigem e esperam para o Douro, na sua componente cultural e patrimonial.
Também por aqui saberemos exercer toda a nossa capacidade de influência, para que obras como a de ampliação e requalificação do nosso Museu não fiquem para as “calendas gregas”, já que o Museu de Lamego é a instituição primordial de salvaguarda e exposição do património artístico mais relevante de todo o Douro e, como tal, pilar insubstituível na afirmação de uma estratégia apostada no turismo cultural de qualidade.
O vinho e a paisagem durienses não podem andar sem a sua natural associação ao património edificado de relevo e à excelência do património artístico de que o Museu de Lamego é legítimo representante e protector.
Estamos certos que, com a orientação e coordenação do Eng. Ricardo Magalhães, o Governo de Portugal nos deu um seguro testemunho de que esta Estrutura de Missão não é para “inglês ver”, mas antes para que os durienses possam, finalmente, obter e concretizar o que já há muitas décadas temos vindo a exigir para o Douro.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

A nova Lei das Finanças Locais



O Senhor Presidente da República acabou de promulgar, e muito bem, a nova Lei das Finanças Locais, que há-de reger e regular as contas da administração local para o corrente ano económico de 2007.
E dizemos muito bem porque, após auscultar o Tribunal Constitucional, que decidiu pela constitucionalidade do diploma, deu o seguimento normal a uma lei que se impunha há muito tempo, pelas reformas que o mesmo introduz ao regime de financiamento das Autarquias Locais.
Com esta lei, a que devemos juntar as do Regime Jurídico do Sector Empresarial Local e do Regime Geral de Taxas Municipais, e subscrevendo o que referiu a este propósito o Senhor Ministro de Estado e da Administração Interna, Dr. António Costa, são alargados os poderes próprios dos Municípios e das Freguesias, criando assim as melhores condições para a execução de um programa, que tarda, de descentralização de competências; reforçam-se as garantias de coesão territorial e de solidariedade entre o Estado e as Autarquias; e assegura-se uma maior credibilidade do poder local por força do rigor e da transparência que agora se exige à gestão autárquica.
Uma leitura atenta ao corpus da Lei permite-nos perceber o alcance da reforma pretendida, louvável a todos os títulos, pela obrigatoriedade de rigor estabelecida na gestão autárquica, não se entendendo a posição oficial da Associação Nacional de Municípios Portugueses, que parece apostada em defender a manutenção do actual estado de coisas, numa posição excessivamente corporativista e insensível às reais dificuldades económicas e financeiras que o País atravessa.
Até porque, no que respeita aos artigos mais polémicos desta Lei, os artigos 19º e 20º, podemos constatar que estes vêm reforçar a autonomia dos Municípios perante o Estado, já que conferem a cada município a possibilidade de deliberar sobre a percentagem de cobrança do IRS gerado em cada concelho, até aos 5%, estabelecendo a Lei que 2% serão fixos e os restantes 3% em função do que cada município deliberar. Significa isto que as autarquias assumem a responsabilidade de estabelecer a percentagem que quiserem, entre estes parâmetros agora enunciados, assumindo a responsabilidade de decidir sobre a maior ou menor incidência percentual da cobrança.
Autonomia deve significar também responsabilidade, e a base da autonomia, num Estado Democrático é, precisamente, o de poder cobrar impostos. Não queremos acreditar que os municípios portugueses pretendam o benefício da receita fiscal sem a respectiva contrapartida do ónus do estabelecimento do imposto, ao menos em algum montante percentual. Nós percebemos que é muito mais cómodo auferir receitas sem correr o risco de ser penalizado pela opinião pública, mas esta posição de comodismo não é compatível com o rigor e a seriedade que se pretendem introduzir nos esquemas de gestão da administração pública local.
Acreditamos que haja Câmaras Municipais mais preocupadas em defender o laxismo e o desperdício, por uma questão de interesses de baixa política e de oportunismos pessoais, nada solidárias com o esforço nacional que se está a produzir actualmente para que Portugal prospere, no rigor e na competência das suas administrações públicas, mas estamos certos que estas serão minoritárias e não constituirão obstáculo de monta aos superiores interesses nacionais, que devem prevalecer sobre tudo e sobre todos os que, aproveitando-se dos cargos políticos que ocupam, pouco mais fazem que usurpar competências e bens para seu exclusivo uso e benefício pessoal.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

2007



Gostaria de me sentir mais optimista para Lamego, no que respeita às minhas expectativas sobre o que vai ser o ano de 2007.
Sei do esforço que se está a fazer, a nível nacional, para colocar Portugal no rumo certo do desenvolvimento sustentado, a par de uma política de solidariedade social capaz de suster o ímpeto doentio do neoliberalismo selvagem, que pretende reduzir à sua mínima expressão os deveres do Estado e da Administração Pública, para com os seus concidadãos.
A Europa Social, esse legado histórico e humanista tão profundo e rico de valores que nos caracteriza e identifica civilizacionalmente, corre actualmente um risco enorme de dissolução irrecuperável, perante as forças mais radicais dos novos liberais, que encontram nas privatizações de todos os sectores vitais do Estado a fórmula mágica para a resolução de todos os problemas económicos e sociais que castigam a sociedade contemporânea.
E, no entanto, todos sabemos que não é, não pode, nem deve ser assim!
Desde sempre que a Europa tem sabido demonstrar que a componente social é uma pedra basilar na construção de um mundo melhor e, sob este aspecto muito particular, todos reconhecemos, na história europeia das últimas décadas, a “aliança” fundamental entre as diversas tendências do socialismo democrático e da democracia cristã, no esforço permanente que estas forças ideológicas desenvolvem em defesa dos direitos fundamentais de todos os seres humanos, onde a componente social assume um papel de incontornável importância.
Percebemos também que o Estado português tem vindo a desenvolver um trabalho sério na resolução dos problemas que nos afligem, quer por via das reformas que paulatinamente tem vindo a introduzir nos sectores mais importantes da vida da sociedade – justiça, educação, saúde, administração pública, entre outros; como por via da contenção e do rigor nas contas públicas, fazendo todos os esforços para evitar o desperdício, a má gestão dos recursos financeiros disponíveis, combatendo a corrupção e a fuga aos impostos, em suma, trabalhando denodadamente com o objectivo de transformar Portugal num país moderno e altamente competitivo à escala europeia e mundial, promovendo hoje as reformas que há décadas se nos exigiam.

E se em relação ao país não temos dúvidas sobre o rumo traçado, já o mesmo não poderemos dizer em relação à nossa administração local, que insiste em colocar o concelho de Lamego às portas da ruptura orçamental e financeira, num processo doentio de contracção de empréstimo sobre contracção de empréstimo, que só há-de parar quando o município lamecense ultrapassar os níveis de endividamento permitidos por lei (já não falta muito) para que as gerações vindouras nada mais possam fazer senão a de tentar corrigir os abusos destes senhores.
Acabaram de aprovar, de forma intempestiva, mais dois empréstimos de cerca de dois milhões de euros, para financiar obras que, imagine-se, já estavam no rol dos projectos que serviram de base à justificação de um outro empréstimo anterior, este por conta de receitas futuras das rendas provenientes da distribuição de energia eléctrica de baixa tensão. Como o Tribunal de Contas lhes deve já ter dado “conta” que iriam chumbar tamanha “barbaridade”, logo se apressaram à aprovação deste novo empréstimo, para assim poderem continuar com os excessos e os abusos a que nos têm vindo a habituar.
Depois de endividarem a Câmara de Lamego em montantes inaceitáveis, já que num ano conseguiram a faceta de quase duplicar a dívida à banca, fora a restante dívida global que a conta de gerência de 2006 há-de demonstrar; depois de constituírem uma empresa financeiramente ruinosa para os cofres municipais; depois de aumentarem o imposto sobre imóveis, (cujo aumento iremos sentir já em Abril); depois de aprovarem um plano e um orçamento que é um verdadeiro atentado à inteligência das pessoas; depois de tudo isto, preparam-se para nos aumentar o preço da água em percentagens imorais, esse bem essencial para o bem-estar de todos nós, de uma forma abusiva e ilegal, conforme já vem sendo hábito normal destes senhores.

Não me parece, pelo andar da carruagem, que o ano de 2007 possa vir a ser um grande ano para Lamego…

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

A Quadra Natalícia



Nesta época de Natal assistimos a um desdobramento de votos de felicidades e desejos partilhados de sucessos, de paz e harmonia, de todos para todos, espelhando, cremos nós, os sentimentos mais genuínos e profundos que caracterizam o lado bom que existe em todos os seres humanos.
Ninguém é insensível à época natalícia, e até mesmo os mais empedernidos e austeros concidadãos não escapam a esta áurea admirável que nos costuma enredar e embevecer, por estes dias de Natal.
Como sabemos, o Natal, enquanto festividade cristã comemorativa do nascimento de Jesus Cristo, foi instituída pelo bispo Libério, no ano de 354 d.C., fazendo coincidir esta memória com as festas pagãs que então se celebravam, por esta altura do Solstício de Inverno. Talvez a troca de presentes decorra desse ancestral hábito pagão, e que Roma soube sincretizar de forma prática e inteligente, incorporando alguns rituais pagãos no pujante cristianismo triunfante, que assim soube adaptar e adaptar-se às realidades então vigentes, dada a força mítica que muitos destes cultos gozavam no seio das gentes de então.
Seja como for, a verdade é que hoje o Natal ultrapassou de novo a componente exclusivamente religiosa, ainda presente e evidente nas nossas comunidades cristãs, mas agora para atingir o cúmulo do novo paganismo, a que prosaicamente designamos de consumismo. O mercado explora até à exaustão esta límpida e eclética fusão das antiquíssimas festividades pagãs e cristãs, para se alcandorar como o fim em si mesmo – consumir, consumir, consumir!
O mercado de consumo dita as regras da festividade natalícia, e até mesmo o Menino Jesus é hoje substituído pelo Pai Natal, recentemente inspirado na célebre figura do Bispo de Mira, São Nicolau Taumaturgo, e cujo visual típico está erroneamente associado às campanhas publicitárias da Coca-Cola, uma vez que muito antes destas campanhas (a primeira foi em 1930) já o Pai Natal tinha sido caracterizado mais ou menos desta forma, pelo caricaturista Thomas Nast, em 1886, ou seja, 40 anos antes da campanha desta conhecida bebida.
Mas a essência do Natal, a que verdadeiramente importa realçar e lhe dá a força universal, não será a do próprio mistério da vida? O nascimento de Cristo não será, mesmo para os cristãos, a par do nascimento do próprio Deus Menino, a síntese da glorificação do nascimento de todos nós, humanidade em perpétuo movimento e que, para o melhor e para o pior, há-de sempre ter de contar com as suas próprias forças e fraquezas, misérias e grandezas, no exemplo de alguém que nasceu para, em supremo acto de dádiva completa, morrer por todos nós?
É o júbilo redentor de quem nasceu para nos salvar, de quem se entregou totalmente a todos nós e entregando-se, nos ofereceu a mais admirável, extraordinária e profunda das histórias da humanidade, que há-de perdurar muito para além dos interesses do mercado consumista, das modas transitórias, da efémera lembrança que a fadiga do tempo não se esquecerá de apagar.

E também por isto devemos estar atentos a tamanha explosão de boas vontades, de tantos votos de felicidades, de tantas boas intenções… Elas comovem-nos, tocam-nos, sensibilizam-nos…
Mas se olharmos bem para muitos dos seus proponentes não conseguimos vislumbrar mais que palavras ocas e vãs, ditas na perdulária voz do interesse mesquinho e imediato, apelando à paz e concórdia sem nunca terem feito nada para a sua obtenção efectiva, quantas vezes fazendo crer que é nos outros que está a “culpa” das dissenções e do mal, sem se aperceberem que é no seu próprio seio, ou no seio dos que lhes são próximos, que as rupturas são provocadas, as maledicências proferidas, os vitupérios orquestrados…!
Ou seja, um ano inteiro a provocar e a permitir que o mal seja cometido para depois se arvorarem em defensores do bem, numa qualquer quadra natalícia que, entretanto, cedo passa e logo se esquece… soa a falso!
Porque Natal ainda não é todos os dias, e o espírito imanente desta quadra natalícia ainda não consegue abranger a totalidade verdadeiramente universal que deveria abarcar… ele fica-se, tantas vezes, pelo uso (e abuso) de desígnios indevidos de alguns, para desonra de todos nós!
Que todos saibamos destrinçar o trigo do joio, para que os falsos e enganosos votos que deslealmente nos são proferidos soçobrem de imediato perante as boas e verdadeiras intenções de bem-estar natalícias.

Agostinho Ribeiro

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

O Orçamento e as Grandes Opções do Plano Municipal de Lamego para 2007



A Coligação PSD – CDS/PP, a que devemos acrescentar a CDU, uma vez que já nos é claro que esta força política alinha incondicionalmente com o actual poder autárquico (como aconteceu há bem pouco tempo a propósito das aprovações conjuntas da subida da taxa do Imposto Municipal sobre Imóveis e a criação da empresa LamegoConvida), sob a batuta orientadora do senhor Presidente da Câmara de Lamego, aprovou o Orçamento e as Grandes Opções do Plano para o ano económico de 2007, na sessão da Assembleia Municipal ocorrida na passada segunda-feira.
Numa atitude que nos parece ser de uma enorme irresponsabilidade, esta coligação alargada não se inibiu de aprovar um plano politicamente irrealista e mentiroso, e que ainda por cima nos coloca à beira da ruptura orçamental e financeira, fazendo com que nos aproximemos perigosamente dos índices de endividamento que nos hão-de impedir, num futuro não muito distante, de assumir as nossas mais elementares responsabilidades municipais.
Se as Grandes Opções do Plano copiam mais de 80% do plano do ano anterior, o que nos dá uma ideia razoável da incapacidade de execução deste executivo, onde nem sequer nos demonstram ter o cuidado de “disfarçar” tamanha falta de preparação na elaboração de um documento fundamental para Lamego, a verdade é que o Orçamento não lhe fica atrás, nem na irresponsabilidade dos montantes expressos, nem nas falsidades políticas que espelham, acrescentando-lhe ainda uma série de ilegalidades insanáveis, que atravessam todo o documento.
Uma inspecção que venha verificar as contas e a gestão deste executivo, cedo concluirá que o actual poder autárquico, para além da inaptidão que demonstra possuir na formulação e elaboração dos documentos fundamentais do município, é avesso à legalidade, pela recorrente violação aos articulados do POCAL, Plano Oficial de Contabilidade das Autarquias Locais.
No plano, a constatação é simples de se fazer para apurarmos a incompetência – basta reduzir a escrito tudo o que é possível imaginar, e que todos gostaríamos de ver realizado, confundindo um programa global com um plano anual, ainda que com reflexos plurianuais, para termos uma ideia da forma como se gizou este documento, como se os lamecenses fossem ingénuos ao ponto de acreditarem na bondade de um documento desta natureza, que tudo diz que vai fazer para, no final, pouco ou nada conseguir realizar.
E basta olharmos para o plano que estes senhores elaboraram para 2006 e verificar o que cumpriram do mesmo, para facilmente acedermos à constatação de que o próximo não lhe será muito diferente.
Mas se nas Grandes Opções do Plano a questão é do foro quase exclusivamente político, e depende apenas da nossa maior ou menor crendice, já no que toca ao orçamento a coisa “pia” mais fino. E “pia” mais fino porque as ilegalidades não se compadecem com crendices, e as leis ainda são para se cumprirem, pese embora alguns senhores desta coligação poderem pensar que não.
Se o desconhecimento das boas práticas orçamentais os fazem cometer os maiores despautérios, os resultados de tamanha irresponsabilidade não só irão recair sobre eles (e esperamos bem que sim, porque foram todos devidamente alertados para as asneiras que estavam e estão a cometer), como recairão sobre todos nós, o que é grave, porque pagaremos todos, sem excepção, pelos disparates cometidos por alguns.
O Orçamento de 2006 já era um completo desvario financeiro, com verbas inscritas na ordem de mais de 34 milhões de euros, para uma expectativa real que nunca poderia ultrapassar, na melhor das hipóteses, os 20 milhões de euros. Agora propõem-nos um orçamento a rondar os 44 milhões de euros, para um encaixe real que não poderá, jamais, ser muito diferente do de 2006. E tudo isto sem suporte legal adequado, sem fundamentação séria e credível, sem qualquer linha de rumo que nos possa esclarecer sobre a bondade destas propostas.
E do que irão fazer, já não se duvida que será mau para Lamego, uma vez que sabemos que já se preparam para destruir o nosso Jardim da República, também conhecido por Jardim do Tablado, e um dos nossos maiores ex-líbris de Lamego, que afirma a imagem da nossa cidade em todo o lado, propondo-se fazer este autêntico disparate de lesa património sem nos darem conhecimento, nem aos cidadãos lamecenses, nem aos seus representantes legais na Assembleia Municipal, para que alterações desta natureza sejam, ao menos, prévia e antecipadamente debatidas entre todos nós.
É claro que o Grupo Municipal do Partido Socialista votou contra estas Grandes Opções do Plano e este Orçamento para 2007. Mas fê-lo por decisão unânime dos seus membros, em consonância total com a Senhora Presidente da Secção de Lamego do Partido Socialista e da quase totalidade dos Senhores Membros da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista.

Agostinho Ribeiro

Os bajuladores



Os bajuladores são aquele tipo de pessoas que nunca olham a meios para atingir os seus insondáveis fins.
Especialistas na exploração da vaidade humana, não se poupam a lisonjas excessivas para assim obterem as benesses pessoais que, de outra forma, nunca conseguiriam obter.
Todos nós conhecemos a espécie. Ela pulula em todos os sectores da actividade humana e não deve haver uma única pessoa neste mundo que não conheça, pelo menos, um triste exemplar deste calibre.
Desde que lhes interesse, ou seja, desde que uma determinada pessoa se encontre em situação de os poderem alcandorar (normalmente de forma indevida e imerecida) a um patamar ou situação de maior visibilidade ou poder, bajoujam servilmente o seu destinatário, na expectativa de obterem a tão almejada benesse, e trabalham arduamente na lamechice ridícula do exagero e do excesso, sempre com o fito do emolumento injusto, do reconhecimento impróprio ou do favor despropositado.
Porque se fosse justo, próprio ou propositado, não precisavam de recorrer à baboseira fácil, e as pessoas saberiam distinguir e reconhecer os méritos próprios de cada um.
Os bajuladores insinuam-se no seio dos mais desprevenidos e desatentos, fazem-se passar por amigos do peito, criam o ambiente adequado para fazerem crer que sempre foram, são e serão, fiéis a quem lhes interessa no momento.
Os mais cuidadosos e ajuizados cedo se apercebem do logro que caracteriza estes burlões, e logo se afastam de tão nefastos exemplares da natureza humana, e por isto é que verificamos que os bajuladores apenas têm palco e assistência, repetida e continuadamente, no seio dos vaidosos. A jactância destes não lhes permite perceber que apenas estão a ser alvo de encómios exagerados e falsos, e acarinham com a soberba desmedida que só a bazófia consegue produzir, este género de pessoas, convencidos que estão da justeza dos elogios repetidamente recebidos.
Para esta gente, emissores e receptores, aduladores e gabarolas, o mundo parece resumir-se ao umbigo de cada um, e tudo o que possa pôr em causa esta virtualidade egocêntrica, como se o mundo inteiro girasse, apenas e exclusivamente, em torno deles próprios, é ridicularizado e desprezado.
Mas os bajuladores são, por natureza, traidores. Traidores aos princípios e valores que supostamente elogiam nos efémeros destinatários; traidores às causas que, aparentemente, abraçam, apenas por saberem que os receptores são sensíveis a tais causas; traidores aos próprios destinatários que lisonjearam, logo que estes deixem de ser importantes ou necessários à obtenção do benefício procurado. É vê-los a elogiar hoje e a desprezar amanhã; a atacar desmesuradamente agora e a gabar ridiculamente depois; a jurar fidelidade canina num momento e a atraiçoar o “melhor amigo” no momento seguinte.
Por esta razão, a mais das vezes perdem a noção das realidades, mergulham no mundo da irrealidade que construíram e um dia darão conta que estão sozinhos na sabujice servil e na futilidade vã que construíram e que os caracteriza e identifica. Pior que tudo, para eles próprios, é que olharão então à sua volta e não encontrarão nenhuma mão verdadeiramente amiga na disposição de os ajudar.
É esta a triste sina dos bajuladores profissionais, que não se sabem circunscrever à sua própria dimensão, e projectam na vaidade dos outros as suas próprias ânsias e desejos de protagonismo fácil, sem qualquer base ou mérito que o possa justificar.

Agostinho Ribeiro